Será que todas sofrem da mesma forma?

Com o momento de pânico criado com o coronavírus, quais tipos de empresas são consideradas mais resilientes?

Muita turbulência? Nem sempre

Os últimos dias parecem ter sido de grande turbulência na bolsa de valores brasileira.

Pois bem, mas turbulência em que sentido? A resposta é bastante simples.

O aumento de casos do coronavírus e sua possível disseminação ao redor do globo, algo que já não é mais novidade para nenhum de nós, levou o mercado a um certo momento de “pânico”.

E veja que o “pânico” pode gerar incertezas, e as incertezas podem levar a uma pressão vendedora mais forte que nem sempre é justificável, ou que nem sempre faz sentido.

Várias vendas sendo feitas ao mesmo tempo, como fruto de uma aversão global aos impactos do coronavírus, foi o que gerou a turbulência que estamos observando.

O Ibovespa passou por momentos duros estes últimos tempos, chegando a cair de patamares próximos aos máximos para a beira dos 100 mil pontos.

Eu, particularmente, acredito que este movimento tenha sido “saudável”, pois proporcionou uma boa correção nos preços e gerou novas oportunidades de compra  aquele argumento de que “tudo está esticado” perdeu força.

Mas deixarei para falar isso um outro dia, se for o caso. Meu ponto hoje não é esse.

O que eu quero passar é o seguinte: será que a aversão aos impactos do vírus deveria afetar, da mesma maneira, todo o universo de empresas listadas na bolsa? Será que você deveria se preocupar, da mesma forma, com todo o seu investimento em bolsa? Será que todas as empresas da sua carteira sofreram e sofrem da mesma maneira?

O “pânico” generalizado pode até nos direcionar a pensar assim.

Você vê tudo desabando, fica preocupado, perde a calma e fica com vontade de sair vendendo tudo com medo de perder mais.

E se você tiver feito isso, tenho certeza que não foi a melhor decisão.

Observar e parar para pensar em uma hora dessas é sempre a melhor opção.

Os fundamentos das empresas existem, e é por conta deles que vamos falar hoje sobre o que tem mais ou menos impacto em um momento de turbulência como o que estamos passando.  

Talvez, mesmo sem os cintos afivelados, algumas empresas da sua carteira podem ter sofrido bem menos do que você imaginava.  

E isso devido às suas características: obviamente, uma empresa com maior exposição ao exterior, com fornecedores e cliente globais, sofre muito mais do que empresas reguladas e menos expostas à diversas questões conjunturais.

Se você não entendeu, não se preocupe: explicarei com mais detalhes abaixo.

Empresas globais

Empresas com maior exposição à economia global tendem a sofrer mais nestes momentos, muito por conta das diversas relações externas nas cadeias de suprimentos das Companhias.

Tudo mais constante, quanto mais casos do vírus, mais pessoas ficam em casa, menor a operação e produção nas fábricas/negócios, menor o abastecimento de fornecedores ao redor do globo, menor o estoque disponível, maior a incerteza, menor o consumo e menor o faturamento e lucro das empresas.

Essa é apenas uma das diversas relações possíveis, demonstrada de maneira bem simplificada, com relação aos impactos em cadeia de empresas com maior exposição global.

É o caso clássico de empresas de frigoríficos, mineração e commodities.

A repercussão do vírus também pode ser de grande impacto para empresas como a do setor aéreo e de turismo  a mudança de planos, tanto no quesito lazer quanto profissional, pode mudar radicalmente em uma situação dessas. Cancelamento de vôos, viagens, visitas e reuniões são alguns dos principais motivos.

Para todos estes tipos de companhia, em situações de deterioração nos impactos do vírus  esperamos muito que não —, a pressão deve ser maior para o médio/longo prazo.

Empresas reguladas

Agora, sob uma outra visão, temos aquele perfil de empresa regulada, que por natureza é mais conservadora, defensiva e estável.

É o caso perfeito de empresas do setor elétrico, que apresentam contratos longos, bastante definidos e corrigidos periodicamente pela inflação.

O que em outras palavras, se traduz em menos oscilação e mais previsibilidade no faturamento e nos resultados ao comparar com o primeiro caso de empresas que eu mencionei.

E mostro um pouco disso com o gráfico abaixo, que demonstra a performance de duas empresas do Nord Dividendos, pertencentes ao setor de transmissão de energia elétrica, e de uma empresa mais exposta à economia global, frente ao desempenho do Ibovespa ao longo dos últimos dias.

Fonte: Bloomberg

Em branco temos a transmissora 1, em roxo a transmissora 2, em vermelho uma empresa com maior exposição a economia global e em verde o Ibovespa.

Bem mais amena a queda das nossas empresas em relação ao Ibov, não? Claramente, são empresas com característica mais resiliente, por conta dos diversos fatores das quais eu já pontuei.

São menos correlacionadas com tudo o que está acontecendo por aí.

Nord Dividendos

Coloquei esse gráfico para você ter uma ideia do que alocamos em nossa carteira do Nord Dividendos. Gostamos de estabilidade, caixa e resiliência.

É claro que resultado passado não é garantia de resultado futuro. Mas gosto de destacar o que estamos obtendo na carteira. Ainda mais frente a todo esse período.  

São empresas com sólidos aspectos operacionais, boa distribuição de dividendos e que seguram mais as pontas nestes momentos de turbulência.

São boas oportunidades com menos volatilidade dentro do universo da Renda Variável. Ainda mais no momento atual.

Fica aqui o meu convite para que você conheça a nossa estratégia.

Forte abraço e bons investimentos.

Guilherme Tiglia, CNPI


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por Guilherme Tiglia
em 07/03/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira no Itaú-Unibanco, trabalhando com medidas de melhorias operacionais na área de Cartões de Crédito.

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