Simulei 90 mil cenários diferentes

É sobre os 42 quilômetros, não os 195 metros


É sobre os 42 quilômetros, não os 195 metros

Em tempos de quarentena, parece ter aumentado o número de pessoas sedentas por resultados de curto prazo nos investimentos.


Talvez seja o fato de estarmos confinados em casa, o que naturalmente intensifica a ansiedade.


Esse novo ritmo de vida permite, a muitos investidores, ler todo o tipo de notícia. Ficar ligado 24h no Twitter e ainda dar aquela olhada no grupo de traders que montou no Whatsapp.


E, claro, com a tela do home broker da corretora aberto o dia todo, sempre piscando alternadamente entre luzes vermelhas e verdes, como em uma árvore de natal.


Afinal, precisamos estar preparados. Nunca se sabe quando o cenário irá virar, não é mesmo?


Mas não custa lembrar: investir é sobre uma maratona. Então, não importa o que você faz nos primeiros 195 metros da corrida, mas, sim, nos 42 quilômetros restantes.


De nada adianta começar bem o trajeto e, em pouco tempo, estar morto. Você ganha a prova pelo seu comportamento nela como um todo, não só pelas atitudes do começo.



Logo, evite focar no cenário dos próximos meses. Pois, ao fazer isso, tudo o que você conseguirá será: perder cabelo, ganhar mais estresse, muita fumaça, poucos sinais reais e menos dinheiro.

Sendo assim, voltemos nosso olhar para as próximas duas décadas à frente. Até porque, mesmo com todo tipo de crise política, sanitária e econômica dos últimos 20 anos, o Ibovespa não só sobreviveu, como foi até bem  mesmo com um juro de 20 por cento ao ano estrangulando as empresas nesse tempo todo.


Naturalmente, essa jornada poderia ter sido melhor. Se você tivesse escolhido o gestor certo para gerir o seu dinheiro, teria um resultado infinitamente melhor.


Mas quando o assunto é fundos de ações e longo prazo, muita gente nos pergunta se o melhor casamento seria feito via um veículo de previdência ou um instrumento tradicional.


Falemos disso hoje, até porque muita coisa mudou nos últimos anos.

Do passado ao presente


Bolsa é perfeita para previdência. Eu diria que é um casamento de almas gêmeas. Ambos miram o longo prazo e com benefícios que só aumentam ao longo dos anos.


Na previdência, após uma década, você pode pedir resgate dos recursos pagando 10 por cento de imposto ao invés de 15 por cento nas estruturas tradicionais  o que faz uma bela diferença.


Nas ações, as boas alocações de capital feitas pela gestão, as vantagens competitivas e um ótimo modelo de negócio também só mostram seu valor ao longo do tempo.


É belíssima a combinação, não tenho dúvidas disso. Porém, mesmo com todas as vantagens, nunca foi o suficiente para mantê-los juntos.


Há muito tempo que mais de 90 por cento dos recursos dos brasileiros em previdência está em veículos de renda fixa. Em parte, isso é reflexo de dois pontos centrais: (i) juros estratosféricos; (ii) legislação restritiva.


Em um Brasil onde o juro real médio era 6 por cento, qual o incentivo de buscar produtos mais arrojados? Realmente, não tinha tanto sentido assim.


Além disso, para piorar a situação, a regulamentação do segmento também não ajudava. Desde 2005, o investidor pessoa física só podia investir em estruturas de previdência que tivessem um máximo de 49 por cento de exposição em ações na carteira e o restante deveria ser alocado no CDI.


Em outras palavras: era uma estrutura de previdência um tanto quanto “aguada”, por assim dizer. Isso, de certa forma, afugentava o investidor que queria ter uma exposição 100 por cento em ações, como nas estruturas tradicionais.


Porém, em 2015, a regra foi alterada, dando liberdade para o varejo investir em estruturas que podem ter até 70 por cento em ações e ainda assim aproveitar os benefícios tributários.


Por exemplo: uma estrutura de previdência do fundo X de ações pode replicar até 70 por cento da carteira de ações do fundo original e o restante precisará ficar em CDI  já é um avanço, apesar de ainda não ser o ideal


No caso do investidor qualificado, até se abriu o precedente de ter alocações de 100% em bolsa  o que replicaria integralmente as carteiras dos gestores.


Nesse ambiente de juro baixo, mudanças assim são realmente necessárias. Agora, será que é suficiente para superar os fundos tradicionais?


Em outras palavras, quem entrega mais retorno a longo prazo?  


Fundos de previdência ou fundos tradicionais?


300 futuros distintos


Parece-me cristalino que, para os investidores qualificados, investir via previdência é superior aos instrumentos tradicionais.


Ao mesmo tempo em que você consegue replicar integralmente a carteira do gestor em questão, ainda tem o benefício tributário de pagar somente 10 por cento de imposto no regime regressivo.


É uma escolha que chamamos de no brainer não tem por que não fazer.


Contudo, nesse ambiente de juro baixo, vale a pena ter a estrutura 70 por cento da carteira de ações do gestor e 30 por cento em CDI? Como sempre, vamos fazer o teste e deixar a frieza dos números nos mostrar a resposta.


