Tudo no vermelho

Depois de uma queda dessa na VALE3, bicho 

Os noticiosos me informaram que o Ibovespa teve o seu pior dia em mais de um mês, na esteira das preocupações com o cenário externo e interno.



(“Na esteira”, adoro essa expressão.)


Nos Estados Unidos, o pior resultado desde 2009 para os dados de produção industrial, aliado aos dados de empregado abaixo do esperado, voltaram a alertar para o risco de recessão no país.


Bolsas de todo mundo caindo por volta de 2 por cento no dia.


Por aqui, o mercado se frustrou com a desidratação da Reforma da Previdência. Sem as mudanças propostas para o abono salarial, a economia na reforma foi reduzida em 133,2 bilhões de reais, gerando uma potência fiscal de 800,3 bilhões de reais.


Consequência: queda "forte" no Ibov, 2,90 por cento, fechando aos 101 mil pontos.


Ainda me lembro quando o mercado achava 800 bilhões do Carvalho.


Sério mesmo? Se frustraram por conta da desidratação do Senado?



Numa boa, com a Selic rodando na casa de 5 por cento ao ano, isso aí a gente recupera facinho na conta de serviço de juros.


Vale lembrar que a última versão da Reforma da Previdência do Temer renderia uma economia de 480 bilhões.


Segue o jogo.


Analisando a queda


Depois uma queda dessa, a primeira pergunta que alguém que olha a parte mais técnica do mercado se faz é: “mais caiu com volume?”


Se a bolsa cai sem volume, é porque teve pouca representatividade.


Seria o equivalente a você se preocupar com o valor do seu apartamento porque um vizinho do seu prédio torrou o apê dele do dia para noite.


Mas se a bolsa cai com volume, ou seja, teve bastante fluxo, então deve-se olhar com mais cuidado: “pode ter fundamento na queda”.


Se 5 vizinhos colocam seus respectivos apartamentos à venda, com 25 por cento de desconto do valor de mercado, você já pensa duas vezes.


Vamos aos números: em média, a bolsa negocia 14 bi de reais por dia.


O volume tem aumentado drasticamente nos últimos anos, como dá para ver nesse gráfico da economática.


Isso é ótimo para o mercado local.



Ontem o volume total transacionado foi de 17,139 bilhões de reais, pouco acima da média diária.  


Então teve volume!


Sim, teve.


Mas é algo para se procurar?


Penso que não.


As pessoas dão atenção demais ao "pisca pisca" do mercado.


Procuram fatos que possam justificar as altas e quedas.


Nosso trabalho por aqui é alertar para o big picture.


Volto a usar o gráfico que o Bruce compartilhou ontem neste mesmo espaço:


Fonte: Economática


O mercado é assim mesmo.


Errático. Esquizofrênico. Maníaco depressivo.


Não se preocupe. Como o Bredda disse o ontem no fintwit:


"Depois que todo o movimento de queda, ou depois que todo o movimento de alta se concretizar e acabar, ficará bem claro por que aconteceu e quais foram os motivos. O retrovisor é cristalino."



VALE A PENA VER DE NOVO


Entre os destaques da queda do dia ficaram as ações da VALE, que caíram mais de 5 por cento.


Eu cheguei a ler que um dos possíveis impactos teria sido uma fala do Bolsonaro de que a VALE teria abocanhado o país durante o período do FHC, por ter explorado ouro no Sul do Pará.


Fato curioso, mas com pouca base de matéria. A Vale sequer minera ouro.


Para não dizer que não vendem nada de ouro, vendem quantidades minúsculas, e também de prata, como subproduto das operações de cobre e níquel.


Sendo que, no caso do níquel, as minas sequer ficam no Brasil.


Me achou a atenção o fato de que, nos 45 reais, temos VALE3 praticamente no mesmo nível de preço do evento de Brumadinho, em 25 de janeiro deste ano.


Fonte: Yahoo Finance


Nas minhas andanças pela Faria Lima, visitando os principais gestores de fundos de ações, muitos deles encheram os carrinhos quando VALE3 bateu esse preço.


Ontem, no final do dia, a companhia soltou um fato relevante apresentando suas principais iniciativas para o futuro, atualização de projeções de custos, investimentos, fluxo de caixa e possível impacto sobre Brumadinho.


Fiquei especialmente empolgado com o range da geração de caixa para 2019: de 6,5 bilhões a 9,4 bilhões de dólares.


Isso dá algo entre 11% de 16% de Free Cash Flow Yield para 2019 (geração de fluxo de caixa da companhia / valor de mercado).


A VALE vai gerar, no pior dos cenários, mais de 2 vezes o CDI de ano em fluxo de caixa para os acionistas.


Isso sim é uma notícia importante que devemos considerar!


Mexe no valuation da companhia e na percepção do mercado.


Sendo assim, tratei de convidar o Ricardo Schweitzer, responsável pelas séries Nord Dividendos, Nord Small Caps e Nord Deep Value, que já foi analista setorial de siderurgia e mineração ao longo da sua carreira, a dizer o que pensa sobre VALE nesse nível.


A live terá início às 16h de hoje nosso canal do youtube. Não deixe de mandar suas perguntas.


Podem mandar respondendo este e-mail ou direto lá no chat da live.


Aproveite as promoções


Um abraço,

Renato Breia



Em observância ao Artigo 22 da Instrução CVM nº 598/2018, a Nord Research esclarece que oferece produtos contendo recomendações de investimento pautadas por diferentes estratégias e/ou elaborados por diferentes Analistas. Dessa forma, é possível que um mesmo valor mobiliário encontre recomendações distintas em diferentes produtos por nós oferecidos. As indicações do presente Relatório de Análise, portanto, devem ser sempre consideradas no contexto da estratégia que o norteia.


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por Renato Breia
em 03/10/2019 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Link Corretora, Galleas Asset, Rico Corretora e foi sócio da Empiricus Research. Formou-se economista pela PUC-SP, tem especialização em Gestão de Fortunas pela Columbia University e é Planejador Financeiro, CFP®.

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