Protege o celular, Paulo Guedes

A semana promete ser intensa

Um suspiro de alívio

Sem novos tuítes do presidente americano para atrapalhar o final semana, os mercados internacionais começam a semana bem – dado a pacificação das tensões comerciais entre Estados Unidos e México.


Destaque para os resultados de exportações chinesas acima do esperado, ajudando as bolsas globais.


Na cena local, aproveitando os bons eventos de fora, a semana fica com foco na apresentação do texto da Previdência na quinta-feira.


Nada pode nos parar, a não ser o vazamento de nudes conversas do Ministro da Justiça em relação à Lava Jato.


Isso, sim, pode colocar água no nosso chope.


Mas, até onde me parece, é mais ruído do que sinal.


G20: whatever it takes


Enquanto você curtia o almoço de domingo na casa da sogra, o G20 reunia as principais autoridades econômicas do mundo para debater o crescimento mundial.


A preocupação, claro, não poderia ser outra: o impacto da guerra comercial entre Estados Unidos e China sobre o comércio mundial.


Esse é um efeito que tem preocupado os Banco Centrais, uma vez que promove certa desaceleração ao redor do globo.


E, para cuidar do enfermo, a prescrição parece ser a de sempre: aumentar a liquidez. Na prática, redução de juros.


No caso de Europa e Japão, onde os juros já estão extremamente baixos, ambos pretendem se afundar ainda mais em programas de recompra de ativos. Mesmo assim, se for necessário, não descartam aumentar as dosagens da morfina via redução de juros.


Os Estados Unidos não ficam atrás, com o presidente do Fed dizendo que “fará de tudo para manter a expansão da economia”.


No meio de tudo isso, na expectativa das futuras reduções de juros que viriam ao redor do globo, as taxas de juros futuros caíram fortemente nos últimos dias aqui no Brasil.


Para nós, todo esse movimento é mais um motivo para o mercado pedir corte de juros.


Saia justa


Olha, não gostaria de estar na pele de Roberto Campos.


A cada dia que passa, a inflação segue tranquila e a economia se afunda um pouco mais.


E, com a economia global desacelerando, teremos mais uma razão para empilhar na lista de motivos pelos quais a Selic deveria estar mais baixa – os juros futuros precificam um corte de 50 bps (passando de 6,5 para 6 por cento) no segundo semestre.


A última linha defesa do BC parece ser a questão fiscal, simbolizada pela Reforma da Previdência.


Se resolvida no plenário da Câmara até o início de julho, como o Maia declarou na semana passada, ficará difícil para Campos desconversar o assunto na reunião de agosto.


Quinta-feira: o dia D


Parece que, finalmente, o relator apresentará o texto da Reforma da Previdência à Comissão Especial.


Passados seis meses, voltaremos ao estágio onde tramitava a reforma no Governo Temer.


Ponto positivo é que a discussão em torno da necessidade da reforma melhorou. Vemos um consenso de que os gastos são explosivos e a reforma é necessária.


Mas o diabo está nos detalhes. A capitalização e a inclusão dos estados ainda são pontos não consensuais.


Para tentar agradar a gregos e troianos, o relator deve incluir uma alternativa para essa transição entre os sistemas – garimpando assim, mais alguns votos.


O governo diz que tem os votos; a oposição fala que não. A única certeza que temos é que, o dia em que Maia tiver segurança do placar, ele coloca para a votação.


Seja como for, Maia já ventilou que a votação em plenário deverá acontecer no fim de junho ou início de julho. A articulação pré-feriado de Corpus Christi deverá ser intensa.


A semana promete certa volatilidade nos mercados. Nossa torcida é para que o sistema operacional do celular de Paulo Guedes esteja atualizado e protegido.


A última coisa de que precisamos é um escândalo envolvendo a pasta da Economia, justamente agora, quando a Reforma será votada.


O Brasil não é para amadores. Mas os investidores pacientes serão recompensados.


Abraços

Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Luiz Felippo
em 10/06/2019 para Nord Insights

Iniciou sua carreira num projeto de renda fixa do Insper com o BTG Pactual. Posteriormente atuou na área de pesquisa econômica internacional do Itaú Asset Management e foi analista de Renda Fixa da Empiricus Research. Formou-se Economista no Insper.

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