Sol quadrado

Condicionados

Futuros gringo e brazuca começam o dia em alta, enquanto mercados europeus se mantêm próximo ao zero-a-zero, com novos sinais de pacificação na trade war travada entre China e EUA.

Já estamos, contudo, condicionados ao fato de tudo poder mudar de novo: bastam 140 caracteres e um POTUS viperino.

Há quem ainda atribua o bom início de dia, por aqui, ao fato de Lula finalmente estar preso – R.I.P. “Lula preso amanhã”. Para mim, isso já virou distração há muito tempo.

 

Sol quadrado

Pronto: Lula está preso e o sol continua nascendo – para ele, quadrado; para todos nós, igualzinho a antes. Podemos mudar de assunto?

Incomoda-me a falta de atenção dada a outubro, como já afirmei neste espaço.

Pra não dizer que ninguém está com os olhos lá, faça-se justiça que Temer e equipe já acordaram, e da pior maneira possível: deparamo-nos com os primeiros sinais de que a austeridade no front fiscal está sendo deixada de lado em favor de objetivos eleitoreiros.

 

Fazendo o diabo

Lembro-me bem, nos tempos de faculdade, das discussões em torno de ciclos político-econômicos: dada a estrutura de incentivos oferecida pelas instituições (ou falta de), governos tendem a ser mais irresponsáveis na gestão da coisa pública à medida que se aproxima o próximo certama. É o famoso fazer o diabo para ganhar as eleições.

De um lado, vão sendo deixados ao léu projetos que melhorariam a arrecadação – por exemplo, a reoneração da folha de pagamento e a tributação de fundos de investimento exclusivos; do outro, reajustes a servidores. Brincando, brincando, contas de 2018 podem piorar em algo da ordem de 50 bilhões de reais.

Boa sorte à equipe econômica para equilibrar esses pratos.

 

A guerra do frango não tem fim

É interminável a agonia de BRF (BRFS3) que, não bastassem todos os infortúnios dos quais foi vitimada nos últimos anos – com ênfase ao último -, vê ocorrer no seio de seu conselho de administração uma batalha sem fim.

De um lado, Abilio Diniz (cujo histórico de conflitos com sócios fala por si…) tentando, a todo custo, manter sua influência sobre a empresa a despeito dos resultados desastrosos colhidos. Do outro, fundos de pensão tentando virar a página.

Enquanto os sócios brigam, a empresa sangra. É simplesmente assustador.

BRF é um case que me instiga: se, por um lado, foi imensa a destruição de valor promovida nos últimos anos, por outro a possibilidade de, enfim, ter início uma recuperação me anima.

Mas primeiro os sócios têm que se entender e colocar os objetivos da empresa acima dos interesses pessoais. Sem isso, não tem jogo.

 



Ricardo Schweitzer, CNPI

Em observância à ICVM 483, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Ricardo Schweitzer
em 09/04/2018 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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