Pior que 2008

Durante o final de semana tivemos a divulgação do indicador de atividade econômica chinesa, o PMI — Purchasing Managers' Index. Foi o primeiro grande indicador econômico revelado após a escalada do Coronavírus no país.

Durante o final de semana tivemos a divulgação do indicador de atividade econômica chinesa, o PMI Purchasing Managers' Index. Foi o primeiro grande indicador econômico revelado após a escalada do Coronavírus no país.


O índice, referente ao mês de fevereiro, ficou em 35,7 pontos, enquanto o mercado esperava algo em torno de 45 pontos. Trata-se da leitura mais baixa desde 2008, quando, no auge da crise financeira, o PMI da China marcou 38,8 pontos.


Este indicador pode variar de 0 a 100 pontos. Uma leitura abaixo de 50 pontos indica retração na atividade econômica, mas acima deste número, aponta expansão da economia.



Fonte: Bloomberg


Todos os agentes de mercado já esperavam uma piora da economia chinesa durante o mês de fevereiro, mas não tão ruim.


Uma foto divulgada pela NASA, retrata de uma maneira bem ilustrativa o forte impacto do coronavírus na economia chinesa.


O nível de dióxido de nitrogênio   gás produzido por indústrias e motores, altamente nocivo ao meio ambiente e a saúde humana  caiu drasticamente durante o mês de fevereiro deste ano, comparado ao mesmo período de 2019 (vide imagem abaixo).


Fonte: BBC; NASA


A imagem, assim como o indicador econômico, deixa muito claro que a atividade econômica na China passa por um forte ajuste.


Durante o final de semana, muitas instituições financeiras revisaram para baixo o crescimento esperado para o país durante o primeiro trimestre deste ano, bem como para o ano como um todo.

Na comparação com o 4T19, alguns esperam queda do PIB chinês, o que levaria o crescimento no ano para algo perto de 3 por cento, muito inferior aos 6 por cento de expansão que a economia do país vinha apresentando.


Também não foram poucas as instituições que revisaram para baixo o crescimento esperado para a economia Norte Americana, bem como para o PIB mundial.


Diante dessa enxurrada de números negativos, especula-se que os principais bancos centrais do mundo possam agir coordenadamente  a exemplo de 2008  com medidas para suavizar a desaceleração econômica causada pelo coronavírus. Tal esperança moveu fortemente os mercados para cima no pregão de ontem.


Vivemos em uma época onde o mercado dita as ações a serem tomadas pelos Bancos Centrais mundo afora, quando, na verdade, deveria ser o contrário.


Desde a crise de 2008, os juros foram para a lona. Já faz alguns anos que países desenvolvidos mostram taxas de juros reais negativas (descontada a inflação), ou seja, o dinheiro perde valor ao longo do tempo.


Não por acaso, investidores levaram os preços de ativos mais arriscados, como ações, a patamares historicamente exorbitantes, visto que o capital precisa ser remunerado de alguma forma.


Apesar da “forte” queda das bolsas mundo afora, durante as últimas duas semanas, o efeito da queda de atividade econômica nas principais potências do mundo pode ainda estar longe de estar precificado nos ativos financeiros.


Só teremos certeza sobre isso quando da divulgação de outros indicadores econômicos.


Caso a “incerteza” se transforme em “certeza”, poderemos então ver os mercados serem, outra vez, duramente afetados pela desaceleração econômica global.


Manteremos “um olho no peixe, outro no gato”.


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por Cesar Crivelli
em 03/03/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira na área de análise de uma corretora independente e posteriormente integrou a equipe de Equity Research do Citibank, tesouraria da GM no Brasil e trabalhou em uma startp-up em Boston por dois anos, onde era responsável por M&A e expansão em novos negócios.

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