Segunda vermelha

Segunda vermelha

 A semana começa predominantemente no vermelho mundo afora.

Mercados asiáticos reagiram à má performance das mineradoras, e também à divulgação de projetos de verticalização de produção de componentes da Apple. O mau humor com commodities se alastrou para o mercado europeu.

Futuros americanos abrem em queda, e o reflexo também é sentido aqui.

Olho nos juros

Não trouxe grandes novidades o Relatório Focus divulgado nesta manhã, com consenso revisando marginalmente para baixo as projeções de IPCA para 2018 e cravando Selic em 6,50% até a virada do ano e retomando o patamar dos 8,00% no ano que vem.

Há alguma chance de o jogo mudar na quarta, pós-Copom? Sempre há, mas o mercado parece ter ajustado bem expectativas após semana passada – DIs subiram até sexta, após um breve frenesi de agentes flertando com juros ainda mais baixos.

Quedas adicionais são aposta minoritária. Importante, também, olhar para os rumos dos acontecimentos lá fora – vide abaixo.

 

 

Powell não é Yellen

Teremos, na próxima quarta-feira, a primeira reunião do Fomc – o Copom gringo – da era Jerome Powell.

O que muda? O consenso segue ancorado nas expectativas deixadas pela linha de discurso da antecessora – que, combinado com a leitura dos indicadores divulgados desde então, endossa a tese de que três elevações de juros devem ocorrer na terra do Tio Sam ainda este ano.

Ocorre que Powell deu sinais de que, talvez, não seja tão dove quanto era Yellen. E, diante dos primeiros sinais disso, expectativas podem começar a se realinhar – com impactos em juros e bolsa nos EUA.

Vale ter em mente que os últimos indicadores de atividade divulgados na America foram fortes, mas tal força foi vista mais como pujança do que indício de superaquecimento.

Terra da fantasia

Eu sinceramente não sei em que mundo nossos políticos vivem. Definitivamente não é o mesmo no qual estão você e eu.

Temer admite que quer ser candidato pelo MDB. Na boa: será que o sujeito realmente acredita nas próprias chances?

Enquanto isso, a pouco mais de 1Km de distância, jaz Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda aspirando o gabinete do Planalto. Contaria com todos os aplausos possíveis e imagináveis da turma da Faria Lima, mas talvez parasse por aí.

Já adentramos a segunda metade de março – estamos quase encerrando o primeiro trimestre de 18 – e o cenário presidencial segue completamente turvo. Isso é algo que merece muita atenção.

Incomoda-me – e muito – a despreocupação do mercado com a incerteza eleitoral que temos logo à frente.


Quem Ri por último…

Escapa-me à memória agora, mas acho que é do Charlie Munger a afirmação de que “I.P.O.” não significa Initial Public Offering mas sim It’s Probably Overpriced. Tendo já perdido as contas de quantas operações dessa natureza presenciei, e asseguradas as exceções às quais quase toda regra faz jus, tenho que reconhecer que a sacada é boa, muito boa.

Se a incidência de IPOs é, por si só, bom termômetro do mercado, o naipe das operações é ainda mais digno de atenção. Perguntas rápidas: já ouviu falar dessa empresa alguma vez na vida? A oferta é primária, secundária ou um mix? Quais são as motivações do vendedor?

Deve estar sendo difícil a vida dos envolvidos na operação da Ri Happy. Não é tarefa fácil defender um IPO i) cujo modelo de negócios da empresa está em xeque – vide Toys R Us fechando nos EUA – ii) cuja empresa vem de prejola no exercício anterior, iii) cujos recursos vão, em boa parte, para o bolso do acionista vendedor e iv) cujo acionista vendedor inevitavelmente vai deixar o negócio logo mais.

Há quem defenda que, ao preço certo, compra-se ou vende-se qualquer coisa… mas, francamente? Não queria estar nessa mesa de jeito nenhum.


Ricardo Schweitzer, CNPI

Em observância à ICVM 483, declaro que i) as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma; ii) não possuo vínculo com pessoa natural que trabalhe para o emissor de qualquer valor mobiliário mencionado neste relatório; iii) não sou titular de valores mobiliários objeto deste relatório; iv) não estou envolvido, direta ou indiretamente, na aquisição, alienação ou intermediação dos valores mobiliários objeto deste relatório; v) não tenho qualquer interesse financeiro em relação a qualquer dos emissores objeto deste relatório.

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por Ricardo Schweitzer
em 19/03/2018 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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