Onde colocar a minha Reserva de Liquidez?

Escolher bem pode fazer toda a diferença do mundo.

Essa é a pergunta que mais recebo dos leitores. Todo mundo tem sua dica quente para a reserva de liquidez.

Mas, no final das contas, o que faz sentido e o que não faz?

Vamos por partes

Para começar, reserva de liquidez é aquele recurso suficiente para cobrir seus gastos por alguns meses, que deve ser separado no caso de alguma eventualidade como perder seu emprego.

Por você nunca saber quando uma eventualidade vai ocorrer, é muito importante que este investimento seja extremamente líquido, que você possa sacá-lo o mais rápido possível - no mesmo dia é o ideal, mas no dia seguinte ainda é aceitável.

Além disso, esse investimento não pode estar em ativos de risco, pois o momento de usar os recursos pode não ser o melhor momento para vender esses ativos.

Por exemplo: imagine colocar sua reserva de liquidez em ações... e precisar sacá-las no meio da crise de 2008? Não seria nada rentável, e você acabaria perdendo grande parte dos recursos.

Definidos os pré-requisitos, temos algumas alternativas:

Top 3

As formas mais populares de investir em reserva de liquidez são:

i) via Tesouro Direto, comprando o Tesouro Selic;

ii) via um Fundo de Investimento que compre Tesouro Selic; e

iii) via Poupança.

O investimento menos arriscado da economia é o título pós-fixado do governo, atrelado à taxa Selic. Esse título nunca perde - sempre rende positivo, já que a taxa Selic é sempre uma taxa positiva.

O governo é o emissor mais seguro da economia, pois é o que possui a maior capacidade de lidar com crises. Ele pode aumentar impostos, emitir moeda, fazer empréstimos com entidades internacionais, entre outros. A probabilidade de o governo quebrar é baixíssima.

A Poupança é a pior alternativa das três. Seus únicos benefícios são as possibilidades de aplicação de qualquer valor e de resgate a qualquer momento. Ao contrário do que muitos pensam, a Poupança não é garantida pelo governo, mas sim pelo banco no qual ela está investida. Se o banco quebrar, você pode perder todo o seu dinheiro.

“Ei, mas e o FGC?”

Essa é a pergunta que pode ter passado pela sua cabeça após ler minha afirmação acima. Pois bem...

O Fundo Garantidor de Créditos, que garante alguns produtos bancários (Depósitos, CDBs, LCIs, LCAs e Poupança), também tem risco de crédito. Ele é uma entidade privada, que só precisa pagar seu “seguro” caso disponha de recursos para isso.

Atualmente ele possui apenas 2,37 por cento do que ele garante em liquidez:

Fonte: Balanço do FGC do 1º semestre de 2018


Ou seja: se mais de 2,37 por cento do sistema quebrar, o FGC não vai ter dinheiro para pagar as garantias.

Isso tudo para mostrar que a Poupança tem um risco bem maior que o Tesouro Selic. Se ela tem mais risco, para ser um bom investimento ela deveria render mais! Mas, como vamos ver abaixo, a Poupança rende menos que o Tesouro Selic. 

Faz sentido?

Além disso, a poupança tem “mesversário”: se você sacar os recursos antes da data certa, perde toda a rentabilidade do período..  

Passado pelo pior investimento, vamos ao segundo melhor…

Tesouro Selic

O Tesouro Selic, encontrado no Tesouro Direto, rende Selic mais uma taxa. Se você entrar no site do Tesouro, na parte de preços e taxas, vai ver que na coluna da taxa do Tesouro Selic está escrito atualmente 0,02 por cento.

   


Isso significa que quem comprar esse título vai ter um rendimento de Selic + 0,02 por cento.

O risco é o do governo - portanto, o investimento é o mais seguro possível.

Nos pontos negativos temos:

i) ele só cai na sua conta no dia seguinte ao do pedido de resgate;

ii) o Tesouro cobra uma taxa operacional de 0,25 por cento ao ano, descontada semestralmente dos seus investimentos;

iii) até ontem, o Tesouro também te cobrava 4 pontos-base de spread na taxa (0,04 por cento) se você quisesse vender o título antes do vencimento - ou seja, você venderia por uma taxa 4 bps maior (taxa maior = preço menor).

