PG vai abandonar o barco?  

O clássico barata voa

Bolsa em queda, juros futuros abrindo e dólar para cima.

Ontem foi um daqueles dias em que o mercado local ignora o que está acontecendo com os mercados ao redor do mundo e reflete na veia o que é o risco de estar investindo no Brasil.

Os motivos, é claro, são as notícias vindas de Brasília. No início da semana já vinha rodando o boato (pela enésima vez) de que Paulo Guedes abandonaria o barco, mas logo trataram prontamente de desmentir.

Entretanto, o destaque nos jornais ontem foi que o Bolsonaro vetou a proposta do Ministério da Economia sobre o programa Renda Brasil. A fala do presidente foi: “Não posso tirar de pobres para dar para paupérrimos”, a mensagem que deixou transparecer é que a relação entre os dois não anda bem.

O presidente adora o ministro, mas está preocupado com a reeleição.

O problema de não concordar com as propostas desenhadas pelo Paulo Guedes é que ele reabre as discussões sobre estourar o teto dos gastos e, por consequência, acende uma luz amarela no principal risco para economia brasileira: o de deterioração das contas públicas, ou como se diz no jargão do mercado: estourar o fiscal.

Parece que a tese que Marilia gravou há 10 dias, e que na altura muita gente achou pessimista e exagerada, pode estar tomando forma.

Eu até poderia dar um spoiler para vocês e discorrer sobre os principais riscos apontados pela Marilia na tese. Mas acredito que os leitores estarão muito melhor servidos ouvindo as palavras da própria boca dela, com a didática irretocável de sempre.

O que eu posso dizer é que como brasileiros, todos nós aqui torcemos para que este governo dê certo. Mas como analistas de valores mobiliários precisamos ter uma visão bastante fria dos fatos, e o Brasil tem um péssimo histórico em resolver problemas estruturais.

Nossa responsabilidade é fazer com que as pessoas entendam os possíveis riscos à frente e como isso pode impactar suas carteiras de investimento. A provocação que eu faço é: será que diante do cenário desafiador que teremos que enfrentar, a sua carteira atual reflete fielmente o seu perfil de risco como investidor?

Market Timing e Alocação de portfólio

Toda a vez que a gente traz um ponto de atenção como este, instintivamente a reação dos leitores é de nos perguntar: "Então devo comprar dólar agora? Devo vender tudo de bolsa e voltar depois? Compro ouro? Opções de venda de Ibovespa?"

Este comportamento é algo bastante natural do ser humano, pois está a todo momento procurando ter controle sobre as coisas. Infelizmente, a nossa capacidade de prever os movimentos de curto prazo do mercado, o tal do Market Timing, é bastante reduzida.

Quando falo a nossa, eu quero dizer nós da Nord e também investidores profissionais. Digo com certeza que poucas pessoas conseguem operar as distorções de curto prazo do mercado com alguma consistência nos resultados. Ou será que alguém já desenvolveu um algoritmo para vender bolsa toda a vez que o Bolsonaro fala?

A boa notícia é que os estudos mostram que acertar no curto prazo não importa tanto assim a longo prazo, pois 88 por cento do resultado da sua carteira de investimentos ao longo do tempo virá de uma boa alocação entre as classes de ativos. Apenas 12 por cento, portanto, corresponde ao market timing.

Fonte: Vanguard

Portanto, nossa recomendação é: esteja sempre alocado e com a alocação certa para o seu perfil.

Poder dos juros compostos e da taxa poupança

A gente viu que o market timing não importa tanto, mas você tem que concordar que a performance do portfólio, como um todo, deve sem dúvida importar muito. Será mesmo?

Vou usar como exemplo a informação que estava em um post da turma da IP Participações, para mostrar como as pessoas superestimam a questão do retorno do portfólio para o sucesso de acumular o patrimônio ao longo do tempo, e subestimam o poder dos juros compostos para quem se dispõe a poupar desde cedo.

Quem acumulou mais dinheiro?

John e Jill são irmãos gêmeos. Jill poupou 50 dólares por mês durante apenas 8 anos, dos 21 aos 29 anos, economizando um total de 4.800 dólares. Já John poupou 50/mês por 37 anos, mas dos 29 aos 65 anos de idade, num total de 22.200 dólares economizados.

A maioria das pessoas tende a achar que John acumulou muito mais dinheiro porque fez um esforço de poupança maior. Mas considerando que os dois investiram no mesmo fundo que obteve o mesmo retorno de 10 por cento ao ano, no final Jill teria 256.650 dólares contra 217.830 dólares de John.

Qual foi a mágica? As pessoas costumam subestimar o milagre dos retornos compostos. Começar a poupar mais cedo reduz muito o esforço necessário para acumular patrimônio.

(Exemplo retirado do livro "Why Smart People Make Big Money Mistakes  and How to Correct Them".)

A receita

Unindo as lições dos dois capítulos anteriores, a receita que fica é:

  • Não tente controlar o incontrolável.
  • Não tente fazer market timing.
  • Tenha uma alocação alinhada com o seu perfil de investidor.
  • Diversifique (essa não estava, mas achei por bem incluir).
  • Estabeleça uma taxa de poupança adequada.
  • Poupe desde cedo.

Veja que coisas como diversificar, alinhar perfil de risco e saber como alocar os recursos excedentes é fundamental nesse processo.

Nós da Nord sabemos disso e, por essa razão, estamos organizando uma grande reunião on-line com nossos analistas e os assinantes do Nord Advisor.

O objetivo é apenas um: falar sobre como montar a carteira ideal para cada investidor.

A reunião acontecerá na próxima segunda-feira, às 14h. Todos os assinantes do Nord Advisor podem participar.

Se você se interessa por montar uma boa carteira ou se você não está satisfeito com a sua, aproveite a oportunidade.

Aqui está a página para você virar um membro Advisor. Se inscreva e participe.

Um abraço e até a próxima,


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por Renato Breia
em 27/08/2020 para Nord Insights

Possui 15 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Link Corretora, Galleas Asset, Rico Corretora e foi sócio da Empiricus Research. Formou-se em economia pela PUC-SP, tem especialização em Gestão de Fortunas pela Columbia University e é Planejador Financeiro, CFP®.

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