Vol minha vol

Vol minha vol

Enquanto noite ainda foi de perdas na Ásia, refletindo a nova rodada de dor e sofrimento vivida do lado de cá ontem, a alvorada do Velho Continente sugere esforços em deixar para trás o baque induzido pelas tech stocks nesta segunda (sobre isso, vide abaixo). Por lá destacam-se setores defensivos como saúde e utilities.

Haja volatilidade, meus amigos. De tédio, ninguém vai morrer.

Futuros em NY e SP apontam para inícios de sessão positivos.

 

Dias melhores para Zuck

Zuckerberg já teve dias melhores. O imbroglio das tech stocks e o tratamento da privacidade de seus usuários segue – e, tudo indica, seguirá – dando pano para manga lá por fora, colocando em xeque esses modelos de negócio e trazendo intranquilidade para os mercados. É a mensagem deixada ontem, após a reação à notícia de que o CEO do Facebook concordou em depor no Comitê Judiciário do Senado americano no próximo mês.

Fácil de imaginar quão frágeis são as premissas de avaliação de negócios como o Facebook – há, ali, necessariamente uma boa dose de wishful thinking para justificar preço. Consequentemente, a reação a qualquer ameaça sempre ganha contornos catastróficos.

Lembre-se disso da próxima vez que vierem oferecer aquele COE maroto para investir em FANG ou coisa descolada do gênero.

(Aliás, sempre tenha um pezinho atrás com coisinhas descoladas quando o assunto é investimento…)

 

Vender dói

Sabe aquela expressão nem que a vaca tussa? O mercado ofereceu, ao longo do tempo, algumas variações bem específicas. Eu brinquei, por muitos anos, que só faria determinada coisa no dia em que ALL gerasse caixa, por exemplo.

Nos últimos anos a brincadeira era só faço no dia em que o Benjamin vender algo grande.

A referência é às constantes promessas de vendas de ativos por parte da CSN (CSNA3), que voltaram à tona por ocasião dos resultados do 4T17. A declaração da vez é de que teremos pela frente desinvestimentos da ordem de 3 bilhões de reais em 2018 – o que faria muito bem à empresa, cuja alavancagem financeira é perigosamente alta há mais tempo do que sou capaz de lembrar.

Sempre vale o benefício da dúvida – mas, no caso do Benja, é arquissabido que vender lhe dói demais.

 

Não era tudo isso

No final das contas, não era tudo isso. Essa é a leitura que o mercado vem fazendo de SER Educacional (SEER3) desde a divulgação de seus resultados do 4T17.

Em linhas gerais, a percepção é de que a estratégia de expansão da companhia não se concretizou – e, portanto, todo aquele crescimento incorporado no valuation perdeu a razão de ser. Planilha aceita desaforo; a realidade, não.

Ações acumulam perdas da casa de 30 por cento no mês, e há quem as veja como faca em queda livre ainda assim.

 



 Ricardo Schweitzer, CNPI

Em observância à ICVM 483, declaro que i) as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma; ii) não possuo vínculo com pessoa natural que trabalhe para o emissor de qualquer valor mobiliário mencionado neste relatório; iii) não sou titular de valores mobiliários objeto deste relatório; iv) não estou envolvido, direta ou indiretamente, na aquisição, alienação ou intermediação dos valores mobiliários objeto deste relatório; v) não tenho qualquer interesse financeiro em relação a qualquer dos emissores objeto deste relatório.

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por Ricardo Schweitzer
em 28/03/2018 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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