Reconstruindo a América

Finalmente tivemos o anúncio, por parte do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, do tão aguardado pacote de medidas para reviver a economia do país.

Em seu discurso proferido na última quarta-feira, em Pittsburgh, na Pensilvânia, ele  propôs um grande aumento nos gastos com infraestrutura, totalizando 2,3 trilhões de dólares – o que animou os mercados, levando os principais índices de ações a marcar novos recordes.

Biden deixou claro, no início de seu discurso, que sua perspectiva sobre como reconstruir a América "não é vista pelos olhos de Wall Street ou Washington, mas através dos olhos de pessoas que trabalham duro".

O plano de infraestrutura, se aprovado, entrará em vigor em outubro próximo, que marca o início do próximo ano fiscal no país. Joe Biden propôs um plano abrangente, que visa principalmente à injeção de recursos nos setores de transporte, energia renovável, fabril, como também medidas.


Detalhes do plano


Transporte – 620 bilhões de dólares

O plano estima alocar 620 bilhões de dólares no segmento de transporte, com destaque para as seguintes grandes iniciativas: i) 115 bilhões de dólares na melhoria de pontes, rodovias e ruas; ii) 20 bilhões de dólares serão direcionados à segurança de vias; iii) 85 bilhões de dólares serão destinados à modernização do sistema de transporte público; iv) 80 bilhões de dólares serão investimentos nas linhas de trem do país; v) os aeroportos terão direito a uma verba de 25 bilhões de dólares, enquanto os portos receberão 17 bilhões de dólares; vi) um valor de 20 bilhões de dólares será destinado a projetos de transporte em comunidades carentes.

Além dos pontos citados acima, o plano prevê um total de 174 bilhões de dólares a serem direcionados para o segmento de veículos elétricos (EVs), em forma de desconto sobre o preço de venda para esse tipo de veículo, bem como incentivos fiscais na fabricação deles.

O programa também prevê recursos para que a frota de ônibus escolares, veículos federais e de serviços, como os correios, seja renovada por carros elétricos fabricados nos Estados Unidos e também a construção de 500 mil pontos de recarga elétrica pelo país até 2030.


Pesquisa e Desenvolvimento – 180 bilhões de dólares

Biden quer destinar um total de 180 bilhões de dólares para melhorar a infraestrutura de pesquisa do país, por meio de melhorias em laboratórios nas universidades e agências federais. Parte desses recursos também seria direcionada à pesquisa científica que tenha impacto positivo na resolução de problemas climáticos, ciência, matemática e tecnologia em geral.


Manufaturas – 300 bilhões de dólares

Segundo o plano de Joe Biden, um montante de 300 bilhões de dólares será destinado a iniciativas que devem alavancar a indústria de manufaturas do país. A indústria de semicondutores deve ser agraciada com um valor de 50 bilhões de dólares, enquanto a fundação nacional de ciências também deve receber o mesmo montante.

Além disso, outros 50 bilhões de dólares deverão ser alocados na criação de uma nova divisão dentro do Departamento de Comércio, dedicada a monitorar a capacidade de produção interna do país, bem como oferecer recursos para suportar investimentos e fabricação de bens críticos à nação.


Desenvolvimento da força de trabalho – 100 bilhões de dólares

Um montante de 100 bilhões de dólares será destinado ao desenvolvimento da força de trabalho do país, por meio de programas de treinamento para aqueles que perderam seus trabalhos durante a crise.


Rede Elétrica – 100 bilhões de dólares

Biden está oferecendo um total de 100 bilhões de dólares para a construção de uma rede elétrica mais resiliente. Ele também está propondo a extensão de um programa de créditos fiscais reembolsáveis para iniciativas  ligadas à geração e armazenamento de energias renováveis.


Saneamento – 110 bilhões de dólares

O plano inclui 45 bilhões de dólares a serem alocados na substituição, por todo o país, de encanamentos que contêm chumbo em sua composição. Também estão previstos 56 bilhões de dólares em programas de financiamento subsidiados para estados, tribos e comunidades em situação precária para melhoria dos sistemas de água e saneamento.


Internet Rápida – 100 bilhões de dólares

Biden está propondo destinar um total de 100 bilhões de dólares a fim de levar uma conexão de internet rápida para todos os americanos. O plano prevê uma política de preços mais transparente e competitiva, incluindo subsídios de curto prazo para residências de baixa renda.


Moradia – 213 bilhões de dólares

A proposta destina nada menos do que 213 bilhões de dólares para a criação e renovação de mais de 2 milhões de “casas populares” ao redor do país.


Escolas e cuidado infantil – 100 bilhões de dólares

O plano inclui um montante de 100 bilhões de dólares a ser alocado na melhora dos prédios de escolas públicas, 12 bilhões de dólares para faculdades comunitárias e outros 25 bilhões de dólares para creches.


Idosos e Hospitais – 400 bilhões de dólares

Biden está pedindo ao congresso a aprovação de 400 bilhões de dólares a serem alocados em moradias e cuidados com a população idosa do país, bem como com algum tipo de deficiência.


Pagando a conta

Com seu plano agora detalhado, Biden começa a se preocupar com as fontes de recursos que vão viabilizar a recuperação econômica dos Estados Unidos.

O presidente propôs um aumento dos impostos sobre os lucros das empresas dos 21 por cento atuais para 28 por cento. Essa iniciativa já aumentaria a arrecadação em aproximadamente 730 bilhões de dólares.

Ademais, Biden quer aumentar a taxa de imposto a ser pago por subsidiárias de empresas localizadas fora dos Estados Unidos para 21 por cento, dos atuais 13 por cento, o que levantaria um adicional de 440 bilhões de dólares.

Já no campo dos multimilionários, a proposta de Biden envolve aumentar o imposto para as famílias que ganham mais de 400 mil dólares por ano para 39,6 por cento, o que adicionaria ao orçamento um valor próximo de 100 bilhões de dólares.


Será que precisa mesmo?

No total, ao longo da próxima década, se aprovado, o plano contempla o gasto de 2,3 trilhões de dólares nos mais diversos setores da economia.  Sem dúvidas a geração de emprego e renda seria monstruosa, e o país sairia renovado do ponto de vista de infraestrutura.

Os mais ricos e as empresas pagariam a conta, mas tudo em nome do bem maior: a América. Como ninguém dá ponto sem nó, empresas e milionários provavelmente devem colher, ao longo do tempo, um bom retorno por estarem “abrindo mão” de alguns trilhões aqui e acolá.

Fica minha dúvida se tudo isso, esses 2,3 trilhões de dólares são realmente necessários ou se estamos diante de mais um ato de megalomania americana. Eu acho que talvez um montante bem menor já seria suficiente para dar suporte à recuperação econômica do país, que já se mostra a caminho.

De toda maneira, a carteira da série Nord Global atualmente está bem posicionada para capturar direta ou indiretamente a execução desse plano de reconstrução da América.

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Até semana que vem.


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por Cesar Crivelli
em 03/04/2021 para Nord Insights

Bacharel em Administração de Empresas pela PUC-SP, possui MBA pela FGV e MSF pela Hult International Business School. Integrou a equipe de Equity Research do Citibank e tesouraria da General Motors (GM) no Brasil. Posteriormente, atuou nas frentes de M&A e novos negócios da Xeros Cleaning Technologies (XTG), nos Estados Unidos. Ingressou na Nord Research em outubro de 2019, como parte do time do Nord Small Caps, e hoje é responsável pelo Nord Global.

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