Respire fundo



Respire fundo

Poucos investimentos valem tanto a pena no mercado quanto uma cadeira confortável: evento é o que não falta para acompanhar no dia de hoje, e seus glúteos agradecerão pelo suporte adicional.

No aguardo da primeira decisão do Fed da Era Powell e a despeito de algum aumento de tensões no Oriente Médio, mercados têm início de dia tranquilo mundo afora.

Fecho a edição de hoje excepcionalmente mais cedo, antes das aberturas de NY e SP.

 

Olho no relógio

Hoje é um daqueles dias para os quais era uma boa ideia deixar a agenda livre, pois as coisas podem ficar divertidas ao longo da tarde.

Às 14h tem início, com transmissão da TV Justiça, sessão plenária do STF na qual deve ser rediscutida a prisão após julgamento em segunda instância. Os motivos da relevância da questão, você já está careca de saber.

Lá pelas 15h, sai decisão do Fed e, logo em seguida, Powell dá pistas dos rumos subsequentes da política monetária americana.

Após fechamento, decisão do Copom por aqui.

Tudo coisa pouco importante, com pouco potencial de fazer preço. Vol, pra que te quero?

 

Lembre-se de 1/X

Certa vez, quando ainda tinha cinco minutos diários, alertei para o seguinte: os preços dos ativos de risco têm relação inversa com o custo de capital.

A partir do momento que o custo de capital começa a subir… salvo existam outras razões para revisão dos preços (por exemplo, perspectivas econômicas mais fortes), preços se vêem sob pressão.

E cá entre nós: adoramos pensar que sempre há espaço para revisar projeções para cima, mas francamente? Numa avaliação honesta, o custo de capital tende a ganhar essa queda de braço eventualmente.

O juro americano é a referência de última instância de custo de capital. Daí a relevância das pistas que Powell deixará no ar hoje.

Muito se atribuiu a saída líquida de recursos daqui nas últimas sessões como reflexo da intranquilidade do mercado com relação a Trump. Será isso mesmo, ou poderia se tratar tão somente de uma antecipação ao porvir?

 

Modo de usar

Sugeri, dias atrás, que você aproveitasse o momento para revisar as alocações do portfólio. Espero que tenha feito, pois o momento se provou efetivamente propício.

Da mesma forma, sugiro fortemente que tenha à mão algumas teses de investimento estudadas, cujos fundamentos lhe agradam; preços, não — pois, eventualmente, a variável preço pode andar a seu favor.

Mantidos os fundamentos da economia real — ou seja, assumindo que as expectativas sobre o resultado futuro da empresa seguirão as mesmas, o mercado para baixo por razões exógenas é mercado dando oportunidade de comprar os mesmos ativos com maiores margens de segurança.

Por que não aproveitar?

Mas faça um frio exame de consciência sobre os critérios na hora de comprar: o preço faz sentido mesmo? Ou você está só tentando se convencer de que o caro pode ficar mais caro?

Ready to take-off

Após muitas idas e vindas — e, consequentemente, substancial volatilidade nas ações -, aproxima-se de um desfecho o deal entre Boeing e Embraer (EMBR3). Conforme apura o Valor, a gringa deve apresentar proposta pela operação de aviação comercial da brazuca ainda nesta semana — ou, no mais tardar, na próxima.

Confesso que tenho mixed feelings com relação a essa transação, a julgar pelo que saiu até aqui do potencial formato. Parece-me que a participação almejada pela Boeing na empresa pós-deal é tão elevada que, para o acionista de EMBR, o negócio só poderia funcionar se lhe fosse pago um valuation escandalosamente alto pela operação atual.

Seria esta a disposição dos gringos? Tenho lá minhas dúvidas.

Ricardo Schweitzer, CNPI

Em observância à ICVM 483, declaro que i) as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma; ii) não possuo vínculo com pessoa natural que trabalhe para o emissor de qualquer valor mobiliário mencionado neste relatório; iii) não sou titular de valores mobiliários objeto deste relatório; iv) não estou envolvido, direta ou indiretamente, na aquisição, alienação ou intermediação dos valores mobiliários objeto deste relatório; v) não tenho qualquer interesse financeiro em relação a qualquer dos emissores objeto deste relatório.

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por Ricardo Schweitzer
em 21/03/2018 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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