Vai ser em V ou em W?

Segunda onda de Coronavírus volta a ser foco primário de atenção

Céu cinzento

Ao que tudo indica, quem busca adrenalina na Bolsa – o que é, por si só, uma péssima escolha – vai se frustrar nesta quinta-feira.


Passados a euforia e o frisson promovidos pela eleição americana, investidores olham em volta e constatam que o apetite por risco adicional ainda encontra pela frente um entrave relevante: a segunda onda da Covid-19, que impõe restrições crescentes ao Velho e ao Novo Continente.


Completam o quadro resultados corporativos mistos; uma constante lembrança de que uma recuperação econômica não guarda qualquer compromisso com a homogeneidade.


A madrugada foi predominantemente de quedas na Ásia. Bolsas europeias operam em baixa e, na mesma direção, apontam os futuros de Nova York.


V de vacina

Talvez precisemos de um alfabeto maior para elencar todas as possibilidades de formato para a recuperação econômica que – assim esperamos! – se desenha à frente.


Se, em um primeiro momento, o sentimento era de que as economias globais fariam um enorme V – afundariam brevemente, com vigorosa recuperação posterior –, o momento começa a colocar a trajetória em dúvida.


No meio do caminho tinha um vírus. E a necessidade de novas medidas de distanciamento social para conter seu avanço enquanto uma solução definitiva não se concretiza.


Se, por um lado, há convicção de que o momento atual será superado, por outro jazem dúvidas acerca do quando. E tempo é dinheiro: mercados tentam arbitrar o quanto o desempenho econômico de 2021 ainda será afetado pela Covid-19.


A solução definitiva parece ser em “V”, de “vacina”. Mas só se concretizará quando esta estiver amplamente disponível – o que, a julgar pelos desafios logísticos envolvidos, há de demorar mais do que todos gostaríamos.



V de Varejo

Pra não dizer que não falei de terras tupiniquins, por aqui conhecemos ontem o desempenho do varejo em setembro. O setor avançou 1,2 por cento na comparação mensal.


A leitura apressada nos levaria a comemorar o avanço. OK. A questão é o ritmo; a notória desaceleração.


Gráfico mostra a "recuperação em V" das vendas no varejo (em %), de set/2019 a set/2020. Vale ressaltar que, a partir de mai/2020 há uma queda que se acentua até set/2020.

Fonte: Valor


O mês de setembro é, aliás, especial: nele, temos a primeira leitura dos efeitos da redução do auxílio emergencial, de 600 para 300 reais mensais.


Não percamos de vista que os estímulos estão acabando. A grande incógnita é como nos veremos quando eles efetivamente findarem – principalmente se estivermos, de fato, às vésperas de um período de recrudescimento da pandemia também na terra brasilis.


O governo está atento e, aparentemente, consciente de que o quadro fiscal limita a margem de manobra para 2021. Com o ocaso do auxílio emergencial, articula-se em Brasília a criação de um programa de microcrédito.


Resta torcer para que o tal programa saia do papel em tempo hábil. Nosso histórico não é bom.


A caravana passa

A temporada de resultados do 3T20 caminha para o final – e, como sempre, um final muitíssimo atribulado para os analistas, à medida que um grande número de Empresas deixa para apresentar seus números aos 48 do segundo tempo.


Persiste o sentimento já compartilhado nesse espaço: este foi um período no qual iniciativas internas contaram (e muito) para o desempenho das Companhias. Além disso, o mercado, da mesma forma que premia, também pune – nem sempre justamente, pelo menos não no curto prazo.


Saúdo, em especial, a resiliência da maioria das Empresas cujas Ações integram o Nord Dividendos. Em alguns casos, a sensação é de que 2020 foi um ano normal. Temos, inclusive, anúncios de proventos relevantes nos últimos dias.


Um eterno lembrete de que, a despeito das idas e vindas da Bolsa, aqueles números no seu home broker têm contrapartida em negócios no mundo real, mais ou menos suscetíveis às flutuações da economia de verdade.


Compartilhar este artigo
por Ricardo Schweitzer
em 12/11/2020 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Receba nosso conteúdo GRATUITO!