Vale a pena pagar taxa para o Fundo?

É absolutamente inegável que os últimos quatro anos foram incríveis para a bolsa.

A eterna briga

É absolutamente inegável que os últimos quatro anos foram incríveis para a bolsa.


A última vez que vimos uma sequência de altas parecida com a atual foi há pouco menos de duas décadas, entre os anos de 2003 a 2007.


Fonte: Bloomberg


E, com base no resultado dos primeiros pregões do ano, parece que caminhamos para o quinto ano em 2020.


Enfim, seja como for, a impressão que fica é que nada pode nos parar e que somos invencíveis. Nem o presidente Trump causando instabilidade no Oriente Médio foi o suficiente para afetar a bolsa.


Diante de tanta euforia e tantos resultados positivos, o sentimento negativo mais presente nos dias de hoje é "não foi tão bom quanto poderia" ou "fiquei de fora dessa alta".


Parece que ganhar dinheiro virou a coisa mais fácil do mundo e 35 por cento num ano tem gosto de derrota.


E, assim como lá atrás, novamente vemos muitos gestores ficarem à sombra do Ibovespa por não capturarem toda alta.


Não se assuste, esse é o normal. Grande parte deles não captura toda a alta por investirem em ações fora do índice.


Nesses momentos, a ode a gestão passiva é grande e se proliferam os ataques a gestão ativa.


Comentários como “para que pagar 2 por cento de administração e 20 por cento de performance para o gestor não bater o Ibovespa?  Ou “Compre BOVA11 mesmo, é mais barato” apareceram no passado e dessa vez não é diferente.


Mas, meu caro, deixa eu lhe dizer uma coisa: isso é um olhar míope de quem só vê os tempos de bonança, desconsiderando que a estrada até o longo prazo é muito mais tortuosa do que parece.


No final das contas, quando leio essas coisas, percebo que as pessoas não aprenderam o segredo da gestão ativa.

O segredo da gestão ativa


Para simplificar a vida, digamos que ao invés de 18 mil fundos existissem somente dois:


Fundo A: captura 90 por cento da alta da bolsa e, quando ela despenca, limita as perdas a 50 por cento do valor da queda da bolsa.


Fundo B: captura 110 por cento do Ibovespa, seja na alta ou na queda.


Você precisa escolher um deles e não pode trocar por 20 anos. Quem você escolhe? A ou B?


Gaste 1 minuto pensando antes de continuar lendo.


Se eu fosse chutar, diria que você escolheria o fundo B  até porque gestor “bom” é aquele que bate o índice no bull market.


Enquanto isso, o gestor do fundo A receberá os belos apelidos de “vive de passado” ou “perdeu a mão”.


Duas décadas depois, eis o resultado do nosso pequeno experimento:


Fonte: Bloomberg e Nord



Inquestionavelmente, a gestora A venceu. Ela mais que dobra a performance do fundo dos outros dois.


Moral da história? Engana-se quem acha que o sucesso na performance de longo prazo de um gestor é simplesmente por bater o mercado em anos bons.


Isso é desejável, mas não é tão importante quanto saber limitar as perdas quando o mercado desaba.


Essa é a chave que separa os grandes ganhadores dos perdedores.


É aqui onde reside a maior parte da diferença.


E, para piorar tudo, há quem acredite que esse é um exemplo aleatório e digno somente do mundo das ideias...


Perde-se a batalha, ganha-se a guerra


Na realidade, tudo contado até aqui é real e exemplifica bem o comportamento de muitas das gestoras de sucesso do Brasil.


Vou pincelar uma delas: a Dynamo.


Eles possuem mais de três décadas de atuação e, entre crises e mercados de alta, eles tiveram uma performance incrível  basta ver a diferença no gráfico abaixo.


Fonte: Bloomberg



Apesar desse resultado inacreditável, quase 12x maior que a bolsa e já líquido de TODAS as taxas, há algo muito mais importante: o sucesso está na gestão das crises, não em ganhar do índice no bull market.


Tanto no período de 2003 a 2007, quanto nos últimos 4 anos  período em cinza na tabela  a performance acumulada deles foi menor do que a da bolsa.


Mas, quando a bolsa caiu, eles limitaram as perdas ou até mesmo conseguiram gerar algum retornos.


Isso é uma das marcas de um grande gestor. É o que constrói todo esse resultado de longo prazo.


Resultados assim, nenhuma gestão passiva consegue.

Saiba escolher seus gestores


Por mais maravilhosa que a gestão ativa seja e que tenha muita gente boa nesse mercado (e de fato há), fazer o que a Dynamo fez não é trivial.


Não é só difícil, como a verdade é que grande parte dos fundos brasileiros morre na praia antes mesmo de completar meia década.


No último levamento que fizemos, em agosto de 2019, notamos milhares de fundos que foram cancelados nos últimos 9 anos.

Fonte: ComDinheiro


E, meu caro, basta entrar em um deles para arruinar seu patrimônio.


Por isso, eu e o Renato gastamos muito tempo conhecendo as casas e as estudando. Em 2019, foram mais de 65 gestoras visitadas e centenas de interações com elas  sejam em almoços, cafés, calls, eventos etc.


Tudo isso para que, no final do dia, tenhamos um quadro de recomendações da mais altíssima qualidade.


E, pelo visto, todos esses esforços têm dado certo.


No ano passado, a seleção das gestoras de ações do Nord Fundos  superou o Ibovespa  fechou com um ganho de 39,40 por cento frente ao Ibovespa de 31,58 por cento.


Fonte: Economatica


Foi um 2019 muito positivo, com os fundos apresentando resultados que variaram de 31 a 65 por cento no ano.


Eu e o Renato comemoramos fortemente. Ele em Trancoso/BA acompanhado de muitos colegas da Faria Lima e eu na praia da Baleia, junto ao saudoso Nissim Ourfali.


Mas, mesmo assim, sem nos iludir. O resultado até aqui foi ótimo, mas acreditamos que essas gestoras mostrarão ainda mais o seu valor quando o mercado virar.


São raposas experientes e confiamos que, numa eventual queda, também farão a diferença.


Enquanto isso, vamos aproveitando a rentabilidade que o bull market está nos oferecendo.


Sem esquecer que a estrada na direção do sucesso nos investimentos em fundos de ações é longa e que precisamos continuar com os pés no chão.


Um belíssimo começo de ano a todos!


Abraços


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por Luiz Felippo
em 05/01/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira num projeto de renda fixa do Insper com o BTG Pactual. Posteriormente atuou na área de pesquisa econômica internacional do Itaú Asset Management e foi analista de Renda Fixa da Empiricus Research. Formou-se Economista no Insper.

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