Sushi com morango

May(be) it's time to sell!

Meus caros, sejam muito bem-vindos ao mês de maio! Não consigo imaginar como cada um de vocês deveria estar "ansioso" pela chegada deste mês.


A bolsa ganhou 400 mil novos CPFs e imagino que muitos de vocês (talvez) estejam me achando um pouco louco por saudar maio.


Tradicionalmente, nesta época do ano a bolsa foi penalizada com perdas.


Só a título de curiosidade: nos últimos 10 anos, em somente um deles o mês foi ligeiramente positivo — uma alta tímida de 0,7 por cento em 2019. Esticando o horizonte para 20 anos, em 14 vezes ficamos no negativo.


Em 2020, apesar do corona estar quebrando aquela tradicional reunião de família no Dia das Mães, o ritmo de quedas parece preservado — com os primeiros dias de maio no vermelho.



Isso me faz relembrar um pouco daquele famoso ditado popular americano: “Sell in may and Go Away” (venda em maio e vá embora).


A ideia é de que não só maio seria um mês ruim para bolsa, mas que a janela até outubro seria também de baixos retornos ou severas perdas — exatamente como mostra o gráfico abaixo.



Fonte: Economatica e Nord Research

Fonte: Economatica e Nord Research


Logo, a melhor coisa a se fazer seria investir em juros nesse período e só voltar as ações em novembro, permanecendo até abril


E, por incrível que pareça, isso funciona. Ao fazer o back test no S&P, você de fato teria obtido melhores retornos.


Fonte: Economatica e Nord Research

Fonte: Economatica e Nord Research


As razões são múltiplas para tal folclore. Mas, para além dele, imagino que pairem duas dúvidas na sua cabeça: isso funcionaria no Brasil? Valeria a pena fazer?


Vamos começar pela primeira.


A moda brazuca


Em nossas terras tupiniquins, sempre temos o costume de “abrasileirar" os costumes estrangeiros.


Veja, por exemplo, a maneira como são os nossos restaurantes de comida japonesa. Quase um ultraje à cultura nipônica.


Imagem retirada do YouTube, do vídeo "Japonês do Japão prova Rodízio Japonês do Brasil"


Definitivamente, os japoneses não apreciam o sushi com morango e o temaki com cream cheese.


Mas enfim, voltando ao nosso exercício teórico…


Para testar a eficácia do tal modelo americano de poupar, farei a mesmo. Para que não reste dúvidas, eis as regras desse jogo:


  1. O investidor investe 100 reais no Ibovespa em janeiro de 2000.
  2. No último dia do mês de abril, ele vende toda sua posição em bolsa.
  3. No primeiro dia útil de maio, todo o dinheiro vai para o conforto do CDI e só volta para as ações no primeiro dia de novembro.
  4. Fizemos modelos com e sem imposto, assim fica um pouco mais realístico. Nas ações, quando houve lucros, retiramos 15 por cento, enquanto no CDI foi extraído 20 por cento de imposto.

Simples e fácil. Vamos aos nossos resultados!


Fonte: Economatica e Nord Research

Fonte: Economatica e Nord Research


Parece funcionar, não é mesmo?


Importando a estratégia folclórica americana foi possível multiplicar o capital inicial por 15x nos 20 anos. A segunda versão, dado os 37 pagamentos de impostos ao longo do caminho, foi mais modesta, multiplicando seu dinheiro por “só” 9x.



Enquanto isso, no nosso pobre buy and hold, foram só 4x.


Aqui fica a dúvida: teríamos, então, encontrado o segredo do mercado?


Acalme-se meu amigo, nem todo cascalho é ouro.

Nem todo cascalho é ouro


No século XVII, em meio à febre do ouro em Minas Gerais, algo primordial aos exploradores da época era diferenciar o cascalho do ouro.


O segundo o deixaria rico e transformaria a sua vida para sempre. O primeiro o deixaria pobre. Cascalho brilha um pouco, mas nada muito além disso.


