Onze regras de bolso do investidor consciente

...ou onze regras para não se f… no bull market




A ideia de criar essa listinha de regras saiu de um papo meu com o Bruce. Essas definitivamente não são as regrinhas dele; tampouco, são as melhores. Foi um papo daqueles onde cada um pensa de um jeito mas, no fim, todo mundo pensa igual.


Somos dois alucinados por Ações.


Criamos um negócio no qual todos pudessem ser loucos por Ações também.


Eu gostaria, de coração, que você que teve a gentileza de abrir este e-mail, cheio(a) de paciência para ler o que eu mal e porcamente escrevo, levasse consigo pelo menos algo do que vou dizer aqui hoje.


Algo que possa servir para você, como investidor, naquelas horas em que o pensamento fica nublado; que o juízo vai pro espaço…


Quem nunca fez loucura na Bolsa? Respondo: quem nunca nela investiu.


Estas regras estão longe de serem as melhores. Nem precisam ser: se houve algo que eu aprendi nesses 15 anos de mercado é que, para ganhar dinheiro você não precisa ser um gênio; você não precisa ser perfeito. Precisa, isso sim, de um punhado de bons princípios aos quais se agarrar quase supersticiosamente; num gesto de reconhecimento da própria pequenez e falibilidade.


Regras que salvem você de se f… nesse mercado — de novo e de novo.


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No mundo de investimentos, a única coisa infinita é a vontade de aprender, entender e ganhar dinheiro.



  1. Evite concentrar muito o seu portfólio num só ativo ou numa estratégia. Vejo muitos filhos do bull market falando que têm 90 por cento em bolsa, 50 por cento num só ativo e usam NTN-B longa como “caixa". Uma alocação dessa pode arrebentar até os mais experientes. Se a bolsa porrar, com 50-60 por cento alocado em Ações você já ganhará muito dinheiro. Acredite. Mais do que isso é bobagem.

  1. Tenha sempre algum caixa — esse é o seu melhor hedge. Durante uma crise, ele te mantém vivo e ainda oferece a oportunidade de comprar barganhas na bacia das almas. De nada adianta comprar dólar se quando tudo despenca você não aproveita a valorização para vendê-lo e comprar o que caiu muito. Só serve para amortecer a queda e suavizar a subida.

  1. Poupe constantemente. É a maneira mais simples de ir colecionando ativos baratos ao longo da vida. Quando cai o dinheiro na conta, você o direciona à classe de ativo que está em promoção no momento. Se nada está em promoção, faça caixa. Mais dia, menos dia, as oportunidades aparecem.  

  1. Não fique grudado na p**** do homebroker.Passei quatro anos da minha vida com a cara colada num painel de cotações, e isso só serviu para me emburrecer e, de quebra, ferrar minha coluna.Use seu tempo para aprender mais sobre as empresas e os negócios. Entender melhor as empresas te dá mais confiança para comprá-las quando caem. Conferir as cotações com muita frequência só aumenta sua ansiedade e pode gerar a falsa necessidade de tomar uma decisão.

  1. Se toda a sua carteira virasse dinheiro hoje, o que você compraria novamente? Pergunte-se isso de tempos em tempos. É um bom teste para saber se você não pegou amor por uma posição vencedora — ou, tanto pior, está agarrado desesperadamente uma aposta perdedora.

  1. Não tente acertar o ponto exato de compra e de venda.  No longo prazo, comprar 5 centavos abaixo ou acima não faz a menor diferença — e você pode perder enormes oportunidades tentando pagar um pouquinho menos. Como diz Joel Greenblatt, "a menos que você compre uma ação no ponto mais baixo — o que é quase impossível —, você estará perdendo em algum momento depois de fazer todos os investimentos. Seu sucesso depende inteiramente de quão desapaixonado você é em relação às flutuações dos preços das Ações no curto prazo. O seu comportamento é peça fundamental."

  1. Quando comprar um ativo, anote por qual motivo o fez. Se algo no caminho destoar muito do que você imaginava, pode ser a hora de reavaliar sua posição. Pense sempre: quanto estou disposto a perder nesse ativo e por qual valor estaria satisfeito em vendê-lo? Esse investimento tem uma assimetria convidativa? Pouco a perder, muito a ganhar? Qual sua margem de segurança? Isso evita que você tome decisões durante um mercado estressado ou eufórico. Obedeça às suas regras.

  1. Não faça preço mérdio só para diminuir seu prejuízo. Comprar mais quando o papel cai geralmente funciona quando você vai comprando aos poucos. Se você encheu a mão, o papel despenca, e você continua comprando, é bem possível que você esteja fazendo preço mérdio.

  1. Não tente ser um especialista em macroeconomia ou política. Ex-diretores do Banco Central Americano, o lugar com maior informação do mundo, estão short em S&P500 desde a crise de 2008. Olha no que deu!

Analistas políticos são, na maioria, péssimos investidores. E a maioria dos investidores, por sua vez, são péssimos analistas políticos. Quem investe em empresas deve entender de empresas. Foque nos resultados.


  1. Leia muito e leia de tudo. Prefira os livros aos jornais. Gaste mais tempo com cartas aos cotistas de gestores do que com sites de finanças. Filtre os ruídos — que não são poucos.

  1. Desconfie de discursos de venda de ativos do tipo “se não decidir agora, perderá uma oportunidade única”. Não existe oportunidade única, nunca. As maiores oportunidades são criadas por erros de outros investidores — mas só quem se prepara consegue aproveitá-las ao tempo e à hora.

#QuemNãoTemBolsaÉLouco


Um abraço,


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por Renato Breia
em 19/07/2019 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Link Corretora, Galleas Asset, Rico Corretora e foi sócio da Empiricus Research. Formou-se economista pela PUC-SP, tem especialização em Gestão de Fortunas pela Columbia University e é Planejador Financeiro, CFP®.

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