Tome Cuidado com aquele seu fundo caro!

No dia a dia, nós sabemos o que é pagar caro ou barato.

Comparando sempre

No dia a dia, nós sabemos o que é pagar caro ou barato.


No nosso cérebro existe um algoritmo que avalia toda a experiência acumulada e traduz isso em uma conclusão objetiva do tipo: “vale ou não pena comprar”.


É assim que você sabe se aquele sorvete Magnum que você compra na praia a 20,00 reais é caro. Ao mesmo tempo, acharia barato ir até a loja da Apple e ter a grata surpresa de encontrar um IPhone 11 a 1.000 reais.


Agora, vamos a um exemplo prático. Imagine que o seu interesse é em comprar um celular novo.


Contudo, ao invés de escolher pela maçãzinha, decide testar a Samsung.


Chegando lá, você diz ao vendedor que quer um celular bonito, com uma boa câmera, memória para guardar as fotos etc..


Mas o primordial é a velocidade de processamento. Avaliando essas características, o funcionário lhe apresenta a série A da empresa.


        

PS: antes que apareça alguém, não ganho nada por esse jabá.


Porém, temos opções desde o A7 até o A51. Todos da mesma classe, mas cada um deles tem um preço e um processador diferente.


Novamente, ao olhar tudo aquilo, instintivamente seu cérebro vai começar a processar todas as informações e comparar os preços versus atributos de cada um deles.


Vai buscar aquele que tiver a melhor combinação entre GHz (gigaHertz) e o preço. Tudo isso para que você consiga o melhor custo-benefício..


Na indústria de fundos acontece o mesmo problema, mas a solução está longe de ser ótima.


O shopping dos fundos


Um investidor de fundos enfrenta os mesmo problemas, mesmo que não perceba.


Ao abrir os sites das corretoras e procurar um fundo multimercado, você encontra uma grande lista de opções.


Por fora, todos bem parecidos. Por dentro, assim como nos celulares, cada um deles têm uma potência diferente.


Nos celulares, mediamos a potência pelos Ghz. Em fundos, pela volatilidade.


De forma simples, ela representa o quanto de risco você liberou o gestor a correr.


Então, na largada, saiba o seguinte: o gestor não faz milagre.


Se o mandato é apertado e deixa ele correr pouco risco, não dá para esperar que ele esteja no topo do ranking de rendimentos. Ao mesmo tempo, por não estar muito exposto, raramente o fundo estará na lanterna também.


Ao mesmo tempo, quanto maior ela for a volatilidade, mais espaço o gestor tem para buscar grandes retornos. Analogamente, maiores são os riscos dele sofrer perdas mais severas.


É o famoso there is no free lunch (não existe lanche grátis) do Friedman, mas em nova roupagem.


Lembre-se sempre: mais retorno vem com mais risco.


Isso é o que você precisa ter em mente.


E, no mercado, você tem fundos com diversos níveis de volatilidade. Tem fundos de 5, 10, 15, 20 por cento etc. Se tiver estômago, até de 40 por cento você encontra com os nossos caros amigos lá da Versa.


Fonte: economatica

Fonte: economatica


O interessante é que, diferentemente dos celulares, todo mundo aqui cobra o mesmo preço: 2 por cento de taxa de administração com 20 por cento de custo sobre performance.


E, por incrível que pareça, para a maioria das pessoas escolher um deles nesse mar não é nada óbvio.

Pagando caro por retorno fraco


Imagine que você adorou uma gestora. Gostou da equipe, da estrutura da casa, da partnership da estrutura de incentivos etc..  


Você realmente estudou tudo e está pronto para investir naquela gestora. Olhando a grade de produtos, você tem a mesma estratégia em dois formatos de fundo: o mais nervoso (com 6 por cento de volatilidade) e um mais tranquilo com 2 por cento.


Em termos dos ativos, tudo é igual. A diferença é o tamanho da exposição, sendo três vezes maior no fundo mais volátil.


Partindo disso, como escolher?


Bom, assim como nos celulares, vamos ponderar a potência com os custos.


Vamo supor que o gestor tenha um sharpe bruto de 1  o que não é uma tarefa nada fácil, vide que grande parte dos grandes investidores como Peter Lynch e Buffett ficam abaixo ou próximo disso.


(PS: Para quem não sabe, o sharpe mede a perícia da gestão. É uma medida para padronizar o retorno do fundo a volatilidade. Quanto maior o número, melhor.


Isso quer dizer que, em um fundo de volatilidade de 2 por cento, o gestor lhe gerará um retorno de CDI + 2 por cento no ano. Se fosse 3 por cento, CDI + 3 no ano e assim por diante.


                                        Fonte: Nord Research


Agora, tudo isso é bruto. Desses potenciais “CDI+2 por cento” você precisa descontar os 2 por cento da administração que remuneram o gestor.


Ou seja, nesse caso, mesmo a equipe se esforçando muito e ter gerado um ultra sharpe, você entregou TUDO em taxa de administração e levou CDI para casa.


Enquanto isso, no outro fundo, o gestor teria obtido um retorno de CDI+6 por cento e teria lhe sobrado algo como CDI + 4 por cento.


Qual a lição aqui? Fundos de volatilidade baixa são caros. A taxa de administração pesa demais sobre os retornos do fundo.


Esse caso é similar com olhar na loja da Samsung todos os celulares e pegar o de menor processador.


Hoje, nada disso faz sentido e os juros baixos agravaram ainda mais a situação

A maré secou


Há 4 anos, o CDI era 14,25 por cento ao ano e remunerar algo a CDI +2 por cento era ter um retorno superior a 16 por cento.


Isso significa dobrar seu capital a cada 5 anos. Sendo assim, ninguém ligava muito para essa história de fundos de volatilidade baixa serem caros.


Eu provavelmente estaria aqui falando às moscas.


Mas hoje a realidade é outra. O CDI que um dia foi de dois dígitos, essa semana alcançou o patamar de 4,25 por cento.


Então, o mesmo fundo que há quatro anos levaria 5 anos, agora demoraria 12 anos para atingir o retorno de 100 por cento acumulado.


Ou seja, além de ficarem caros, eles ainda perderam o apelo da rentabilidade.


Pois é, a maré baixou e agora vemos quem está pelado.


Sendo assim, não existe nenhum motivo hoje para você ter um fundo de volatilidade baixa na carteira.


Vou repetir: N-E-N-H-U-M!


A partir de agora, você precisa mudar a maneira como aloca o seu dinheiro nos fundos. Ao invés de colocar X por cento em um fundo de baixa volatilidade, coloque X/2 em um fundo mais agressivo.


Foi isso que fizemos para os assinantes doNord Fundos, escolhendo os produtos mais arrojados dentro das casas que gostamos.


E, claro, NUNCA tome a decisão de escolher uma gestora somente por dados quantitativos.


Gestoras são feitas de pessoas e processos. Aqui está o grande diferencial que divide os bons fundos dos ruins.


Escolha uma boa gestora e dentro dela busque os produtos mais arrojados.


Abraços


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por Luiz Felippo
em 09/02/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira num projeto de renda fixa do Insper com o BTG Pactual. Posteriormente atuou na área de pesquisa econômica internacional do Itaú Asset Management e foi analista de Renda Fixa da Empiricus Research. Formou-se Economista no Insper.

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