Em investimentos, vale a mesma ideia. Então me diga sinceramente: você apostaria seu patrimônio em uma estratégia como a anterior para os próximos 20 anos?



Eu não o faria por alguns motivos. Mas os dois principais são:


  1. Retrovisor enganoso: se olhar a nossa história, o nosso CDI cresceu, em média, 12 por cento ao ano, enquanto a bolsa rendeu 8. Então, de modo geral, a contribuição dos juros para o resultado total é muito grande — o que não deve se repetir daqui em diante.
  2. Desconfie dos Padrões: olhando o nosso passado, diversas das grandes crises vieram no segundo semestre, como: Crise da Argentina e as Torres gêmeas (2001), Crise da eleição do Lula (2002), Crise do Subprime (2008), Crise da dívida europeia (2011/12), Intensificação da crise Dilma com a saída de Levy (2015) etc.

Esses são só alguns exemplos. Mas, se retrocedermos mais, temos um pacote cheio de outras crises nos anos 1990 e com o mesmo padrão — na crise da Rússia, em agosto de 1998, a bolsa derreteu 40 por cento.


E, enquanto esses cataclismas do mercado aconteciam, você estava muito bem no conforto do seu CDI rendendo rios de dinheiro.


Agora isso pode não se repetir à frente. Aliás, os juros também não serão mais aquela maravilha de dois dígitos que eram 20 anos atrás.


Hoje, com o CDI de 3 por cento, o caixa queima na sua mão. É quase como se pagasse um prêmio de uma opção para ter dinheiro em mãos  basta ver que a diferença entre as duas estratégias no caso americano é muito menor


Além disso, você apostaria que todas as crises dos próximos 20 anos acontecerão sempre no segundo semestre? Ou apostaria na sua capacidade de antevê-las?


O ano de 2020 quebrou esse padrão com o coronavírus acontecendo em março. Deveríamos, então, mudar o comportamento daqui em diante?


Pessoalmente eu sou fã da análise de dados, porém muitas vezes ela pode só lhe enganar.


O poder do market timing é muito sedutor, apesar de ser um tanto quanto falho. Em investimentos, ganhar em ações é muito mais fácil do que isso.


The easy way (O jeito fácil)


As pessoas sempre querem achar um atalho para enriquecer. Estão exaustivamente atrás de táticas, métodos ou estratégias infalivéis que as façam ganhar dinheiro rápido.


É sedutor, eu entendo. Quem nunca sonhou com acordar um dia sendo o mais novo vencedor da Mega Sena?


Todos aqueles milhões na sua conta, quase como um milagre. Explicando, só por curiosidade: a chance de você acertar os 6 números  é  ou 1 em 50.063.860 (sim, cinquenta milhões).


Ser vencedor em bolsa é muito mais fácil, mas requer tempo e paciência  no que a maioria das pessoas não está disposta a ceder.


Se quiser investir em ações diretamente, o que você precisa é ter uma boa carteira, com empresas boas e baratas.


Essas são as verdadeiras pepitas de ouro e eu não conheço ninguém melhor do que o Bruce para lhe mostrar o caminho até elas. Inclusive, na série OInvestidor de Valorexistem várias.


Alternativamente, se for mais fã de empresas boas e amplamente pagadoras de dividendos, o Ricardo pode lhe ajudar nessa tarefa por meio do Nord Dividendos.


Ou ainda, para quem prefere atribuir a um gestor essa tarefa de seleção de ativos, eu e o Renato temos uma belíssima lista de fundos de investimento no Nord Fundos.


Não dá para reclamar. Tem para todos os gostos.


A única coisa que não dá é querer enriquecer rápido.


Um abraço e um feliz Dia das Mães!


Luiz


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por Luiz Felippo
em 10/05/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira num projeto de renda fixa do Insper com o BTG Pactual. Posteriormente atuou na área de pesquisa econômica internacional do Itaú Asset Management e foi analista de Renda Fixa da Empiricus Research. Formou-se Economista no Insper.

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