Sobre tênis e o dia que eu ultrapassei a Dynamo


Um pouco de tênis

Assim como a maioria dos homens da minha idade, quando criança eu passava algumas horas jogando futebol.


Ainda assim, essa, definitivamente, não era exatamente a minha vocação. Eu não levava o menor jeito para aquilo.


Algum tempo depois, por volta dos 8 ou 9 anos de idade, encontrei o Tênis. Para um olhar desatento como o meu na época, parecia simplesmente bater um bolinha por cima de uma rede.


Entretanto, era muito mais do que isso. Havia uma tonelada de estratégias, disciplina, esforço e controle psicológico envolvidos em cada jogo.


Foi nesse jogo onde eu me encontrei. Eu faria de tudo para dominar as técnicas que estavam à disposição para me tornar bom naquilo.


Sendo assim, eu passava longas horas jogando todos os dias. Chegava mais cedo aos treinos para ver a turma anterior jogar, formada por gente mais experiente do que eu.

Ao chegar em casa, a minha diversão era assistir aos tenistas, como Federer e Nadal jogarem. Djokovic, hoje número 1 do mundo, começava a se consagrar em meio a esses talentos.


Era impressionante como eles jogavam. Nem consigo imaginar quantas milhares de horas foram gastas para ter firmeza em cada uma daquelas jogadas.


Com um certo dom e muito treino, não à toa, chegaram onde estavam. Ainda assim, certo dia ao voltar para casa, eu estava assistindo a um jogo e vi um desses gigantes perder para outro jogador menos conhecido.


Não fazia sentido na minha cabeça. Como um cara profissional, classificado entre os três melhores do mundo, poderia ter essa perda no currículo?


Pois é, apesar de achar um absurdo na época, aos poucos entendi que aquilo não era importante.


Mesmo com um taxa de vitória de 60 por cento ou 70 por cento, eles conquistaram mais troféus em torneios de Grand Slam do que qualquer outro jogador.


É essa visão que, em investimentos, vejo que muita gente ainda não entendeu.

Um pouco de investimentos


2020 é um ano que entrará para a história como um dos mais estranhos. Estamos em quarentena há quatro meses, algo que ninguém nunca pensaria que fosse possível acontecer.


Vivenciamos a mais rápida crise da história do mercado brasileiro, bem como a mais veloz recuperação em três meses.






É impressionante como a bola subiu rápido. 95 por cento das ações subiram, com quase metade delas subindo mais de 50 por cento, desde as mínimas no dia 23 de março.


Não à toa, estão aparecendo diversos investidores com retornos espetaculares no ano. Chuto dizer que muitos deles com resultados superiores a gestores renomados como a Dynamo.


E, em meio a tudo isso, o que mais escuto é: por que pagar um gestor se eu ganho dele?


Vamos com calma, pequeno gafanhoto. Essa é só a primeira rodada de muitas que ainda virão.


Em investimentos, o nome do jogo segue sendo consistência.

Consistência é o nome do jogo


Voltando ao nosso exemplo do tênis. Por mais que eu tenha jogado por alguns bons anos com certo sucesso, quando mais novo, eu costumava sonhar que um dia jogaria contra alguns desses gigantes das quadras. Esse era meu sonho de criança, ficar frente a frente com eles.


Eu sabia que tomaria uma surra, sem a menor sombra de dúvidas. Talvez eu até conseguisse vencer um game ou outro, o que me daria confiança, mas certamente perderia qualquer set.


Isso porque, no fim do dia, tênis era um hobby pra mim. Por mais que eu tenha jogado por muitos anos, isso nunca foi a minha prioridade diária. Eu gostava de brincar com meus amigos, andar de bicicleta, jogar videogame.


Precisava estudar também, o que meus pais sempre fizeram questão de me lembrar.


Enquanto isso, tenistas como o Federer fizeram do esporte a sua profissão desde cedo. Ao longo de suas carreiras, gastaram milhares de horas treinando cada movimento. A cada vitória ou derrota em um Grand Slam, tiraram ensinamentos e experiências importantes.


É muito esforço, estudo e experiência colocados juntos que fazem deles esses espetaculares jogadores. Isso é o que criou a consistência deles, diferenciando da minha sorte em vencer algum ponto.


Em investimentos, vale a mesma ideia. Em 2020, curiosamente, os retornos da minha carteira de ações foram superiores aos da Dynamo — lendário fundo de ações que entrega retornos muito consistentes desde os anos 1990.


Ao mesmo tempo, isso não me faz um investidor melhor do que eles. Na verdade, se eu  tivesse a oportunidade, deixaria com eles (o fundo está fechado para novos cotistas).


Eles fazem um trabalho minucioso na escolha das ações, estudando e acompanhando as empresas de uma maneira que eu jamais conseguiria  dado que tenho mais obrigações com a Nord e menos tempo disponível.


No longo prazo, essa combinação formada por processos bem definidos, ótimos profissionais e experiência se materializam em um resultado fantástico  muitos deles na casa dos 20 por cento ao ano, o que é fabuloso.


        


Algo que, na atual situação, eu nunca conseguiria atingir.

Deixe para os profissionais


Tenha em mente que não há modelo certo ou errado. Existe a possibilidade de você investir em fundos e ações diretamente, com cada um compondo a sua carteira.


A divisão do meu dinheiro, que faço entre essas duas modalidades, é diretamente proporcional ao tempo que eu gasto estudando cada um deles.


Em ações, sigo o que os meus sócios Bruce e Ricardo fazem. Acredito bastante no trabalho de análise que eles fazem, com resultados importantes em ambos os casos.


Entretanto, não consigo acompanhar as empresas no detalhe que eu gostaria. Sendo assim, por mais que eu ganhe dinheiro no curto prazo, a longo prazo minha poupança não estará aqui.


Ela estará em fundos, onde eu gasto quase todo o meu tempo disponível estudando. Nos últimos 30 dias, eu falei com mais de 33 gestoras.


Algumas delas já estão na carteira do Nord Fundos.


São equipes com pessoas muito capacitadas, com uma estratégia bem definida e estudando as empresas nos mínimos detalhes para entender se vale a pena investir naquela companhia ou não..


É o jeito que eu mais gosto de investir, porque me custaria outra vida para chegar no nível de profundidade e experiência desses caras.


Imagino que para muitos brasileiros seja igual. Cada um tem a sua vida e seu trabalho, na qual fazem isso de maneira primorosa. São verdadeiros “Federers” das suas áreas de atuação e gastaram muitos anos para chegarem onde estão.


Agora, quando o assunto é investimentos, tentam seguir dicas ou não se dedicam na intensidade que a atividade merece.


Muita vezes acham que vai existir um atalho fácil ou um caminho mais tranquilo.


Meu conselho: não faça isso. Não há caminho fácil, há muito estudo e dedicação para estudar o mercado.


Venha comigo e invista nos melhores gestores do Brasil. O meu e o seu patrimônio agradecem.


Compartilhar este artigo
por Luiz Felippo
em 19/07/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira num projeto de renda fixa do Insper com o BTG Pactual. Posteriormente atuou na área de pesquisa econômica internacional do Itaú Asset Management e foi analista de Renda Fixa da Empiricus Research. Formou-se Economista no Insper.

Receba nosso conteúdo GRATUITO!