Sócios dos infernos

 


O mercado tem a capacidade de extrair o nosso melhor e também o nosso pior.

O mercado deixa nossas melhores qualidades e piores defeitos evidentes, explícitos, cristalinos.

E, claro, a mesma coisa acontece com nossos sócios - os maravilhosos controladores das empresas que investimos (S2).

Warren Buffett coloca este ponto muito bem (troque o “contrata” por “investe com”:

Você deve procurar por 3 coisas nas pessoas que contrata: inteligência, energia e integridade. Se a pessoa não tem a última qualidade, é melhor para você que não tenha as outras duas...

Um sócio dos infernos, parte 1

Você já trabalhou para alguém que tenta ser esperto demais? No mercado financeiro, você não está imune a este tipo de indivíduo. Muito pelo contrário.

Multiplus (MPLU3) anunciou que teria seu contrato operacional cancelado com a TAM e as ações serão recompradas, em uma OPA, pela controladora. O contrato tinha vigência até 2025.

Não posso dizer que foi uma surpresa, mas foi uma surpresa.

As ações de Multiplus vinham sofrendo no mercado não só com o dólar alto e o medo das eleições, mas também com problemas operacionais na companhia.

MPLU vinha apresentando resultados fracos e as ações despencam -31 por cento em 2018 e negociam a 9x lucros, com dividend yield de enormes 11x.

Claro que até a semana passada o discurso era de que a TAM amava o mercado e o contrato com a Multiplus era inquebrável. Já vimos o mesmo problema com WIZ (WIZS3) e muitas outras...

Como eu adoro ver as promessas de amor eterno quebradas sem nenhum pudor ou constrangimento.

Sem o contrato, Multiplus não vale nada. Toda o valor gerado pelas empresas de fidelidade vem do relacionamento com as aéreas.

A TAM fará oferta para comprar MPLU pelo preço médio de fechamento dos últimos 90 pregões, ou 27,22 reais por ação, +12 por cento acima do fechamento de ontem.

A TAM explica o oportunismo pelos “desafios” enfrentados pela Multiplus e “limitações” de tocar as empresas separadas. Mas a TAM está mesmo é comprando barato e prejudicando o minoritário.

Esta é mais um sinal de que você deve tomar muito cuidado com seu rico dinheirinho. Não existe ninguém bonzinho no mercado financeiro.

As correlações com Smiles (SMLE3) são claras. O único problema para os controladores, a Gol (GOLL4), é a falta de dinheiro para fechar o capital da empresa de fidelidade.

No Investidor de Valor somos sinceros até demais. Tomamos imenso cuidado em quem escolhemos para serem nossos sócios e os riscos contratuais (e outros) que possam existir. Na bolsa, muito melhor ser desconfiado que ser enganado.


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Um sócio dos infernos, parte 2

Para não perder a piada, outro sócio que nenhum acionista gostaria de ter é o Casino – controlador de Pão de Açúcar (PCAR4) e Via Varejo (VVAR11).

A controladora francesa está em uma espiral de ações em queda e piora de seu rating de crédito – as ações caem 46 por cento na Europa.

Os problemas aumentam a pressão para que os franceses vendam ativos rapidamente para pagar dívidas.

VVAR está a venda há tempos, sem compradores e PCAR vem surfando uma onda de otimismo por ser uma empresa “resiliente” – mas já vimos na última crise que supermercados não são nem um pouco resilientes como as planilhas do sellside nos dizem.

Sim, o ponto acima só foi aprendido por este que vos fala após perder dinheiro com PCAR. Vivendo e aprendendo.

Para sua saúde mental, e a de seu rico dinheirinho, continuamos recomendando distância de PCAR, VVAR (e Casino).

 


Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.
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por Bruce Barbosa
em 05/09/2018 para Nord Insights

Possui 16 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pelo BNP Paribas, HSBC e Empiricus Research. Formado em Engenharia de Produção pela USP e possui um MBA pela New York University.

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