Qual é a quantidade de Ações ideal para se ter na carteira?

Certa vez, Warren Buffett disse que: "diversificação é a proteção dos ignorantes. Ela faz muito pouco sentido para aqueles que sabem o que estão fazendo".


Apesar de ser fã incondicional do velhinho de Omaha, eu acho que esta é uma das frases perigosas que um investidor comum pode tomar como mantra para suas decisões investimentos.


Falo isso por dois motivos:


O primeiro é que para cada 1 Warren Buffett, existem outras 7 bilhões de pessoas normais. Ele é o investidor de maior sucesso de todos os tempos e essa estratégia funciona bem para ELE.


O segundo é que acompanhando as entrevistas, cartas ao investidores e tendo lido quase todos os livros publicados sobre os seus métodos e sua história, eu diria que ao longo das últimas décadas o próprio Buffett mudou bastante.


Uma frase proferida antes do ano de 2000, por exemplo, quando ele ainda não era responsável por gerir uma empresa tão grande, que vale hoje meio trilhão de dólares, pode não fazer mais tanto sentido hoje.


Há vários outros exemplos de como ele mudou de ideia ao longo das décadas. Um dos exemplos é quando ele disse que nunca investiria em empresas de tecnologia ou aéreas. No caso das aéreas, ele investiu por duas vezes e perdeu (muito) dinheiro nas duas ocasiões.


Veja bem, mudar de opinião não é um defeito, pelo contrário. Essa é uma das maiores qualidades de um bom gestor. Avaliar suas posições e saber a hora de pular fora de uma canoa furada.


Tanto mudou de ideia que hoje a maior posição da carteira de Buffett é a Apple, uma empresa de tecnologia e a maior empresa do mundo em termos de valor de mercado, valendo mais de 2 trilhões de dólares.


A posição em Apple começou a ser montada em meados de 2016,  com algo em torno de 15 por cento do portfólio. Mais de 4 anos se passaram e hoje Apple representa metade da carteira.



Fonte: Conteúdos XP



Antes do split de 1 para 4 ações, a compra foi feita por 141 dólares.

Considerando o preço de hoje de 131 dólares, chegamos ao valor de compra de 35,25.


Enquanto outras posições menores apresentaram valorizações mais tímidas, ou até já desvalorizaram, a posição de Apple quase quadruplicou de lá para cá. Isso explica a posição atual de 51 por cento.


Entenda: há uma diferença entre ser ativamente concentrado e ter ficado concentrado. Vale lembrar que apesar das 10 maiores posições da Berkshire somarem hoje 90 por cento do portfólio, a holding tem mais de 50 posições em ações de outras empresas.


Quem tiver a curiosidade de saber quais são essas empresas, basta acessar o link.



Eu quis trazer o assunto de diversificação à tona pois, ao longo dos últimos 15 anos acompanhando os principais gestores de ações do mercado, eu percebi que os que tiveram mais sucesso foram aqueles que não seguiram a ferro e fogo a frase célebre do Buffett.


Pelo contrário.


Aqueles que criaram regras muito bem definidas de diversificação das carteiras, estão firmes e fortes, enquanto aqueles que concentraram demais ficaram pelo caminho.


Um exercício que a gente pode fazer é: se dois gestores apresentaram a mesma performance nos últimos 10 anos, mas um deles estava excessivamente concentrado em poucas ou uma só ação, qual deles correu mais risco?


A gente precisa lembrar que no Brasil as coisas funcionam bem diferente dos EUA. Com uma simples canetada, nossos governantes já foram capazes de rasgar contratos e dizimar alguns setores da economia. Quem aí lembra do que a presidente Dilma fez com o setor elétrico em 2014?


Aliás, nem é preciso resgatar algo tão antigo. Basta ver o que tem acontecido com as ações dos bancos nos últimos meses com as pautas de maior tributação e tentativa de regular os juros cobrados no cheque especial.


Sendo assim, eu adaptei algumas das regras desses gestores para o mundo dos investidores comuns. São referências que eu acredito que podem servir para evitar que um investidor fique pelo caminho.


Se observarem as carteiras das séries da Nord vocês perceberão que elas, em grande parte, respeitam essas regras, pois cada uma carrega geralmente de 8 a 15 posições.


Mas cada analista faz sua própria regra. O Ricardo, por exemplo, é mais diversificado e assume posições iguais para cada uma das recomendações. O Bruce é mais concentrado e mais dinâmico no tamanho de cada uma delas (aliás ele vai querer me matar quando ler esse artigo, pois discorda frontalmente de mim nesse sentido).


Para que fique bem claro então, as regras abaixo são as que funcionam para mim.


A ideia aqui é tentar responder uma pergunta que recebo frequentemente nas redes sociais:


"Quantas ações você acha que vale a pena eu ter?"



Quantidade de Posições: 12 a 25 ações


Com 12 ações já é possível ter uma carteira, razoavelmente, bem diversificada. Se você não tem recursos ou disponibilidade de tempo para atingir essa quantidade de ações em algum momento no futuro, então recomendo que invista por meio de fundos de investimento.


Mais do que 25 posições eu já acho que começa ficar muito difícil para um investidor comum gerenciar. Com 30 ou 40 posições os efeitos da diversificação são marginais e a carteira vai se aproximar muito do que é Ibovespa, por exemplo.


Concentração máxima em uma só ação: 15 por cento ativa e 20 por cento passiva. Isso quer dizer que você pode montar uma posição máxima de 15 por cento, mas se passivamente ela começar a ocupar mais de 20 por cento da carteira, você é obrigado a reduzir. Me preocupa muito quando ouço que alguns investidores iniciantes carregam posições de mais de 50 por cento em uma única ação.


Concentração nas 5 maiores ações: não mais do que 50 por cento da carteira.


Concentração setorial: não mais do que 40 por cento em um só setor.


Sizing (Tamanhos de posição):


2 a 5 por cento: posições pequenas.


6 a 10 por cento: posições médias.


11 a 15 por cento: posições grandes.


Posições grandes: ações de empresas com baixo risco, alta previsibilidade e com grande convicção.


Posições pequenas: ações de empresas com muito risco, baixa previsibilidade e menor convicção.


Empresas com menos de 2 por cento são posições novas sendo montadas, ou posições sendo desmontadas. Não acho que faça sentido carregar posições muito pequenas. É preciso ter pelo menos algum grau de convicção, se não só serve para tomar a atenção.


Como eu disse anteriormente: essas são as regras que funcionam para mim e que acredito que possam servir para mais pessoas.


Mas lembre-se que não existe "receita de bolo". Tem o jeito Warren Buffett de investir, tem o jeito que eu invisto (que expliquei acima) e tem o seu jeito.


Estude, experimente, avalie e encontre a forma que funcione melhor para você.


Caso tenha dúvidas no processo de escolha e decisão, conte com a Nord para ajudar.


Um abraço e até a próxima,


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por Renato Breia
em 03/09/2020 para Nord Insights

Possui 15 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Link Corretora, Galleas Asset, Rico Corretora e foi sócio da Empiricus Research. Formou-se em economia pela PUC-SP, tem especialização em Gestão de Fortunas pela Columbia University e é Planejador Financeiro, CFP®.

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