Operando Renda Fixa como Bolsa

Analisando o momento da Renda Fixa sob a perspectiva de Warren Buffett.

Se você acompanha a News do Bruce, já deve estar familiarizado com alguns dos conceitos de investimento de seu grande ídolo: Warren E. Buffett.


O velhinho de Omaha é um dos maiores investidores de ações de todos os tempos. A sua estratégia, disciplina e consistência ao longo das décadas o alçou ao posto de terceiro homem mais rico na atualidade.

Não pretendo me alongar explicando em detalhe as suas estratégias – afinal, o Bruce faz isto melhor do que ninguém.

Mas, sempre que me deparo com pessoas interessadas em investir na renda fixa neste momento, relembro de dois pontos centrais defendidos por Buffett, e pelo Bruce, antes de investir:


Compre ativos bons e baratos


Se você acompanha a Marília semanalmente neste espaço, ou nas redes sociais, sabe que, já há algum tempo, a sua tese de investimento é de que a renda fixa no Brasil morreu.

"A Marília está pessimista com o Brasil?" - perguntam?

Não! Pelo contrário. Ela acredita que as perspectivas para se investir no Brasil são, inclusive, ótimas neste momento.

Estamos no menor patamar de juros da nossa história, com inflação baixa, desemprego cadente e crescimento econômico dando sinais de melhora.

O único problema que vemos é que, embora o Brasil seja um ótimo país para se investir atualmente, a renda fixa local está cara!

Lembre-se do princípio básico adotado por Buffett: não basta que um ativo seja bom para investir, ele também tem que estar barato!

Porque é pagando barato que você tem uma boa “margem de segurança” que justificaria o investimento, além de te proteger do imponderável – afinal, ninguém sabe ao certo o que acontecerá no futuro.

Por este motivo, acredito que esse princípio de investimento vem a calhar ao nos depararmos com a decisão de investir em renda fixa neste momento.


Explicando melhor...


Quando falo que a renda fixa está cara, me refiro aos títulos que sofrem variações em seus preços ao sabor do mercado. Ou seja, aqueles que sofrem a chamada “marcação a mercado”.

No Tesouro Direto, são os casos do Tesouro IPCA+ e do Tesouro Prefixado, por exemplo.

Se você já investiu em algum momento nestes títulos, percebeu que seus preços variam inversamente às oscilações de suas taxas de juros (definidas pelo mercado):

- Quando as suas taxas de juros caem, seus preços aumentam e beneficiam aqueles que os haviam comprado a taxas maiores;

-Quando as suas taxas de juros sobem, seus preços caem – prejudicando aqueles que os compraram a taxas menores.


O gráfico abaixo retrata bem a relação inversa entre a taxa de juros e o preço destes títulos.

Preço da NTN-B 2050 (amarelo) e sua taxa de juros (Amarelo). Fonte: Bloomberg.


O segredo para investir nesses títulos, portanto, é comprá-los quando as suas taxas estão sendo negociadas pelo mercado em patamares muito mais elevados do que aquele que você acredita fazer sentido. Em outras palavras, quando os seus preços estão muito abaixo do que consideramos ser razoáveis.

Se a sua crença se confirmar, as taxas destes títulos cairão no futuro, aumentando os seus preços frente ao investimento inicial. Como você pode vendê-los (a qualquer momento) aos novos preços para o Tesouro Direto, você terá uma valorização de seu investimento.


Mas ainda é possível comprá-los a preços baratos?


Acontece que, desde o final do ano passado, as taxas de juros de mercado que afetam os preços destes títulos caíram assustadoramente – alçando os menores patamares de juros da nossa história.


Curva de juros prefixada em setembro de 2018 (verde) e atualmente (laranja). Fonte: Bloomberg.



Este movimento levou a uma forte valorização dos títulos que sofrem a marcação a mercado, proporcionando a seus investidores ganhos equivalentes aos de investimentos em ações.

Os Tesouro IPCA+ 2045 e Tesouro IPCA+ 2035, por exemplo, obtiveram rendimentos de 58% e 37%, respectivamente, no ano de 2019.

O problema é que até mesmo as melhores festas uma hora acabam...

Atualmente, com as taxas de juros ainda muito próximas das mínimas históricas, os preços desses títulos do governo já incorporam boa parte das perspectivas positivas que temos para o país daqui em diante.

Reduzindo, portanto, os espaços para grandes valorizações através do mecanismo da marcação a mercado. Além de deixar o investidor desavisado bastante exposto a possíveis eventos que possam afetar negativamente as aplicações nestes ativos.

Resumindo: se estes títulos fossem ações, Buffett diria que eles estão caros demais neste momento!


Fuja de investimentos caros


Não diria que a atual margem de segurança dos títulos do tipo Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado são aquelas que o velhinho de Omaha almeja para seus investimentos.

Tampouco acho que este retorno se equipara às perspectivas positivas que temos para os investimentos em Bolsa daqui em diante.

Sobretudo porque os juros, no menor patamar da nossa história, também beneficiam as nossas empresas ao:

  1.  Incentivar o crescimento da economia, gerando um maior potencial de geração de receitas;
  2. Reduzir os custos de suas dívidas e melhorar o seu perfil de endividamento, permitindo a realização de novos investimentos em projetos rentáveis.

 Portanto, os juros baixos contribuem para que as empresas que fizerem a sua lição de casa lucrem mais nos próximos anos. E como o preço das ações tende a refletir a evolução dos lucros das empresas ao longo do tempo, essa é uma ótima oportunidade para o investidor de renda variável. 

Mas não se iluda: com a Bolsa a 116 mil pontos, já vemos ações de qualidade duvidosa subindo muito além de seu potencial.

Você não vai querer estar com os micos na mão quando o mercado corrigir esses exageros.

Então, faça como Buffett: compre empresas boas e baratas.

E faça também como a Marília: só compre renda fixa boa e barata.  

Um abraço e até a próxima!


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