Vem aí a segunda onda?

Mercados globais atentos ao recrudescimento da Covid-19 na Europa

Melhor ter ficado de fora?

A semana caminha para seu desfecho na mesma toada dos últimos dias: de um lado, esperanças de uma nova rodada de estímulos econômicos nos EUA; de outro, preocupações com o recrudescimento da pandemia de Covid-19 no Velho Continente.


Hoje, ao que tudo indica, os pessimistas hão de vencer a queda-de-braço. Isso porque, a despeito de esperanças renovadas que Democratas e Republicanos eventualmente se entenderão em prol de mais uma dose de adrenalina para sustentar os mercados, esse entendimento demorará o suficiente para que o PIB americano do quarto tri não seja lá essas maravilhas  e, do outro lado, o Coronavírus preocupa em solo europeu.


Noves fora, a performance levemente positiva dos mercados asiáticos (repercutindo o bom dia de ontem) não encontra eco nas praças europeias e nem nos futuros nova-iorquinos, que apontam para baixo. Por aqui não deve ser diferente.


Muita gente deve estar se perguntando por que não vendeu Bolsa no final de agosto e ficou assistindo de fora.


Falta fôlego

No front local, seguimos às voltas com nossas questões de ordem fiscal.


Se, por um lado, o governo é simpático à prorrogação do seguro-desemprego para os demitidos durante a pandemia, por outro tem que se virar nos trinta para fazer isso caber em um orçamento mais que desconfortável.


Os últimos dias foram um verdadeiro choque de realidade para os que achavam (achavam mesmo?) que os esforços fiscais não trariam qualquer ônus à percepção de risco da dívida pública. O mercado de juros tem sido extremamente vocal, e isso não deve mudar tão cedo.


Alguns dirão que é papel do governo fazer política contracíclica em momentos de crise. Não discordo: o problema é que temos uma longa tradição de gastar na tempestade e continuar gastando na bonança  e o resultado é que, quando precisamos de fôlego, ele nos falta.


Só para ter em mente: salvo melhor juízo, para vigorarem em 2021, presentes de grego no front tributário  por exemplo, uma nova CPMF e a eventual tributação de dividendos  precisam de aprovação antes do Show da Virada.


Olho em Brasília.



IPOs: foi bom enquanto durou?

Os últimos meses foram intensos para a turma do investmentbanking, mas talvez a festa esteja em vias de terminar prematuramente.


Se, por um lado, ainda persiste uma fila relevante de Empresas ansiosas por debutar na Bolsa ainda em 2020, os resultados de precificação das últimas operações sugerem que compradores não são mais tão compradores assim.


Multiplicam-se os IPOs precificados no piso da faixa indicativa e surgem, enfim, as primeiras desistências  no front primário, BR Partners e Caixa Seguridade preferiram continuar como estão; no secundário, Petrobras (PETR3, PETR4) decidiu, por ora, continuar com seu stake na BR Distribuidora (BRDT3).


Eu fiz uma enquete no Twitter nesta semana justamente sobre isso. A maioria ainda estava mais otimista que eu. A ver.


Print de tweet do Ricardo Schweitzer com a seguinte enquete:

"Pergunta rápida: ainda teremos IPOs esse ano?

Sim, vai sair tudo - 69,7%
Não, a janela fechou - 30,3%

459 votos - Resultados finais"




Surfando a segunda onda

Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém: o noticiário referente à segunda onda do Coronavírus na Europa não deve ser ignorado. Paralelamente, peripécias fiscais aqui e acolá podem limitar a capacidade de sustentação da atividade econômica, que ainda depende bastante de estímulos.


Se, lá fora, o dia depois de amanhã já é tema central nos mercados, por aqui ainda segue como uma discussão periférica: em que condições se encontrará a economia brasileira quando os estímulos cessarem?


Com PIB magro, juros estressando e câmbio errático, suspeito que muitos gestores estejam revendo suas alocações em nomes mais sensíveis ao desempenho doméstico  principalmente porque muitos desses foram justamente os outperformers nos últimos meses.


Pode ser hora de buscar nomes mais defensivos. Mas o que é defensivo em um cenário desses?


Essa é uma questão da qual eu me ocupei bastante nas últimas semanas, e compartilho minhas impressões neste vídeo.


Bom final de semana.


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por Ricardo Schweitzer
em 25/09/2020 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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