O Value Investing morreu

É o maior tema de Omaha este ano.

Morto e enterrado

É o maior tema de Omaha este ano.

Se até o maior investidor do mundo está há 10 anos perdendo do índice, imagine os pequenos.

O Value Investing (comprar barato) sempre ganhou do Growth investing (comprar o que cresce), mas faz 10 anos que fica abaixo.

Seria a morte do Value Investing?

Adeus Buffett? Adeus Berkshire? Adeus Omaha?

Adeus mundo cruel?


Colocando em perspectiva

Pensando a mais longo prazo, o value investiu passa por longos períodos de performance abaixo do mercado.

A bolha das ponto.com foi um grande exemplo.

Na verdade, sempre que o mercado tem um período longo de altas isso acontece.

Sempre que o mercado sobe por longos períodos a mídia mata o Value Investing.

E desta vez não é diferente.

Seria apenas mais uma vez que o Value Investing ressurge dos mortos e domina novamente o mercado de investimentos?


Todo mundo perde do índice

Mas veja bem.

Temos que lembrar que, aqui nos EUA, algo como 80 por cento dos gestores perdem do índice.

Sim. É bizarro.

80 por cento dos gestores perdem do índice de ações.

Com medo (desesperado) de perder e tendo que pagar taxas altas, os gestores simplesmente não ganham do mercado.

Como eles não perdem seus empregos é a pergunta que não quer calar.

Justamente por isso existe a enorme onda atual de investir em índices por aqui.

Inclusive Buffett é um dos investidores mais vocais dizendo às pessoas que deveriam investir no índice.

É mais fácil e mais rentável.


Malditos intangíveis

O Value Investing seria a compra de patrimônio com resultados impactados por alguma crise.

Na teoria, tudo reverte para a média, e o Value investing é, simplesmente, comprar coisas que estão com problemas mas reverterão para a média.

Compramos empresas com bons ativos mas resultados impactados por alguma crise específica.

Compramos empresas com patrimônio relevante mas com lucros caindo por alguma crise específica.

E, quando os resultados voltam, o Value Investor ganha dinheiro.

Intangíveis são tudo

A teoria que mais é ventilada aqui no “cinturão do milho" são os intangíveis.

Basicamente as companhias antigamente investiam em ativos que entravam nos balanços.

Hoje as companhias investem em propriedade intelectual - que não vai no balanço.

Então a ideia acima de que o Value Investing compra ativos (patrimônio) com algum probleminha que irá embora não funciona mais.

E o crescimento dos intangíveis teria causado a falência do Value Investing.

Teria mesmo?

Network Effects

Outra teoria interessante são os network effects.

As companhias de tecnologia teriam uma vantagem pela criação de efeitos de rede.

Basicamente quanto maior a companhia melhor seu negócio.

Quanto maior a companhia melhor seu mercado.

Quanto maior a companhia mais defesas ela tem contra competidores.

Quanto maior a companhia maiores seus efeitos de rede.


Tecnologia

Grande parte da alta do S&P500 vem de empresas de tecnologia.

A FAANG (Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google) brilharam e puxaram o mercado.

Mas teremos uma continuação desta dinâmica?


Círculo de competência

É o famoso “cada um no seu quadrado".

Funciona na vida real, funciona nas peripécias do Value Investing

Cada um investe no que conhece ou imagina que conheça.

Não adianta investir nos EUA sem saber onde investir.

Não adianta investir na China sem saber onde investir.

Não adianta investir no humilde mercado brasileiro sem saber onde investir.


O Value Investing precisa evoluir

Uma boa forma de evolução é comprar ações que tenham network effects.

Nos últimos anos e décadas, vimos a dominância de empresa que possuem negócios que quanto maiores, melhores.

Google, Apple. Amazon, …, todos exemplos de empresas que quanto maiores, melhores.

Tudo isso com custos de aquisição de clientes caindo e margens subindo.

Seria o fim do Value Investing como o conhecemos?


Vá onde você conhece

É uma das principais frases do Value Investing e foi dita pelo gênios do mercado.

Use seu tempo para entender os negócios.

O mundo pode estar em transformação, mas sempre encontramos oportunidades.

O preço sempre nos permite encontrar coisa ruim que é boa.

O preço sempre nos permite encontrar coisa boa que é ótima.

Até entre as empresas com network effects, encontramos as esquecidas.

As largadas. As cansadas.

Todas as riquezas do mundo estão entre você e o entendimento dos bons negócios.

Seja sempre um caçador.

Seja um Investidor de Valor.



Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma

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por Bruce Barbosa

Possui 16 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pelo BNP Paribas, HSBC e Empiricus Research. Formado em Engenharia de Produção pela USP e possui um MBA pela New York University.

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