Resultados do 1T20 e o Dólar que eu não faço ideia

Todo dia aparece uma notícia, um gráfico ou um indicador que nos faz crer que "agora tudo mudou". É preciso se distanciar dos ruídos diários e focar no que realmente importa.


Giro semanal

Semaninha tranquila, hein, pessoal?

Olha o vídeo do Moro! Já passou!

Olha o teste da Covid-19 do JB! Já passou!

Empresas fazendo oferta em plena crise! Está passando!

Votação no Senado para limitar os juros do cheque especial e aumentar a CSLL dos bancos! A caminho!

Com tantas notícias que impactam as empresas da bolsa brasileira, o investidor nunca morre de tédio.

Mas sem grandes mudanças nos fundamentos, o Ibovespa vai oscilando na banda de 74-82 mil pontos já tem quase um mês.

Sempre reforçamos aqui: o mais importante, nesses momentos, é separar os ruídos dos sinais, e focar naquilo que realmente importa.

Como o Bruce disse na newsletter de ontem, aumentamos nossa equipe de analistas em plena quarentena.

Hoje já somos em 12 pessoas focadas exclusivamente em análise — para colocar esse número em perspectiva, isso é metade de toda a força de trabalho da Nord.

Por consequência, aumentamos nossa capacidade de cobertura e isso já tem rendido alguns frutos.

Boa parte dos resultados das empresas listadas na bolsa já foi divulgado e já vemos indícios daquilo que devemos esperar para os trimestres subsequentes.

Quais as empresas mais preparadas para sobreviverem à crise? Quais delas sairão fortalecidas? O que mostram os resultados do 1T20?

Esses e outros questionamentos serão tratados na live de hoje, às 18h, mediada por Ricardo Schweitzer e com a participação do Guilherme Tiglia (Nord Dividendos), Matheus Amaral (Nord Deep Value) e Rafael Ragazi (O Investidor de Valor).

Atenção para o horário. Hoje, excepcionalmente, a live será mais tarde, às 18h. Fica disponível no nosso canal do YouTube. Enviaremos lembrete para os membros do Telegram da Nord. Se você ainda não acompanha os principais acontecimentos do mercado por lá, entre agora. É grátis.

"E o dólar, hein?"

Enquanto o Ibov "carangueja" de um lado para o outro, o dólar parece que se amarrou no "rabo de um cometa".

No mesmo espaço de um mês, a moeda americana já se valorizou mais de 14 por cento. E, em 2020, + 46 por cento.

É engraçado, mas apesar da pergunta: "e o dólar, hein?" ter se intensificado em tempos de tensão como o que estamos vivendo, com  recorde atrás de recorde, ela sempre esteve presente no meu dia a dia.

O vizinho me pergunta no elevador, os amigos me perguntam por mensagem  antes e depois das viagens  e agora os assinantes da Nord, naturalmente, me perguntam por e-mail, Twitter e Instagram.

Há uma frase célebre no mercado que diz: "o câmbio foi feito por Deus para deixar os economistas mais humildes".

E olha, eu demorei para entender isso!

Quando eu era mais novo, até tentava cravar nos palpites. Arrogância pura.

Aí o mercado trata de passar um corretivo na gente. Não só no dólar, mas na bolsa e nos juros também. Todos os dias. Deixa todo mundo que gosta de fazer previsões bem mais humilde.

Mas voltando ao dólar: minha resposta padrão começa com "eu não faço a menor ideia". E depois emendo com: "mas dependendo do que você busca, eu posso te ajudar a encontrar a melhor maneira de ficar comprado ou vendido".

What To Do

As pessoas buscam informações sobre o dólar para algumas finalidades.

A primeira delas é sempre viagens.

Se você viaja para fora, pelo menos 1 vez por ano, na minha cabeça faz sentido ter de 1 a 2 anos das despesas em dólar. O market timing é difícil de fazer. Se por acaso a cotação cair muito depois de já ter feito a sua reserva, então compre na véspera. Se subir muito, use a reserva e reponha ao longo de 12 meses. Simples assim.

