Os três aprendizados da semana

Dias intensos

É chegado o fim de mais uma semana e, como vocês bem sabem, mais uma vez estou aqui escrevendo essas breves linhas.


A semana foi corrida e cansativa, mesmo que tenhamos ficado sentados em frente ao computador o dia todo.


Durante os últimos dias, eu e o Renato temos aproveitado o tempo para conversar com todos os gestores da nossa carteira.


Tradicionalmente fazemos isso “olho no olho”, até porque há algo diferente quando fazemos presencialmente. Entretanto, dado o momento de quarentena, acabamos fazendo todo o processo via aplicativo Zoom.


E, como não poderia deixar de ser, os assinantes do Nord Fundos receberam no canal do Telegram o resumo de todos os bate-papos e os principais insights.


Ainda assim, queria aproveitar essas conversas e compartilhar um pouco do que aprendemos com eles.


Passei, então, a cavar a minha mente, como alguém que procura informações em uma longa pilha de papéis. Procurei algo que fosse interessante de dividir com vocês.


E, rebobinando os acontecimentos destes últimos dias, lembrei de alguns dos aprendizados que muitos deles descreveram durante essa última crise.


Em particular, três que eu gostaria de compartilhar com vocês.


1- O imponderável sempre existe


É típico de quando você conversa com gestores de ações, a percepção de que realmente foi colocado tempo em esforço em analisar aquelas companhias que estão presentes no portfólio.


O time da gestora analisou todos os balanços, utilizou softwares para trackear movimentações no on-line, conversou com o management, ex-funcionários, competidores, fornecedores… tudo feito corretamente.


Foram horas e mais horas gastas nesse processo, com o objetivo de entender tudo o que fosse possível sobre aquela companhia.


Nada poderia passar despercebido. Entretanto, mesmo obtendo todo o conhecimento do mundo, não há como conhecer o que ainda não foi registrado.


Estamos sempre sujeitos ao imponderável. Afinal, quando pensaríamos que companhias aéreas ficariam sem voar por tanto tempo? Ou ainda, que o varejo fosse ficar com todas portas fechadas por meses?


Não há como antever algo desse tipo, talvez seja um evento único em toda história da humanidade.


E, como vimos em março, o pânico no mercado foi grande. As aéreas chegaram a cair algo próximo a 80 por cento, dado todo o imbróglio.


Então, tome cuidado. Mesmo gestores que tinham exposição baixo ao setor, sofreram fortes perdas dado a destruição de valor ocorrida ali.


Moral da história: mesmo que você conheça profundamente as companhias, tome cuidado com as concentrações excessivas. Você nunca sabe o que virá pela frente.


2 - Desejo das proteções


É curioso como o passado é sempre cristalino, cheio de certezas e obviedades. Olhando para retrovisor, todos gostaríamos de ter segurado algum tipo de proteção durante o mês de março.


Então, para muitos, ficou a lição para a próxima crise: ter proteções. Entretanto, a prática desta tarefa é um tanto quanto ingrata.


Isso porque, querendo ou não, exige que você consiga ter um belíssimo senso de market timing, o que não é nada fácil.


Tudo isso fica mais claro quando voltamos alguns meses no passado. No início do ano, havia uma preocupação com os valuations esticados depois do rally no fim de 2019.


Ao mesmo tempo, o juro baixo, a continuidade das reformas e toda uma perspectiva de crescimento econômico deixam todos otimistas com as perspectivas da bolsa.


Naquele janeiro, dado os atuais níveis de preço, víamos uma movimentação por parte dos gestores em busca de proteções.


Entretanto, como os resultados mostram, a tentativa foi em vão. Alguns chegaram até a comprar opções, mas venderam antes de ver a crise atingir seu ápice. Outros, poucos dias antes de estourar o pânico dos mercados, acabaram por deixar as puts vencerem e não renovaram o seguro.


Ou seja, mesmo se tratando de profissionais bem experientes, acertar esse timing nunca foi fácil. É uma raridade conseguir fazer isso, e, em grande parte das vezes, não funciona.


Então, ao invés de tentar fazer isso, sugiro que você faça o básico.



3 - A velha cartilha


Conversando com um dos gestores que mais gostamos, que possui uma longa estrada no mercado com várias crises no currículo, perguntei qual a principal lição aprendida com essa crise do coronavírus.


E, enquanto eu perguntava, ele escutava atentamente. Pensou um pouco e logo me respondeu: “acho que reforça a cartilha”.


Por 10 segundos eu fiz "cara de conteúdo” e fiquei pensando o que ele queria dizer com aquela pequena frase.


Aos poucos, pacientemente, ele me explicou que isso significava fazer o básico: ter cabeça no lugar, comprar no pânico, vender na euforia, investir nos melhores negócios, evitar empresas muito alavancas etc.


Foram várias características, mas você já entendeu meu ponto. Não há por que inventar, e eventualmente procurar algo exótico ou mirabolante que lhe prometem ser a próxima tacada da bolsa.


Faça o simples. Entenda as companhias, estude os bons negócios e busque comprá-los a um preço interessante.


Moral da história parte 3: o básico certamente será muito mais poderoso e rentável.  



Aprendendo e Investindo com os melhores


Nessa jornada noNord Fundos, conversamos com diversas pessoas do mercado, o tempo todo.


Esse é o nosso trabalho, encontrar os melhores fundos da indústria. No fim do dia, gosto de pensar que somos uma espécie de headhunter (caçador de profissionais) de gestores.


Desenvolvemos uma metodologia bastante única para definir os vencedores dessa indústria, capaz de filtrar entre os 23 mil fundos existentes, só os que nos interessam  hoje, entre fundos multimercado, ações e long biased, temos 20.


Então, se você tem interesse de investir com os melhores, essa é a sua chance. Além disso, como benefício adicional, você também pode aprender com eles.


A cada nova conversa, não só nos tornamos melhores investidores de fundos, mas também de ações e outras classe de ativo.


Todos esses bate-papos com gestores renomados ficam registrados no Telegram para assinantes da série.


Abraços,


Luiz


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por Luiz Felippo
em 29/06/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira num projeto de renda fixa do Insper com o BTG Pactual. Posteriormente atuou na área de pesquisa econômica internacional do Itaú Asset Management e foi analista de Renda Fixa da Empiricus Research. Formou-se Economista no Insper.

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