Tome Apenas os Riscos Certos

Entenda as probabilidades, evite as perdas – saiba quais ações deixar de fora de sua carteira.

Você já ouviu falar naquele grande investidor, ganhador de dinheiro por décadas, famoso por aconselhar...

"Compre a ação que mais vai subir."

Ou: "O segredo é procurar pela ação que mais sobe."

Nunca ouviu, né?

Pois é. Ele não existe.

O investidor que toma riscos desproporcionais não sobrevive ao passar do tempo.

Saber colocar a probabilidade de sucesso a seu favor faz enorme diferença a longo prazo.

Saber tomar riscos é essencial para o sucesso.


"A ação mais quente do setor mais quente"

Essa é aquela ação que é tema da conversa no taxi (uber, para os mais modernos), do elevador e do churrasco de fim de semana.

Muitos acabam investindo nessa empresa por medo de ficar de fora, sentimento conhecido pomposamente como FOMO (Fear Of Missing Out).

Esta ação pode subir bem rápido, atingindo preços estratosféricos, muito acima de qualquer estimativa de valor. Mas, quando nada além de esperança suporta tal alta, a ação pode afundar como uma pedra.

Se exageradas expectativas superam em demasia a realidade atual de uma empresa, quando ela deixa de ser a queridinha do mercado (não se iluda, não existe amor eterno no mercado financeiro), seus acionistas estarão em maus bocados.

Se você não for muito astuto para vender esta ação, seus lucros podem, rapidamente, se tornarem prejuízos. Quando seu preço cair, não vai ser devagar, e seu ponto de entrada provavelmente será rapidamente deixado pra trás.

Investir nesta empresa é como acelerar fundo uma Hayabusa numa Autobahn, sem freio.

(A Suzuki Hayabusa é capaz de superar os 320 km/h e uma Autobahn – estrada federal alemã, não tem limite de velocidade.)

Vale a pena tamanho risco para tentar chegar mais rápido ao seu destino?


"A próxima MGLU3"

Para quem não pôde acompanhar ao vivo, na última quinta fizemos uma live no YouTube com o Henrique Bredda, da Alaska Asset Management. Disponível aqui:

Muita gente nos enviou a pergunta: Qual será a próxima Magazine Luiza (MGLU3)?

Segundo Peter Lynch, quando as pessoas começam a marcar alguma empresa como a “próxima XXX”, é provável que isso signifique o fim da prosperidade, tanto para a imitadora, quanto para a empresa original.

Não é porque uma empresa consegue replicar ou até aprimorar um produto, serviço ou tecnologia que a história de sucesso e valorização da empresa comparada vai se repetir.

Ninguém consegue prever o futuro, mas olhar para o passado e esperar que ele se repita da mesma maneira, definitivamente não é uma boa estratégia.

Se assim fosse, novas crises nunca surgiriam. Mas todos sabemos que elas sempre chegam. E chegam de uma forma completamente distinta do ocorrido no passado.

Se grandes crises fossem previsíveis, elas não existiriam.

Se as grandes valorizações da bolsa fossem apenas uma repetição da história, bastaria um bom retrovisor para ser um investidor de sucesso.

Os historiadores seriam os melhores investidores do mundo.


Cuidado com a diversificação

Quando uma empresa lucrativa tenta diversificar seus negócios, devemos ter cuidado.

Quando as empresas deixam de recomprar suas ações – ou pagar dividendos, para adquirir negócios muito caros ou muito fora do seu escopo de atuação –, fique atento.

É perigosíssimo quando as empresas geram caixa demais e tentam investir em novos negócios. Normalmente, essa diversificação resulta em profunda reestruturação, alguns anos depois.

As varejistas, antes da crise, diversificaram produtos e se deram mal; as incorporadoras diversificaram geografias e se deram mal; Tegma (TGMA3) comprou uma empresa de logística e se deu mal, ...

Dinheiro demais na mão dos gestores das companhias acaba sendo um risco enorme.

Investir em uma empresa durante sua reestruturação pode render bons frutos, investir em uma empresa faminta por novos negócios, tende a ser um grande risco.

Nem toda aquisição de um novo negócio é ruim – a melhor coisa que o Buffett fez com a Berkshire Hathaway foi sair do ramo têxtil. E o know-how em alocação de capital é o que o torna o maior investidor de todos os tempos.

Aquisições sinérgicas (de negócios parecidos, mesmo setor, mesma cadeia, ...), por outro lado, tendem a ter uma taxa de sucesso muito maior – os gestores estão diversificando em um negócio que conhecem melhor.

