Sim, Virgínia: dividendos importam

A teoria é linda. Na prática, minha parte em dinheiro por favor.

Certezas na vida

Benjamin Franklin dizia que há duas certezas na vida: a morte e os impostos. Longe de mim discordar de Mr. Franklin, mas a experiência que acumulei nesses meus parcos anos de carreira me permitiu enxergar mais uma regularidade.

Ficamos combinados assim: para um investidor, há três certezas na vida: a morte, os impostos e o cara que pergunta sobre dividendos na Apimec. Sua existência é tão certa quanto a da Receita Federal e de Caronte, e pode ser atestada por qualquer um que já tenha ido a uma reunião pública de qualquer companhia de capital aberto.

O perfil é sempre o mesmo. Invariavelmente, é um sujeito de cabelos brancos. Não raro, combina camisa social com calça de abrigo e aqueles sapatos com velcro. Ama - simplesmente AMA! - cadeiras confortáveis e pão de queijo.

Ao final da apresentação, na sessão de perguntas e respostas, analistas do sell side vão se acotovelar para fazer perguntas esotéricas sobre algum meandro da empresa (como se a pressão da caldeira da fábrica de celulose fizesse diferença no modelo…). Ao final, quando o microfone chegar nele, virá a pergunta mágica:

“E qual é a política de dividendos da empresa?”

A teoria é linda

Ainda que sejamos sabedores da morte, nos preparamos mal para ela - para os impostos, talvez, um pouco melhor. No caso da pergunta dos dividendos, tão inevitável quanto os outros dois fatos, não é raro - que coisa! - ver executivos em maus lençóis. Já vi gente gaguejar; já vi gente dar respostas vagas.

O que raramente vi - e saúdo as raras ocasiões nas quais isso aconteceu - foi alguém incluir, na própria apresentação, um amplo histórico que demonstre um mínimo de consistência por parte da empresa.

Por quê isso é raro?

Gerações e gerações de financistas aprenderam que tanto faz a empresa pagar dividendos ou reinvestir o capital, pois ambas são formas igualmente válidas de se remunerar o acionista.

Se a grana é reinvestida e aumenta o valor da empresa, as ações sobem e, portanto, o acionista que assim quiser pode receber seu quinhão nos lucros mediante a venda de uma parte de suas ações.

Na teoria, é lindo. Na teoria...

Aventuras duvidosas

Baseando-se em argumentos desta natureza, diversas empresas passam anos a fio pagando dividendos magros. A lógica é “só vou pagar dividendo se não conseguir imaginar mais nada para fazer com essa grana”.

Em alguns casos, o dinheiro é bem reaplicado; em outros, o argumento do reinvestimento fica capenga - reinvestir bem não é somente questão de dispor do dinheiro e do projeto, mas também de dispor de capacidade de execução. Alguns negócios simplesmente vomitam caixa, e pode faltar braço para reaplicar de maneira ótima.

Não raro, contudo, a mentalidade criada por esse tipo de argumento se combina com a falta de bons projetos dentro do escopo de competência da empresa, e faz com que executivos as levem a embarcar em aventuras duvidosas. É assim que empresas de autopeças resolvem investir em shopping centers - como pode não dar errado?

Resumo da ópera: sob o pretexto de remunerar o acionista mediante a geração de ainda mais valor, os caras acabam destruindo valor.


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Minha parte em dinheiro, por favor

Quer saber? É melhor dar um pedaço desse lucro para cá mesmo.

Pagar dividendo é bom.

(Recebê-los, melhor ainda)

Sinaliza um mínimo de consistência na capacidade de geração de resultados por parte da empresa; disciplina seus executivos e os mantém afastados de aventuras custosas aos acionistas; é eficiente do ponto de vista tributário (pelo menos no Brasil; pelo menos por enquanto).

Disso tudo o cara dos dividendos sabe - talvez intuitivamente, talvez até mesmo de uma forma que consiga formular.

Lições a aprender

Como mencionei, geralmente o cara dos dividendos tem cabelos brancos. O que isso me aponta?

Deve haver alguma correlação entre gostar de dividendos e ser um investidor longevo - não devem ser poucos os que morrem ao longo do caminho, apostando tudo em grandes tacadas que dão errado, para cada Mr. Dividendos.

Talvez tenhamos, portanto, algo a aprender com aquele cara.

Investir com vistas em dividendos é uma arte tranquila; é um ato de disciplina persistente e invariável aos ciclos do mercado. Compre ações que pagam bons dividendos e colha a renda delas proveniente. Se puder, reinvista esses frutos comprando ainda mais ações. E repita.


Repita de novo. Mais uma vez. Com o passar do tempo, seu patrimônio cresce mais e mais.

É ou não é lindo?

Arte tranquila

Era uma demanda antiga já. Desde que lançamos a Nord Research vínhamos recebendo este pleito.

Lançamos, hoje, o NORD Dividendos.

Lá não há espaço para empresas com visões de futuro espetaculares que não se preocupem, simultaneamente, em premiar adequadamente seus acionistas hoje. Queremos, sim, nossa parte em dinheiro: não trabalhamos de graça; nosso capital, também não.

Abraçamos a arte tranquila de investir em empresas altamente lucrativas, pouco endividadas, atuantes em mercados consolidados e que combinem forte geração de caixa com baixa necessidade de reinvestimento.

É o produto perfeito para quem, mais do que ganho de capital, busca alternativas de renda recorrente - o famoso “dinheiro pingando na conta”.

Queremos, sim, ser investidores longevos. Queremos, sim, ser, um dia, o sujeito que vai na Apimec perguntar do dividendo e comer pão de queijo.

Se ele está lá há tanto tempo, algo de certo - muito certo - ele certamente vem fazendo.

Convido nossos Fundadores e os assinantes do Nord Absoluto a visitarem imediatamente a área logada e conferir o primeiro relatório. Vocês fazem jus a todo o conteúdo da Nord Research, e é uma alegria anunciar a expansão de nosso portfólio de relatórios.

Aos demais, deixo o convite para conhecer essa nossa nova empreitada.




Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Ricardo Schweitzer
em 08/11/2018 para Nord Insights

Possui 12 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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