Telecom: Sai de cima, Leviatã

Cool é ver o dinheiro entrar.

Uma das grandes questões em torno de serviços de utilidade pública é que, mesmo concedidos à iniciativa privada, é justo e necessário um arcabouço regulatório que harmonize os interesses de todos os envolvidos - consumidores e empresas. O livre-mercado não se aplica, porquanto existem os chamados monopólios de rede: seria extremamente ineficiente, do ponto de vista econômico, se você contasse com redes de encanamento de quatro concessionárias de água passando na frente da sua casa. O caminho precisa ser outro.

Entretanto, enraizado como é na mentalidade brasileira a “criação” de novos “direitos” (que, inevitavelmente, constituem “obrigação” a alguém para fazê-los realidade), frequentemente diferentes entes criam novas e novas cruzes a serem carregadas pelas concessionárias de serviços públicos, sem qualquer contrapartida a essas empresas.

O setor de Telecom tem sido, ao longo dos últimos anos, bastante bem-sucedido na contenção desses excessos, tendo derrubado no STF, nos últimos dois anos, dez Leis Estaduais que impunham às operadoras obrigações imprevistas nos termos das concessões, e jamais impostas pelo verdadeiro responsável pela regulação do setor - a Anatel.

Têm, assim, conseguido fazer a Suprema Corte reafirmar que a competência para legislar sobre os serviços do setor é exclusiva da União.

Uma das razões pelas quais é tão tentador impor às Teles mais e mais obrigações para prestação de seus serviços é simples: trata-se de um negócio que gera muito, muito caixa. E que, a despeito dos planos de expansão e melhoria de serviços (que, não raro, esbarram em mais e mais regulações para saírem do papel…), o fluxo de caixa livre ainda é bem bacana - traduzindo, mesmo após os investimentos, ainda sobra dinheiro pra caramba.

Não por acaso, Telecom tem lugar cativo na carteira do Nord Dividendos, demonstrando que dá para ganhar dinheiro mesmo em setores extremamente maduros, com oportunidades muito limitadas de crescimento orgânico.

Todo mundo adora investir no que é cool, no que tem perspectivas meteóricas de crescimento… mas acredite: dá para ganhar dinheiro - bastante, aliás - em setores, digamos assim, chatos.

Cool é ver o dinheiro entrar.

Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Ricardo Schweitzer
em 02/04/2019 para Nord Insights

Possui 12 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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