Se já deu, já deu

É preciso saber quando sair

É preciso saber quando sair

Você sabe o que pensamos quando saímos de um ativo?

Diferentemente do que muitos acham, o processo é algo bem mais complexo do que apenas sair vendendo quando está na alta...

Mesmo que seja tentador realizar a venda ao ver o pisca-pisca verde das cotações das suas Ações subindo como se não houvesse o amanhã — algo que, não raramente, enfrentamos em alguns momentos nestes tempos de bull market —, tem algo que sempre devemos levar em consideração antes de fazer qualquer coisa: ao nível atual de preço e considerando o que a empresa vai entregar, vale a pena continuar carregando as suas Ações?


(Obs.: nunca — eu disse nunca— se apegue ao seu home broker. Ele não vai te ensinar nada.)

Essa é uma das perguntas mais importantes e fundamentais em nosso processo de análise.

Vamos utilizar como base duas suposições para discorrer sobre isso:

i) Um ativo que sobe, sobe e sobe e que, mesmo assim, ainda faça sentido mantê-lo em mãos.

ii) Um ativo que sobe, sobe e sobe e que não apresente contrapartida, em mesma proporção, de melhor geração de valor ao acionista.

Pode parecer complexo e até mesmo um pouco raso lendo da forma que redigi, mas tudo isso não passa de uma mera percepção entre preço e capacidade de entrega de resultados, medida pelo famoso múltiplo P/L (Preço/Lucro).

Caso 1

Na primeira situação, vamos considerar uma empresa de bons aspectos operacionais, que apresenta uma perspectiva de crescimento de resultados bem acima do que é observado em seus concorrentes e em ritmo superior ao que o mercado está pagando pela tese.

Em outras palavras, seus lucros (que no caso são bastante sólidos e consistentes) crescem em velocidade superior ao que estão pagando por aí.

E é justamente isso que a classifica como sendo um caso de uma empresa “boa” e que continua “barata”, ao apresentar uma certa ineficiência na relação Preços/Lucros que o mercado ainda não descobriu.

Buscar essas ineficiências em ativos que possuem valor e qualidade é justamente o grande desafio do nosso trabalho.

Veja que este é o caso de uma empresa que pode estar subindo, subindo e subindo e que você não deveria ter mexido um dedo ao ver este movimento de ascensão.

Não fazer nada é a melhor opção.

Como meu amigo Matheus Amaral, também Analista da NORD, disse uma vez em uma de suas publicações com bastante convicção: feche o home broker.

Isso evita a ansiedade de sempre querer fazer algo, sendo que, em uma situação dessas, quem estivesse lendo um livro no momento de euforia acabaria sendo mais beneficiado.  

Mas meu ponto hoje não é abordar comportamentos. Vamos retornar ao foco: fundamentalmente, a empresa ainda teria muito o que entregar e isso ainda não está se refletindo em seu preço.

E, por este motivo, tudo deveria ficar exatamente como estava.

Caso 2

Já para a segunda hipótese, vamos considerar que o mercado está pagando além do que os resultados estão mostrando, por conta de uma visibilidade de melhores ares daqui para frente.

Aqui, basicamente, a premissa parte de um mercado que paga por uma promessa de guidance estipulado mais favorável e os múltiplos podem mostrar que, de fato, o valuation está esticado.

Na prática, sabemos que as empresas podem se deparar com diversas situações de turbulência, tais como risco de execução, concorrência agressiva ou até mesmo fatores macroeconômicos. Vamos supor, também, que a nossa empresa do Caso ii) esteja sujeita a tudo isto, o que acaba por afetar os números atuais.

Será que, para “valer o que vale”, ela vai conseguir superar tudo isso e entregar resultados de maneira que o seu preço se justifique? Da maneira como foi divulgada no guidance?

Para complementar e enriquecer esta suposição, utilizaremos um caso prático que já foi alvo de investimento do nosso portfólio do Small Caps, estratégia focada em ganho de capital de longo prazo em empresas com baixa capitalização de mercado.

Trata-se da Profarma (PFRM3), empresa brasileira atuante no segmento de distribuição e varejo de medicamentos, que esteve presente em nossa carteira até meados de janeiro de 2020.

A Companhia apresenta uma operação de distribuição bastante consolidada, mas um certo desafio com relação à execução do seu negócio de varejo  que, por sua vez, representa a grande concentração de esforços no momento.

O grande problema: as expectativas futuras de otimismo e crescimento no varejo foram precificadas pelo mercado em um curtíssimo espaço de tempo, e isso gerou uma certa distorção na percepção de preço vs. valor.

Por mais que tenhamos percebido que a Companhia sofreu na unha ao longo dos últimos anos com o varejo, o que permitiu aprendizado e maturidade acerca deste negócio em específico, entendemos que o valor atribuído a essa parcela da operação da empresa demonstrou-se bem acima do que consideramos “no preço”.

Neste caso, foi uma ação que subiu, subiu e subiu e entendemos que havia um prêmio embutido que não refletia a realidade do “chão de fábrica” da Companhia.

Fonte: Bloomberg


Assim, vendemos com tranquilidade e levamos para casa quase oitenta por cento de retorno desde a nossa recomendação de entrada.

Não, não saímos única e exclusivamente porque subiu muito e em muito pouco tempo. Existe um fundamento muito importante por trás de tudo isso.

Como falei uma vez aqui, e vou repetir: análise importa. E importa muito.

Se já deu, já deu.

Nord Small Caps

Quem recebeu as recomendações do Nord Small Caps levou a melhor.

Nossa missão como analistas é identificar essas ineficiências de mercado, como as demonstradas, e entender até que ponto, nos preços atuais, a tese reflete valor agregado aos acionistas.

No Nord Small Caps, te mostramos passo a passo quando é a hora certa de agir, separando devidamente o ruído do fundamento das empresas.

Por aqui, você não tomará uma decisão precipitada.

Te convido a participar desta trajetória conosco, de maneira a proporcionar uma excelente oportunidade de retorno no longo prazo, com total acompanhamento dos conteúdos via Telegram, relatórios e e-mail.

Bons investimentos e até a área do assinante.

Forte abraço.


Compartilhar este artigo
por Guilherme Tiglia
em 08/02/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira no Itaú-Unibanco, trabalhando com medidas de melhorias operacionais na área de Cartões de Crédito.

Receba nosso conteúdo GRATUITO!