Suzano peitou os chineses e perdeu. É compra?

Suzano (SUZB3) vem caindo forte nos últimos meses. Após a euforia com a compra da Fibria, a queda nos preços da celulose e uma briga com a China derrubaram as ações:

SUZB3. Fonte: Bloomberg.

A história é interessantíssima. Suzano, cheia de si, após a compra da Fibria, peitou os chineses, em uma brava tentativa de se impor no mercado de celulose global.

Foi uma atitude honrosa, corajosa, valente, audaz! Mas… infelizmente... os chineses ganharam.

Resultado: as competidoras venderam mais e Suzano ficou com o dobro de estoques do que gostaria, em um momento de queda de preços da celulose.

Com isso, Suzano teve um 1T19 simplesmente desastroso que, também, prejudicou o 2T19.

No 2T19, receita líquida -16 por cento, Ebitda -24 por cento e lucro de 700 milhões de reais, revertendo prejuízo de 2bi no 2T18.

Os problemas da Suzano são 3: preço da celulose, estoques e dívida elevada.

Os 3 são inter-relacionados - os 2 primeiros causam o terceiro, e significam que Suzano não pode produzir a plena capacidade.

Se produzir tudo que pode, paga a dívida. Mas, também, derruba o, já combalido, preço da celulose e não se livra de seus estoques.

Suzano está no que chamamos de uma "sinuca de bico". E, para concluir o inferno astral de Suzano, o dólar pode cair (contra o real) e reduzir, ainda mais, seus resultados.

E, no Valor de hoje, Suzano anuncia que o Ebitda deverá continuar sob pressão no segundo semestre e a dívida subindo - Suzano possui dívida líquida/Ebitda de elevados 3,5x.

Suzano deverá produzir no piso de seu guidance, 9 milhões de ton, e torcer para que Trump desista de brigar com a China e o preço da celulose volte a subir.

No ANTI-trader, adoramos ações que caem pela metade. Mas, Suzano, além de depender de commodities, ainda se meteu em uma briga que não pode ganhar.

Continuamos de fora de Suzano, por enquanto.

Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Bruce Barbosa
em 12/08/2019 para Nord Insights

Possui 16 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pelo BNP Paribas, HSBC e Empiricus Research. Formado em Engenharia de Produção pela USP e possui um MBA pela New York University.

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