Para todos os gostos

Mercado internacional de ETFs oferece versatilidade para os investidores


Festa de 30 anos

O primeiro ETF (Exchange Traded Fund) da história do mercado financeiro foi negociado na bolsa de valores de Toronto, em março de 1990. A ideia era permitir que investidores tivessem acesso as 35 ações que compunham o índice da bolsa de Toronto, de uma maneira prática, rápida e transparente.

Na década de 1990, o uso de computadores não era tão disseminado como hoje. A indústria de investimentos era rudimentar e a tecnologia não estava tão enraizada no mercado financeiro — operacionalmente, era muito difícil replicar qualquer índice.

Qualquer investidor em busca de diversificação teria um enorme trabalho para comprar todas as 35 Ações do índice, respeitando a proporção de cada uma dentro do benchmark.

Os home brokers não estavam tão acessíveis e, aqui no Brasil, ainda estávamos operando pelo pregão viva voz, então, imagine a dificuldade de um pequeno investidor replicar o movimento do Ibovespa naquela época.

De lá pra cá, a indústria de ETFs só cresceu — de forma exponencial, diga-se de passagem — e hoje são aproximadamente 6 trilhões de dólares sob gestão deste tipo de instrumento, por meio de 5.600 tipos diferentes de ETFs, com grande concentração nos Estados Unidos, que representa cerca de 72 por cento do mercado.

Fonte: ETFGI

Simples, prático e eficiente

Imagine os custos de corretagem envolvidos na compra e venda de dezenas de Ações durante o ano, no caso de pequenos investidores.

A depender da corretora escolhida, mesmo no mercado internacional, onde os custos tendem a ser consideravelmente mais baixos do que no Brasil, pode ser que as taxas de transação sejam relevantes, considerando um longo horizonte de tempo.

O investimento em ETFs reduz esse custo, pois ao invés de o pequeno investidor entrar no mercado várias vezes, comprando diversas ações, ele pode, simplesmente, adquirir um EFT pagando apenas uma taxa de corretagem.

O mesmo vale para o controle de ganhos de capital, apuração de impostos e declaração do IRPF, tudo fica mais simples — não há necessidade de se administrar dezenas de operações e listar todas as Ações quando da declaração de imposto de renda anual.


Atende a todos os gostos

Como eu disse, hoje são mais de 5.600 ETFs negociados no mundo todo — difícil dizer que não exista ao menos um que seja aderente ao perfil de investimento da maioria dos investidores.

Caso o investidor já tenha exposição ao mercado americano, mas queira diversificar um pouco mais sua carteira, uma opção seria comprar o Vanguard Total International Stock ETF (VXUS).  Atualmente com cerca de 371 bilhões de dólares sob gestão, esse ETF segue o movimento  de Ações negociadas fora dos Estados Unidos, com grande exposição a mercados desenvolvidos e emergentes.

Fonte: Vanguard

Para os amantes de tecnologia, uma boa opção de EFT seria o QQQ, que é o segundo mais negociado nos Estados Unidos. Com aproximadamente 100 bilhões de dólares sob gestão, esse ETF segue o desempenho do índice Nasdaq 100, composto por cem grandes empresas de tecnologia americanas e mundiais, incluindo as queridinhas do mercado — Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google (FAANG).


Fonte: Zacks


Alguns investidores possuem preferência por ativos mais arriscados, com maior potencial de retorno. Nesse caso, uma opção seria a exposição aos países emergentes, que tendem a apresentar crescimento superior aos desenvolvidos, o que, em tese, resultaria em um melhor desempenho das Ações nestes mercados.

O ETF  IShares Core MSCI Emerging Markets (IEMG), hoje com 46 bilhões de dólares de patrimônio, possui em sua carteira Ações de grandes, médias e pequenas empresas, principalmente ligadas aos setores de energia, financeiro, tecnologia e commodities, em 21 países emergentes.