O desafio é entender se a empresa está fazendo as aquisições certas e então administrando bem os novos negócios.

É preciso tomar bastante cuidado com estratégias de diversificação.


A "dica" secreta

Você já recebeu uma dica em que a pessoa até abaixou o tom de voz para sussurrar no seu ouvido o quão fascinante e incrível aquele investimento era?

Muito provavelmente, escutou um nome bem excitante na sequência.

Geralmente, a empresa do sussurro vai resolver algum grande problema, com uma solução extremamente criativa ou impressionantemente complicada.

Eu recebo dicas de investimento 10x ao dia. Normalmente, as pessoas não conseguem me explicar o racional da oportunidade.

Essa recomendação chega a ter um efeito quase hipnótico e sua história tem um grande apelo emocional.

Ela pode até subir antes de cair, mas as chances de uma perda permanente de capital aqui são enormes.

Muitas vezes, esta empresa ainda nem dá lucro, mas tem um produto diferenciado, uma tecnologia secreta, muita esperança e algum bocado de dinheiro que a empresa já conseguiu captar no mercado.

A principal sugestão nestes casos é: espere. Espere que os resultados comecem a aparecer.

Você ainda pode fazer uma boa grana com empresas que já se provaram. Se tudo ainda parece muito duvidoso, não seja o primeiro a mergulhar de cabeça em águas turvas.


Um contrato, um cliente, um (enorme) risco

Uma empresa que vende 25 a 50 por cento de sua produção para um único cliente cliente está em uma situação precária. Em casos extremos, empresas chegam a depender exclusivamente de um cliente ou contrato.

Os casos recentes de quedas acima de 60 por cento nas ações de WIZ (WIZS3) e Smiles (SMLS3), são bons exemplos.

WIZS3 (branco) e SMLS3 (verde). Fonte: Bloomberg.

Ambas as empresas bastante lucrativas, mas com grande dependência de contratos com a Caixa Econômica Federal e a Gol (GOLL4), respectivamente, mostram o que pode acontecer com este tipo de ação quando a renovação destes contratos é ameaçada.

Quando uma empresa tem poucos clientes (ou poucos fornecedores), ela tem pouco poder de barganha na negociação de preços e em concessões. Raramente um investimento neste tipo de empresa terá um retorno potencial que compensa tal risco.


Aprenda a correr riscos

Investir é uma atividade probabilística. Seu investimento só irá se provar acertado ou equivocado com o passar do tempo.

Como nenhum analista ou investidor consegue prever o futuro,  infelizmente, você precisa aprender a conviver com o risco.

Quando as probabilidades estão a nosso favor, erramos menos. Mas o erro faz parte do processo.

Nenhum grande investidor de sucesso conquistou sua performance apenas com acertos. Você precisa, simplesmente, saber lidar com seus erros.

O segredo é tentar acertar mais do que errar. Ganhar mais nos acertos do que perder nos erros é o caminho para o sucesso.

No Investidor de Valor tomamos muitos riscos. Mas são riscos absolutamente controlados – sempre colocamos as probabilidades a nosso favor.

E, selecionar apenas boas empresas, a bons preços, que apresentam resultados sólidos é a melhor maneira de mitigar riscos.

O mercado é cheio de armadilhas, apenas os bons resultados nos protegem dos erros, da perda permanente de capital.

Conte comigo e com o Bruce para te ajudar a não cair nestas armadilhas – o patrimônio de sua família agradece.


Abraço,

Rafael Ragazi.



Em observância ao Artigo 22 da Instrução CVM nº 598/2018, a Nord Research esclarece que oferece produtos contendo recomendações de investimento pautadas por diferentes estratégias e/ou elaborados por diferentes Analistas. Dessa forma, é possível que um mesmo valor mobiliário encontre recomendações distintas em diferentes produtos por nós oferecidos. As indicações do presente Relatório de Análise, portanto, devem ser sempre consideradas no contexto da estratégia que o norteia.


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por Rafael Ragazi
em 28/10/2019 para Nord Insights

Iniciou sua carreira como Analista na Investor Consulting Partners (assessoria especializada em M&A e finanças corporativas).Posteriormente, foi Gerente de Novos Negócios na Wise Up|Somos Educação (enquanto investida da Tarpon Investimentos) e Sócio responsável pela área comercial e membro do comitê de investimentos da Luminus Capital Management.

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