A maneira mais barata de fazer esse hedge (proteção) é comprando um fundo cambial. Pela plataforma do BTG Digital, você consegue investir a partir de 500 reais no BTG Pactual Digital Dólar FI Cambial, com uma taxa de administração bastante baixa de, apenas, 0,1 por cento ao ano.

Atenção: nos bancos tradicionais as opções de fundos cambiais cobram mais de 1 por cento ao ano.

Há uma maneira um pouco mais sofisticada: abrir conta em um banco digital americano ou europeu, e poder usufruir de alguns benefícios, como ter o cartão de débito e crédito da própria conta em viagem. Por meio da remessa on-line, por exemplo, você envia os recursos do Brasil, o montante cai em 1-2 dias úteis, e as taxas são bem competitivas.

A segunda delas é a proteção da carteira.

Faz sentido carregar um fundo cambial como forma de proteger a carteira?

Nós já rodamos vários estudos que mostram que carregar dólar na carteira apresenta um sharpe ruim. Isso significa que o tipo de risco/retorno que o ativo apresentou, quando analisadas várias janelas, teria sido melhor se, simplesmente, tivesse mais caixa.

É claro que, se a gente rodar uma janela muito curta, em 2020, por exemplo, não tenho a menor dúvida de que teria valido a pena. Mas se fosse possível fazer qualquer previsão sobre isso, a gente também teria tido menos bolsa e mais caixa para comprá-la quando veio para os 60 mil pontos.

É importante dizer também que o diferencial de juros no Brasil era absurdo. O caixa era rodado em um CDI bem alto, algo que não veremos tão cedo à frente. Por outro lado, temos um real bastante depreciado.

Na minha cabeça o que sempre faz sentido é procurar por ativos geradores de valor em dólares. E aí, há pelo menos duas boas opções:

1) Ter uma parcela da carteira em ações de empresas brasileiras exportadoras. Custo em reais, receitas em dólar. Temos algumas delas no ANTI-trader, Nord Small CapseDeep Value.

2) Investir diretamente na bolsa americana. Ao contrário do Ibovespa, que é mal construído e muito concentrado, e com poucas empresas e setores, eu não acho ruim investir por meio de um ETF. O IVVB11 faz bem esse papel, apesar de já começar a achar o S&P um pouco esticado.

Se você é um investidor colecionador de bons ativos, orientado para o longo prazo, o melhor a se fazer, então, são compras parciais.

Agora, o que tem me entusiasmado, mais recentemente, é por investir em ações de algumas empresas americanas. Fazer stock picking, assim como fazemos aqui.

Hoje em dia é muito fácil abrir conta em uma corretora lá fora. Basta alguns clicks e menos de 1.000 dólares para começar.

Por esse motivo, desde a semana passada, temos reservado a newsletter de sábado para falar sobre a bolsa americana.

Se assim como eu, você também tem interesse pelo assunto, não deixaria de conferir o artigo do César que será publicado no próximo sábado.

Eu já dei uma espiada e tem ótimos insights.

Um abraço,




Em observância ao Artigo 22 da Instrução CVM nº 598/2018, a Nord Research esclarece que oferece produtos contendo recomendações de investimento pautadas por diferentes estratégias e/ou elaborados por diferentes Analistas. Dessa forma, é possível que um mesmo valor mobiliário encontre recomendações distintas em diferentes produtos por nós oferecidos. As indicações do presente Relatório de Análise, portanto, devem ser sempre consideradas no contexto da estratégia que o norteia.


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por Renato Breia
em 14/05/2020 para Nord Insights

Possui 15 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Link Corretora, Galleas Asset, Rico Corretora e foi sócio da Empiricus Research. Formou-se em economia pela PUC-SP, tem especialização em Gestão de Fortunas pela Columbia University e é Planejador Financeiro, CFP®.

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