Será que a Reforma Tributária sai?

Os jornais do final de semana só falavam da Reforma Tributária. A primeira etapa da proposta será apresentada amanhã, segundo o governo.


A primeira fase estabelece a unificação do PIS e Cofins, com uma alíquota de 12 por cento, o que é um por cento maior para ajudar a financiar o programa Renda Brasil. A nova contribuição se chamará: Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).


A segunda fase poderia incluir a nova "CPMF", que seria um imposto sobre transações eletrônicas, de alíquota entre 0,20 e 0,40 por cento, para custear a desoneração da folha.


Entraria também na reforma o imposto de renda das empresas, que poderia durar 7 anos, caindo 2 por cento a cada ano, reduzindo a alíquota de 34 para 20 por cento. A contrapartida desta redução seria a taxação de dividendos (impactando nós investidores) e redução dos benefícios fiscais.


Segundo Rodrigo Maia, presidente da Câmara, o governo tem uma janela de 12 meses para aprovar a reforma. A partir daí, seria muito difícil falar sobre qualquer assunto que não eleições de 2022.


Será que dá tempo?


Oi publica boas novas


Em nota à imprensa a Oi diz ter recebido "mais de uma" proposta de aquisição da Oi móvel. Uma, como já sabemos, é uma proposta conjunta feita pela Claro, Tim e Telefônica. Sobre a segunda, a empresa não quis dar detalhes.


Diz também ter recebido uma proposta de 1 bilhão de reais da Highline para a compra da UPI (transmissão de radiofrequência).


A ideia é levantar 15 bilhões com telefonia móvel, 1 bilhão com torres e 300 milhões de reais com data center.


A empresa parece estar aos poucos resolvendo seu complicado caso de recuperação judicial, e planeja levantar um total de 22 bilhões e focar apenas no negócio de internet.


A melhora da situação financeira da Oi, que antes era completamente negligenciada pelo mercado, já é um assunto amplamente comentado. As ações já negociam a 1,21 real, vindas de patamares abaixo de 1 real.


Onde poderia chegar o preço das ações, caso ela conseguisse se reestruturar? O Ricardo, dono dessa brilhante tese, escreveu exatamente sobre isso neste relatório da série Deep Value. Se você é assinante, não deixe de ler. Se você ainda não é assinante, é uma excelente oportunidade para conhecer melhor essa e muitas outras teses promissoras do Ricardo.


Mercado aquecido


Segundo o Globo, a CVM estuda 21 pedidos de IPO na bolsa de valores. Dentre eles, diversas empresas que já queriam abrir seu capital, mas que frearam o processo por conta da pandemia.


A retomada deve movimentar de 20 a 30 bilhões apenas no segundo semestre.


Nada mal, não é mesmo? Nossos analistas terão muito trabalho daqui para frente.


O movimento é positivo e deve seguir nos próximos anos, se nos mantivermos com juros baixos. A renda fixa do governo acaba sendo uma opção pouco rentável, abrindo espaço para novos produtos, como: ações, fundos imobiliários e investimentos internacionais.


Até onde vai a Selic?


O Banco Central parece estar confuso com o papel da política monetária em tempos de crise. A cada comitê ele inclui uma nova jabuticaba econômica para segurar o mercado de precificar novas quedas da Selic.


Já se falou de alta do juro neutro, de otimismo em relação ao PIB, de condições financeiras…


Motivos não faltaram na cabeça da autoridade monetária. Mas, até agora, a realidade de uma inflação no chão sempre acabou se impondo.


A nova moda semanal do BC, em conversas do Roberto Campos com o Itaú BBA, foi dizer que o comitê irá olhar atentamente a inflação das próximas 3 semanas (?????) para então decidir sobre o nível ótimo da Selic.


Eu, Marília, nunca vi isso. Um Banco Central decidir até onde pode chegar a Selic baseado na inflação de curto prazo. Realmente, essa foi fogo de ler.


A ideia aqui seria tentar pegar o efeito inflacionário dos estímulos do Coronavoucher. Mas para mim isso não tem o menor cabimento. Mesmo que o estímulo fosse inflacionário, é mais do que óbvio deduzir que, uma vez que o estímulo acabar, terá uma volta deflacionária nos preços.


As mudanças de política monetária não influenciam a inflação atual, mas, sim, a inflação de três trimestres à frente. O que significa que a inflação das próximas três semanas deveria importar muito pouco.


Vamos continuar acompanhando. A minha expectativa é de que o BC reduza a Selic para 2 por cento na próxima reunião. Os próximos passos vão depender da inflação das próximas semanas (????).


É o que temos, pessoal…


Uma excelente semana para vocês e bons negócios.


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por Marilia Fontes
em 20/07/2020 para Nord Insights

Possui 12 anos de experiência de mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pelas assets do Itaú, Mauá e Kondor, além de analista da renda fixa da Empiricus Research. Formou-se mestre em Economia pelo Insper.

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