Reveja suas crenças

Reveja as crenças

Não é por falta de insistência deste escriba que a turma descuida dos descolamentos da bolsa brasileira em relação ao resto do mundo. Digo a toda hora que não somos ilha, que é o cachorro quem abana o rabo – e não o contrário – e outras variações sobre o mesmo tema.

Mas é tão gostoso ver as coisas subindo por aqui no matter what que a tentação de, pura e simplesmente, encontrar um argumento que se encaixe na narrativa e a ele se agarrar como se não houvesse amanhã não raro fala mais alto.

Pois bem. A julgar pelo tom da abertura, hoje é dia de rever as crenças: a despeito do bom humor global – Ásia fechou bem, Europa segue no azul e bolsa gringa aponta para abertura positiva -, primeiros ticks do futuro local apontam para o vermelho.

 

Durma com um olho aberto

Risco geopolítico persiste, com May e Macron sinalizando disposição de Reino Unido e França, respectivamente, participarem de investida militar contra a Síria. Pelo sim, pelo não, melhor dormir com um olho aberto.

Destaque doméstico gringo fica por conta do debut dos bancões Citi, JPMorgan e Wells Fargo na temporada de resultados.

Números importantes para definir o rumo das próximas revisões de projeções por lá.

 

Carochinha

Beira o masoquismo, mas lá vamos nós prestar atenção nos resultados da pesquisa do Datafolha – mesmo conscientes de que os resultados beiram Conto da Carochinha.

O eixo Leblon-Faria Lima – que, no fundo, queria ver Amoedo despontando, mas you can’t always get what you want – segue na torcida pela melhora da safra de chuchu, muito embora consciente de que o tucano mal consegue alçar voo de galinha.

Nas simulações sem Lula, deve liderar Bolsonaro – cenário sobre o qual este escriba já falava há quase um ano atrás.

 

Melhor Jair pensando

Com Lula fora do páreo (e dentro da PF), melhor Jair pensando em alternativas – é o que tem feito o PT internamente, apontando nas direções de Ciro Gomes e, agora, Joaquim Barbosa.

Numa perspectiva pragmática, me parece facílima a escolha entre Gomes e Barbosa – em favor do último. Vamos e venhamos que é candidatura com muito maior chance de emplacar. Se isso é bom ou ruim, aí é outra história.

Resta saber se os companheiros serão capazes de superar a dor de cotovelo pela atuação do ex-ministro no Mensalão.

A ver.

 

Largaram os bets

Onde se esgotaram as vias políticas foi na BRF (BRFS3), onde fundos de pensão largaram os bets nas tratativas com o sempre turrão Abilio Diniz.

Esvaídas as chances de composição para o conselho da empresa, seguirão todos para a assembleia devidamente preparados para disputar cada cadeira do colegiado a tapa. Salve-se quem puder.

Enquanto isso, a conversa de cocheira é de que a Tarpon está de saída da empresa. Honestamente, não deixará saudades.

O case de BRF me dá coceira, mas sigo me segurando. Por enquanto.

 



Ricardo Schweitzer, CNPI

Em observância à ICVM 483, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Ricardo Schweitzer
em 13/04/2018 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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