Entretanto, para este experimento, não podemos utilizar o nosso histórico real. Durante toda a nossa história, temos uma herança de um CDI foi muito alto  o que iria distorcer completamente o resultado e nos trazer falsas conclusões.


Hoje, a história parece ser outra. Os próximos 20 anos podem ser muito diferentes dos últimos 20.


Sendo assim, precisamos tomar outro caminho. Resolvi, então, recriar o índice, mas fazendo isso de forma que ele fosse semelhante ao comportamento real da nossa bolsa.


Para isso, utilizei as propriedades reais do Ibovespa para criar uma distribuição dos retornos do índice nas próximas duas décadas.


É um simples exercício matemático para nos ajudar a definir o que seria melhor.


Eis o resultado:


                                        [Fonte: Nord Research]


Neste gráfico, temos a frequência com que cada um dos 5.040 retornos diários apareceria nesse futuro. A média está ali em torno de zero, com o desvio padrão de 2 por cento.


Mas, convenhamos, essa é uma possibilidade. Não se pode tirar conclusões somente com base nisso, até porque, existem muitas outras opções que não foram contempladas.


Refiz esse mesmo teste outras 300 vezes, gerando três centenas de futuros diferentes e, em cada um deles, comparei o retorno das duas estratégias:


(i) Aplicar 100 por cento dos recursos na estratégia Ibovespa recriado e pagando 15 por cento de imposto no resgate.


(ii) Investir em uma estratégia 70 por cento Ibovespa recriado e 30 por cento no CDI  considerando um juro médio de 6 por cento ao ano  e pagar 10 por cento de IR no resgate.


Passei a contabilizar, em um horizonte de 20 anos, quem seria o vencedor em cada um desses futuros alternativos, avaliando quem se sairia melhor independente do cenário.



A disputa foi apertada, mas temos o veredito. O resultado mostra que dos 300 cenários construídos, em 156 deles o modelo previdenciário se sairá melhor.


Fonte: Nord Research

Fonte: Nord Research


Se você repetir esse embate outras vezes (fiz isso outras 300 vezes), em 80 por cento dos casos a previdência vence. Mas sempre por uma margem pequena de votos.


Dito isso, vale a pena usar a previdência no modelo 70 por cento?


A resposta é: sim!


O risco? O Brasil dar (MUITO) certo e virarmos um país de primeiro mundo com juros de 2 por cento.


Mas pelo que vimos na sexta-feira com a declaração do Moro, isso ainda está longe de acontecer..


Contudo, talvez mais do que os próprios retornos, são os benefícios atrelados a ela.


Clube de benefícios: qual o seu?


Todo mundo já fez parte de algum clube de benefícios na vida, nem que seja aqueles do supermercado onde você entra para ganhar os descontos.


A estrutura de previdência também tem inúmeros benefícios, mas gostaria de destacar três que acho extraordinários:


(i) Mobilidade: poder transitar entre as classes de ativo (ações, renda fixa e multimercados) sem pagar imposto.


(ii) Psicológico: no geral, as pessoas mexem menos no dinheiro da previdência por entender que é para o longo prazo, o que funciona melhor.


(iii) Contribuição mensal: se você escolhe o aporte mensal, o fundo nunca fecha para você.


Tudo isso fora a vantagem tributária. Porém, essa última acho a mais interessante dentre elas.


Pensando em um mundo onde os melhores fundos de ações possuem um valor máximo que conseguem gerir, você eventualmente poderia acordar um dia com seu gestor favorito fechado para captação  o que na estrutura de previdência não ocorreria.


Ou seja, mesmo que os retornos sejam parecidos, vale bastante a pena pensar em ter uma previdência.


Basta, agora, escolher os melhores. E nisso podemos ajudar.


Potencialize seus resultados


De nada adianta uma boa previdência se você não souber escolher muito bem o gestor que irá lhe acompanhar nessa jornada.


Um retorno de 10 por cento ao ano multiplica seu capital por 7x em 20 anos. Se passarmos para um retorno de 15 por cento ao ano seria 16x e 20 por cento ao ano 38 vezes.


Ou seja, não existe espaço para erro em uma hora dessas. Quanto mais o seu dinheiro cresce nessas duas décadas, maiores as suas retiradas e maior conforto você terá na tão sonhada aposentadoria


Meu trabalho e do Renato é lhe guiar nessa escolha. No Nord Fundos, após vasculhar toda a indústria de fundos, montamos uma lista pronta dos melhores gestores do Brasil e que possuem uma estrutura de previdência.


                                        Fonte: Nord Research



Esses são só alguns exemplos. Estamos o tempo todo incluindo novidades.


É hora de pensar no seu futuro. É hora de pensar em uma previdência.


Um abraço,


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por Luiz Felippo
em 26/04/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira num projeto de renda fixa do Insper com o BTG Pactual. Posteriormente atuou na área de pesquisa econômica internacional do Itaú Asset Management e foi analista de Renda Fixa da Empiricus Research. Formou-se Economista no Insper.

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