Omelete à brasileira

Quebrar ovos é coisa do passado

Vocação brasileira

Mercados globais têm mais um dia de otimismo, tendo como pano de fundo resultados corporativos, avanços nas campanhas de imunização e discussões em torno de estímulos econômicos nos Estados Unidos.


Nesse contexto, foi positiva a madrugada na Ásia. Praças europeias têm ganhos modestos e futuros nova-iorquinos apontam para o campo positivo.


Enquanto escrevo estas linhas, Ibovespa Futuro ainda não abriu. Mas confesso que o noticiário local me deixa com a sensação de que, mais uma vez, ficaremos de fora da festa.


Ser do contra é quase uma vocação brasileira.



Omelete impossível


Não dá para fazer uma omelete sem quebrar alguns ovos. Ou pelo menos assim funciona em qualquer lugar do mundo.


Mas o Brasil não tem compromisso com a realidade. A depender do Legislativo, não somente a omelete se faz com ovos intactos como, ainda, os ovos se multiplicam. Basta vontade política e tudo se supera.


As discussões sobre uma nova rodada de auxílio emergencial ganharam força nas últimas semanas – dentro do esperado timing, à medida que se deram as sucessões nas presidências das duas câmaras parlamentares. A questão é que o debate sobre os gastos adicionais se dá totalmente descorrelacionado do orçamento.


Vendo-se no corner, o Ministério da Economia começa a negociar uma PEC que lhe permita gastar para além do teto.


E lá vêm as preocupações com o front fiscal de novo…




A hora da verdade


Em meio a isso tudo, avança paulatinamente a temporada de resultados corporativos do 4T20 por aqui.


E, à medida que ficam para trás as dificuldades de 2020, a pergunta central é: como será o amanhã?


Responda quem puder – e eu não posso. O que sei, entretanto, é que entramos em 2021 em um contexto radicalmente distinto daquele que deu a tônica do ano passado.


A recuperação econômica vem em ritmo meia boca. E os valuations pechincha já não são tão abundantes na primeira linha.


Isso significa que valorizações fundamentadas ensejarão melhora efetiva de resultados por parte das Empresas, e que investidores terão que olhar para além das ações óbvias; terão que fazer a lição de casa.


É nesse contexto que estou bastante esperançoso com muitas das Empresas que integram a carteira do Nord Small Caps. Acho que há bom espaço para surpresas operacionais positivas ali e, ainda, temos valuations bem razoáveis.


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por Ricardo Schweitzer
em 10/02/2021 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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