Esses custos de 0,25 por cento e os 4 bps de spread entre compra e venda faziam com que, se você resgatasse o título nos seis primeiros meses (quando o imposto regressivo do Tesouro ainda é o maior possível), a Poupança pudesse render um tequinho a mais que o Tesouro Selic, como podemos ver no gráfico abaixo.


Ao longo do tempo, no entanto, conforme você fosse deixando o dinheiro render e o imposto regressivo fosse caindo de alíquota, a rentabilidade ficava bem maior.

Mas é importante mencionar que isso só acontecia se o título do Tesouro Selic fosse comprado a uma taxa de 0,00 por cento, ou menor. Na taxa atual, de 0,02 por cento, o Tesouro Selic seguiria sendo sempre melhor, desde o primeiro mês.

Massss… a grande novidade do dia: o Tesouro Nacional anunciou, ontem, a redução desse spread de compra e venda de 0,04 para 0,01 por cento ao ano!

Com isso, mesmo nos títulos com taxa de Selic + 0, o Tesouro Selic sempre irá bater a Poupança.

O que já era bom ficou ainda melhor!

O valor mínimo para se investir em Tesouro Selic via Tesouro Direto gira em torno de 40 reais. Bem democrático!

Fundos Simples

Por último, quero falar dos Fundos que compram Tesouro Selic.

Fundos de Investimento são produtos que contam com patrimônio separado. Ou seja, o dinheiro investido nesses Fundos não se mistura com o patrimônio dos bancos ou das gestoras que o administram.

Isso quer dizer que o risco do fundo é apenas o risco dos ativos que são comprados pelo gestor.

Assim, se investimos em um fundo que compra apenas Tesouro Selic - os fundos chamados “DI Simples” -, o risco desse fundo é o governo, mesmo que o fundo seja gerido por um banco.

Existem Fundos DI SIMPLES (como o do BTG Pactual Digital e o da Órama) que não cobram absolutamente nenhuma taxa de administração nem nada dos cotistas que investem no fundo. E as compras dos títulos são feitas pelo mercado institucional, que também não cobra taxas. Por conta disso, o fundo acaba sendo bem mais barato do que o investimento em Tesouro Selic via Tesouro Direto (que cobra 0,25 por cento ao ano e mais o 1 bp de spread).

Embora esses fundos paguem Imposto de Renda via come-cotas a cada seis meses, o efeito de não ter nenhuma taxa é tão maior que, mesmo líquido de IR, o retorno é superior ao investimento no Tesouro Direto.

A cereja do bolo é que esses fundos têm resgate em D-0. Ou seja: se você pedir resgate até as 15 hs, recebe o valor no mesmo dia.  

Incrível, não é mesmo? Por todos esses motivos, esses Fundos estão no topo na pirâmide dos melhores investimentos possíveis para se colocar sua reserva de liquidez.

No entanto, o investimento mínimo dos dois Fundos mencionados é de 500 reais, o que pode ser salgado se você está começando a economizar agora.


Agora é com você

Depois de todas essas informações, pergunto:

Por que você ainda está na Poupança???

Hein???

Se você estava em busca de recomendações de alternativas melhores, aí estão.

E depois? Devidamente abastecido o Fundo de Reserva, que alternativas buscar para seus investimentos?

Nisso a Nord ajuda você também.

Se você busca sugestões de Fundos de Investimento, conte com o Renato e o Luiz no Nord Wealth.

Se você busca sugestões de investimentos em Ações, conte com o Bruce e o Ricardo, respectivamente, n’O Investidor de Valor e no Nord Dividendos.

Ou, melhor ainda, conte com os três juntos no Combo Nord Essencial!

E, é claro, se você busca outras excelentes oportunidades na Renda Fixa, conte comigo no Renda Fixa PRO!

Só não vale ficar parado!

Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Marilia Fontes
em 05/04/2019 para Nord Insights

Possui 10 anos de experiência de mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pelas assets do Itaú, Mauá e Kondor, além de analista da renda fixa da Empiricus Research. Formou-se mestre em Economia pelo Insper.

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