Uma decepção atrás da outra

Pelo segundo mês consecutivo, vendas no varejo ficam aquém do esperado

O mercado deu de ombros na sessão de ontem para um importante indicador econômico: as vendas no varejo.


No mês passado, comentamos que o fraco desempenho do indicador em novembro, já originava algum receio quanto ao desempenho das vendas de grandes empresas listadas em bolsa, durante o quarto trimestre de 2019.


Naquela oportunidade, relatamos que a safra de resultados — iniciada apenas há algumas semanas — deveria confirmar, ou não, a euforia com o setor varejista na B3. Altas expressivas nas ações das principais varejistas foram verificadas desde novembro do ano passado.


Pois bem, divulgados os dados referentes ao mês de dezembro, só resta o gosto amargo na boca para alguns segmentos do varejo. A expectativa era de forte recuperação nas vendas para alguns ramos, dado que estamos em plena recuperação econômica. Ou não estamos?


Em dezembro de 2019, o volume de vendas do comércio varejista nacional variou -0,1 por cento, frente a novembro, interrompendo sete meses seguidos de crescimento. A expectativa do mercado era de alta de 0,2 por cento. No ano de 2019, o volume de vendas no varejo subiu módicos 1,8 por cento — difícil de acreditar em um ciclo consistente e pujante de recuperação econômica com um número desses.  


Não foram poucos os segmentos do varejo que mostram queda no volume de vendas durante o último mês do ano passado. Dos dez ramos pesquisados pelo IBGE, oito apresentaram variação negativa!


As quedas mais significativas, na passagem de novembro para dezembro de 2019, foram: Hipermercados (-1,2 por cento), Artigos farmacêuticos (-2,0 por cento) e Tecidos, Vestuário e Calçados (-1,0 por cento). Destaque positivo apenas para Móveis e Eletrodomésticos (+3,4 por cento) e Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (+11,6 por cento).


Números na mesa — que reforço, foram ignorados pelo mercado na sessão de ontem — nos obrigam a uma reflexão quanto à consistência desse tal consistente ciclo de retomada econômica, anunciado aos quatro cantos pelo governo.


Já fala-se em um crescimento de 2 por cento para este ano, sendo que há poucas semanas, após dados frustrantes em relação ao desempenho da indústria, as expectativas já haviam sido revisadas para baixo. Cadê o crescimento?


Reafirmo meu ponto, explicitado em outras oportunidades, que os preços dos ativos financeiros não condizem com a realidade que observamos nas ruas do Brasil.


Que falar mais sobre investimentos? Me adiciona lá no instagram: @crivelli.cesar.


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por Cesar Crivelli
em 13/02/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira na área de análise de uma corretora independente e posteriormente integrou a equipe de Equity Research do Citibank, tesouraria da GM no Brasil e trabalhou em uma startp-up em Boston por dois anos, onde era responsável por M&A e expansão em novos negócios.

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