Wall Street em polvorosa

Foi uma semana agitada com destaques econômicos, políticos e corporativos.

Nos Estados Unidos e no mundo, as eleições norte-americanas foram o assunto da semana. De certa maneira havia uma expectativa por parte da mídia, do mercado e das pessoas em geral de que este ano a eleição seria um pouco diferente do normal.

Por um lado tivemos milhões de cidadãos norte-americanos votando pelo correio, o que causou – e ainda causa – uma certa demora na apuração dos votos. Por outro sabíamos (por conta de declarações anteriores) que, no caso de uma derrota, Donald Trump não largaria o osso tão fácil.

No momento em que escrevo esta newsletter, Biden já está com um pé na Casa Branca, pois, para Trump conseguir a façanha de virar o jogo, ele precisa ganhar na Pensilvânia, Geórgia, Carolina do Norte e Nevada, o que é praticamente impossível.

Imagem mostra a probabilidade de vitória para Trump e Biden, respectivamente.

Fonte: Wall Street Journal

Algumas declarações de Trump ao longo dos últimos dois dias trazem certa preocupação quanto a uma transição pacífica de poder. Como dizem os americanos, “that's when the rubber hits the road”, que seria o nosso equivalente a: “é aí que o bicho pega”.

Na sexta-feira pela manhã, Biden já contava com a proteção do serviço secreto norte-americano e com a restrição de tráfego aéreo nas intermediações de sua residência em Delaware.

Apesar de todo o barulho feito durante os últimos dias em relação à eleição, pouco mudará no curto prazo do ponto de vista econômico.

O plano de Biden para a recuperação econômica do país é muito mais agressivo do que vinha propondo Trump. Entretanto, como o partido democrata não conseguiu conquistar a maioria no Senado, a aprovação de algumas medidas poderá encontrar resistência no campo político.

O que efetivamente sabemos é que as taxas de juros permanecerão baixas por muito tempo. Nessa semana, o FED (Banco Central dos Estados Unidos) decidiu por manter os juros básicos da economia entre 0 e 0,25 por cento ao ano.

O presidente da instituição, Jerome Powell, mais uma vez mandou o recado de que o FED fará o que for preciso, do ponto de vista da política monetária, para suportar uma recuperação rápida da economia do país.

O impacto de tudo isso no mercado foi bem positivo, principalmente para as Ações de tecnologia, as queridinhas dos investidores. O índice Nasdaq subiu mais de 8 por cento em poucos dias. Não há como brigar com juros zero e, mesmo que os valuations das empresas de tecnologia estejam extremamente caros, o mercado segue subindo.

Gráfico mostra a performance dos índices (Nasdaq Composite; S&P 500 e Dow Jones Industrial Average) na semana de 2/11 a 6/11.

Fonte: Wall Street Journal e Factset

Também tivemos uma boa notícia no campo econômico na sexta-feira. Durante o mês de outubro, foram criados 683 mil novos postos de trabalho nos Estados Unidos, o que derrubou a taxa de desemprego para 6,9 por cento. Ainda, há indícios de que esta retornará rapidamente para a faixa de 3 por cento – na qual se encontrava antes da crise.

Gráfico mostra as flutuações da taxa de desemprego (Estados Unidos) no período de 2008 a 2020.

Fonte: Wall Street Journal


Provavelmente, já nas próximas semanas, o mercado esquecerá das eleições e voltará a demandar um novo pacote de estímulos econômicos por parte dos políticos. Ele terá que vir na sua versão em esteróides – trilhões e mais trilhões de dólares sendo jogados de um helicóptero para contento geral da nação e dos mercados.

Seguimos atentos.

Até a próxima semana!


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por Cesar Crivelli
em 07/11/2020 para Nord Insights

Bacharel em Administração de Empresas pela PUC-SP, possui MBA pela FGV e MSF pela Hult International Business School. Integrou a equipe de Equity Research do Citibank e tesouraria da General Motors (GM) no Brasil. Posteriormente, atuou nas frentes de M&A e novos negócios da Xeros Cleaning Technologies (XTG), nos Estados Unidos. Ingressou na Nord Research em outubro de 2019, como parte do time do Nord Small Caps, e hoje é responsável pelo Nord Global.

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