Vale pagar por crescimento em Hypera?

Empresa premium: cresce de menos e custa demais.

O passado

A Hypera Pharma (HYPE), antiga Hypermarcas, nasceu em 2001 com foco de atuação em produtos de higiene pessoal e limpeza. Posteriormente, ingressou em alimentos.

Em 2007, já consolidada nos seus setores de atuação, a aquisição da DM Indústria Farmacêutica deu início a uma nova fase, que culmina no que a empresa é hoje.

A empresa fez seu IPO em 2008 e, com a aquisição da Farmasa, chegou a liderança do segmento denominado Consumer Health, produtos de saúde adquiridos sem a necessidade de prescrição médica.

No ano seguinte, adquiriu a Neo Química e ingressou no mercado de medicamentos genéricos.

Em 2011, a companhia deu início a um processo de desinvestimentos, para focar nos segmentos que considerava mais lucrativos, vendeu seus negócios de alimentos e limpeza, e passou a adotar uma estratégia de crescimento orgânico.

Com a venda dos negócios de higiene pessoal, em 2015, a companhia definiu seu enfoque em atuar exclusivamente no mercado farmacêutico. No ano seguinte, concluiu as rodadas de desinvestimentos com a venda do negócio de preservativos e de descartáveis.

Evolução do portfólio de produtos, em participação na receita. Fonte: Hypera Pharma

Evolução do portfólio de produtos, em participação na receita. Fonte: Hypera Pharma

Desde então, a companhia trabalha com as 3 unidades de negócios que existem atualmente: Branded Prescription (medicamentos com prescrição), Consumer Health e Genéricos.


O presente

Atualmente a companhia está dividida de forma equilibrada entre suas unidades de negócio e está muito bem posicionada em seus respectivos mercados.

Receita e posição no mercado. Fonte: Hypera Pharma

Receita e posição no mercado. Fonte: Hypera Pharma

O portfólio de produtos da companhia é bastante diversificado e conta com marcas consolidadas no mercado como Addera, Doril, Benegrip, Engov, Epocler, Biotônico Fontoura, Finn, Zero-Call e várias outras marcas reconhecidas.

A decisão de focar no mercado farmacêutico se deu por conta de ser um segmento mais resiliente (menos correlacionado com a atividade econômica), promissor (envelhecimento da população) e rentável (maiores retornos sobre capital).

A companhia conseguiu construir vantagens competitivas e tem atualmente os menores custos da indústria, alta produtividade e capacidade de produção, e canais de distribuição diversificados, que alcançam de 100 por cento dos pontos de vendas no Brasil.

O mercado gostou do trabalho realizado e do que a empresa se tornou. Desde seu IPO, sua ação supera em mais de 8x o rendimento do Ibovespa.

HYPE3 (branco) e IBOV (verde). Fonte: Bloomberg

HYPE3 (branco) e IBOV (verde). Fonte: Bloomberg

O futuro

O principal driver de crescimento da empresa é a inovação.

O objetivo da companhia daqui em diante é trazer para o Brasil novos fármacos e tecnologias desenvolvidas ao redor do globo, mantendo a rentabilidade e o baixo endividamento atual.

Para abocanhar um mercado e demanda inexplorados é necessário um grande investimento em inovação para manter o ritmo e o sucesso dos futuros lançamentos.

Graças a sua rentabilidade, e com uma forcinha dos benefícios fiscais que tem, a companhia gera caixa o suficiente para bancar todo esse investimento.

Tudo parece perfeitinho.

Mas enxergamos 2 problemas em HYPE.

O primeiro, é que a companhia está em meio a um acordo de leniência.

HYPE teve denúncias de corrupção por executivos de alto escalão e está negociando pagar multas e colaborar com as investigações.

Segundo a companhia, as multas não serão elevadas demais, mas sempre existe o risco de, novas investigações, encontrarem novos problemas.

O segundo, é que a empresa negocia a altos 15x Ebitda.

Preço salgado, se pensamos que pretendem crescer 2~3 pontos percentuais acima de seu mercado nos próximos anos - aproximadamente 10 por cento ao ano.

Em um mercado em que pagamos entre 11 e 12x Ebitda para crescimento de 30%, fica difícil pagar tudo isso em HYPE só porque a empresa é “premium”.

No Investidor de Valor não gostamos de correr este tipo de risco.

Não gostamos de pagar caro por quem não cresce.

Pois, as empresas premium também decepcionam. E, quando decepcionam:

UGPA3 (verde) e IBOV (branco). Fonte: Bloomberg.

UGPA3 (verde) e IBOV (branco). Fonte: Bloomberg.

Um belo exemplo, é o que acontece com Ultrapar (UGPA) este ano.

Muito cuidado com seu rico dinheirinho.Compre apenas o bom e barato.


Abraço,

<Ass Bruce>

Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Bruce Barbosa

Possui 16 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pelo BNP Paribas, HSBC e Empiricus Research. Formado em Engenharia de Produção pela USP e possui um MBA pela New York University.

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