Fonte: Ishares

Como uma carteira de investimentos deve ser balanceada, existem ETFs atrelados a títulos de renda fixa, que podem ser utilizados com esse intuito.

Para investidores brasileiros, ter acesso a títulos dessa natureza em outros países pode ser demasiadamente complicado, mas a compra de um ETF com essa característica, por meio de uma corretora americana, é bem mais fácil do ponto de vista operacional.

Um belo exemplo nesse segmento é o IShares U.S. Treasury Bond ETF (GOVT). O intuito deste ETF é acessar o mercado de treasuries norte-americano, em títulos denominados em dólares, com maturidade entre um e 30 anos.

Fonte: Ishares


Aos amantes de risco, temos também opções de ETFs alavancados, cujo propósito é oferecer um retorno 1x, 2x ou 3x vezes maior do que a carteira de referência.

Nesse exemplo podemos citar o Direxion Daily S&P 500 Bull 3X Shares (SPXL), que por meio de contratos de derivativos e opções, tende a render 3x a oscilação do SP500 — para cima e para baixo! Veja abaixo que no dia 11/06/2020, quando o índice caiu por volta de -6 por cento, este ETF teve desvalorização de -17,3 por cento.

Fonte: ETF.com

Também temos ETFs cuja natureza é inversa a de determinado índice — ou seja, se o benchmark se desvaloriza, o ETF mostra oscilação positiva e vice-versa.

Muitas vezes investidores alocam pequeninas parcelas de seu patrimônio neste tipo de ETF com o intuito de proteger a carteira contra quedas do mercado.

Um exemplo seria o ProShares UltraPro Short QQQ (SQQQ), cuja oscilação tende a ser inversa ao movimento do índice Nasdaq em 3x. No pregão de 11/06/2020, quando o índice Nasdaq caiu 5,3 por cento, esse EFT subiu, praticamente, 15 por cento.

Fonte: Investing.com


Diversificação é o nome do jogo!

Primeiro gostaria de ressaltar que os ETFs comentados acima não são uma recomendação de investimento, mas, sim, exemplos de como por meio de um instrumento simples, o pequeno investidor tem ao seu dispor, no mercado norte-americano, centenas ou milhares de opções para montar uma carteira balanceada, de maneira prática e rápida.

Vale também ressaltar que, apesar de serem instrumentos formidáveis do ponto de vista de diversificação, visto que a grande maioria dos EFTs possui muitos títulos na carteira, eles devem ser utilizado com parcimônia, principalmente aqueles que são alavancados.

Quanto mais eu estudo e me aprofundo no mercado de investimentos norte-americano, vejo o quanto as opções de investimentos aqui no Brasil são limitadas e pouco desenvolvidas, apesar da boa melhora na quantidade de produtos oferecidos por aqui nos últimos anos.

Temos um longo caminho a percorrer por aqui…

Por que não pegar um atalho e se valer de mercados que já possuem instrumentos consolidados, para melhorar sua alocação?


Vale refletir sobre isso. Não deixe dinheiro na mesa!


Se você tiver alguma sugestão ou dúvida sobre investimentos internacionais, mande-nos uma mensagem no [email protected] e seu tópico poderá estar na próxima newsletter.

Um abraço,

Cesar Crivelli, CNPI


Em observância ao Artigo 22 da Instrução CVM nº 598/2018, a Nord Research esclarece que oferece produtos contendo recomendações de investimento pautadas por diferentes estratégias e/ou elaborados por diferentes Analistas. Dessa forma, é possível que um mesmo valor mobiliário encontre recomendações distintas em diferentes produtos por nós oferecidos. As indicações do presente Relatório de Análise, portanto, devem ser sempre consideradas no contexto da estratégia que o norteia.


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por Cesar Crivelli
em 13/06/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira na área de análise de uma corretora independente e posteriormente integrou a equipe de Equity Research do Citibank, tesouraria da GM no Brasil e trabalhou em uma startp-up em Boston por dois anos, onde era responsável por M&A e expansão em novos negócios.

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