Será que perdeu o fôlego?

De agora em diante talvez seguiremos mais os ventos vindos de fora, ao invés de ter nossa própria dinâmica.

Após a vitória de Bolsonaro no primeiro turno, a correção dos ativos foi de fato impressionante, principalmente em juros e câmbio - deixo para o Bruce tratar de bolsa.

O real se valorizou bastante, saindo dos 4,20 para 3,69; juros longos no mercado futuro também cederam de 100 a 200 pontos-base.

Mas vamos ficar no câmbio hoje. Moedas reagem a dois movimentos: os acontecimentos locais e externos.

No front doméstico, temos as eleições: o fracasso do Chuchu e o medo de Ciro ou Haddad levou nosso Real para 4,20 contra o dólar. Mas esse risco reduziu, de fato: Bolsonaro tem uma boa vantagem no segundo turno e levar a faixa de presidente para casa. O mercado reagiu, levando a moeda para 3,70.

E agora? perdemos o fôlego?

Longe de mim querer prever câmbio, mas talvez o cenário internacional crie uma certa resistência a novas apreciações: as brigas comerciais entre Estados Unidos e China, nosso baixo carry (custo de carregar o real), e os aumentos de juros nos Estados Unidos podem acabar depreciando a nossa moeda, mesmo sem o risco eleitoral.

De agora em diante talvez seguiremos mais os ventos vindos de fora, ao invés de ter nossa própria dinâmica.

A próxima grande pernada pode vir com uma sinalização mais forte da capacidade de Bolsonaro promover uma reforma da previdência.



Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Luiz Felippo
em 17/10/2018 para Nord Insights

Iniciou sua carreira num projeto de renda fixa do Insper com o BTG Pactual. Posteriormente atuou na área de pesquisa econômica internacional do Itaú Asset Management e foi analista de Renda Fixa da Empiricus Research. Formou-se Economista no Insper.

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