Pancadaria

Estreia hoje! Bruce Barbosa, Marilia Fontes e Ricardo Schweitzer discutem o mercado sem papas na língua – eles são os Analistas Sem Censura. É às 15 horas, no InfoMoney TV.


Acertando o passo

Voltando do feriado de Páscoa, mercados europeus operam predominantemente em queda ajustando-se à ressaca de ontem. Madrugada na Ásia foi igualzinha.

Por aqui, começamos o dia com esforços para virar a página: futuros gringo e brasileiro abrem em alta.

 

Pancadaria

NY teve novo dia de sangue ontem. Mais uma vez, insisto: de tédio ninguém está morrendo.

No campo da narrativa, novas investidas de Trump contra empresas de tecnologia e desdobramentos da trade war com China, com Pequim anunciando novas tarifas de importação sobre produtos americanos.

A propósito, preços do aço no mercado doméstico americano já dão sinais de reação – viu, Gerdau (GGBR4)?

Se as forças motrizes são, efetivamente, essas, aí já tenho minhas dúvidas. Insisto na cantilena de sempre: valuations esticados, custo de capital em ascensão… sob as condições corretas, qualquer evento é um pretexto.

 

Remedinho

O que chama a atenção é que, a despeito de ter uma guerra lá fora, ouve-se baixinho os tiros de canhão na bolsa brasileira: está chacoalhando, sim, mas bem menos. Descolamos.

Ah, nós descolamos porque nossos fundamentos estão muito melhores. – já tomou seu remedinho hoje, filhote? Você não me parece muito bem…

Talvez estejamos tão atentos à agenda doméstica – mais especificamente ao juizo final de Lula no STF – que tenhamos ficado demasiado distraídos ao que se passa para além de terras tupiniquins – e isso costuma terminar em azia.

 

A eterna pergunta

Diante de situações assim, a eterna pergunta é vendo tudo?

Combato veementemente esse modo binário – tô dentro/tô fora – de investir, pura e simplesmente porque todas as evidências sugerem que os resultados são ruins: você se mexe demais, perde na entrada, deixa na mesa na saída… enfim, é uma daquelas ideias que são lindas na teoria mas péssimas na prática.

Minha resposta é sempre a mesma: se você opera curto prazo, naturalmente já emprega mecanismos de proteção. Respeite-os. Se seu horizonte é mais longo, mais lhe importa se os preços ao nível atual das suas posições fazem sentido ou não – e só.

De novo, respeite a estratégia e não mude a regra do seu próprio jogo com o jogo rolando.

 

É, até que serve…

Chega a ser engraçado o charminho que a turma da indústria automotiva está fazendo para a solução construída pelo governo para viabilizar o Rota 2030, programa que vem em substituição ao finado Inovar-Auto.

O puxadinho prevê que os créditos tributários gerados por investimentos em pesquisa e desenvolvimento nestas paragens possam ser usados no abatimento de qualquer imposto federal ao longo dos primeiros três anos de vigência do programa – depois, somente IR e CSLL.

De qualquer forma, abstraindo meus juízos de valor, a experiência do Inovar-Auto bem demonstrou que Mahle Metal Leve (LEVE3) se vê em posição privilegiadíssima para gerar valor em cima desses esforços locais de pesquisa.

 



Ricardo Schweitzer, CNPI

Em observância à ICVM 483, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Ricardo Schweitzer
em 03/04/2018 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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