VALE - Desenrolar dos fatos segue como vento contrário

O inferno astral de Vale (VALE3) continua à medida que novas iniciativas do Judiciário e novas informações sobre a apuração das circunstâncias que culminaram no desastre de Brumadinho vêm à tona.

O inferno astral de Vale (VALE3) continua à medida que novas iniciativas do Judiciário e novas informações sobre a apuração das circunstâncias que culminaram no desastre de Brumadinho vêm à tona.


Na tarde de ontem, a companhia informou que a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (SEMAD MG) cancelou a Autorização Provisória para Operar da barragem de Laranjeiras, no contexto da já citada Ação Civil Pública movida por aquele Estado contra a companhia que deu fruto, dias atrás, à decisão liminar que determinou a interrupção das operações de diversas barragens.


A mesma SEMAD determinou, ainda, a interrupção das operações da mina de Jangada, por entender que a autorização desta era conexa à da mina Córrego do Feijão. Vale mencionar, contudo, que a Vale já havia paralisado as operações de Jangada.


O cancelamento da Autorização Provisória para Operar da barragem de Laranjeiras tem impacto direto na capacidade da companhia de operar a mina de Brucutu - que, conforme citamos no último dia 5, é a maior operação de minério de ferro da Vale em MG e a segunda maior desse tipo no país, com capacidade de produção anual estimada em 30 milhões de toneladas.


Se, na segunda-feira, a retomada da operação de Brucutu através da suspensão da decisão liminar que impedia o funcionamento de Laranjeiras parecia um evento que poderia acontecer em poucas semanas, agora, por meio desse ato administrativo, parece ter se tornado missão mais complexa e demorada, o que poderá significar que a companhia precise, de fato, recorrer à produção de outras unidades para compensar a perda de volume de Brucutu por um prazo mais longo.


Adicionalmente, informações obtidas pela imprensa e divulgadas ao longo do dia de ontem sugerem que pessoas do corpo técnico da Vale tinham conhecimento de inconsistências nas leituras dos equipamentos de monitoramento da Barragem I da mina Córrego do Feijão pelo menos 2 dias antes de seu rompimento. Chega-se a tal conclusão a partir da leitura de e-mails trocados entre pessoas da empresa e engenheiros da empresa de auditoria responsável pelo laudo da barragem.


O fato, independentemente de apurações posteriores, pode resultar em novos reveses nas esferas administrativas e judicial para a empresa e dificultar a regularização de suas operações em Minas Gerais.


O fluxo de notícias segue negativo e a visibilidade da tese de investimento de Vale é diminuída no curto prazo, o que pode se traduzir em pressão sobre as ações da companhia em bolsa.


Seguimos monitorando a situação e avaliando a relação risco-retorno de VALE3, que segue no rol de ações da série Valor Extremo.

Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Ricardo Schweitzer
em 07/02/2019 para Nord Insights

Possui 12 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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