OIBR: Só faltam os credores

No último fim de semana, a Oi (OIBR3) recebeu, oficialmente, as propostas vinculantes para sua operação móvel. Já era de amplo conhecimento do mercado que a Telefônica Brasil (VIVT4) e a TIM (TIMP3) estavam em fase final para realizar uma oferta conjunta. A novidade é que a Claro Brasil se juntou à proposta e participou da oferta. A Oi recebeu além desta, outras propostas de empresas com menor atuação no país.


Não foram divulgados os valores, mas a julgar pelo nível de interesse com a chegada de outros ofertantes, a notícia é positiva para que a Companhia atinja o valor mínimo de 15 bilhões de reais, valor este estipulado no seu plano de aditamento da recuperação judicial.


A Oi também recebeu no sábado (18/07) uma oferta de 1 bilhão de reais para sua unidade de torres. Boas sinalizações que demonstram menor risco de execução do plano de aditamento, que agora conta com propostas nas mãos dos principais ativos à venda. Só falta a aprovação do plano em assembleia com credores, a ser realizada em agosto.


E fica aqui um pedido: que agosto não seja o mês do desgosto para a Companhia.

5G adiado e não foi pela venda da Oi

Em tempo, o leilão do 5G parece que ficará para o primeiro semestre de 2021. Muito se discutia que a venda da unidade móvel da Oi estava implicando no atraso do leilão, mas parece que outros fatores pesaram mais, como a pausa nos testes da Anatel por conta da Covid-19 e a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, que fez com que a chinesa Huawei fosse restrita de oferecer serviços voltados ao 5G nos EUA por motivos de segurança nacional.


O Ministério das Comunicações do Brasil está cauteloso e sem pressa para realização do certame, pois quer ver como ficará a situação da gigante telecom chinesa em outros países e adaptar uma solução para o problema por aqui. A Inglaterra, por exemplo, cedeu a pressão dos EUA e impediu a Huawei de fazer negócios por lá também.


Enquanto isso, o setor vai seguindo a tendência de consolidação. VIVT4 e TIMP3 já compartilham sua infraestrutura para as redes de 2G, 3G e 4G em prol do rateio dos altos custos de investimentos.


Se a venda da unidade móvel da Oi for, de fato, para as principais companhias do setor, teremos um trabalho duro para a Anatel e o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) analisarem e aprovarem uma oferta que contemple um mercado competitivo a partir de uma justa distribuição das frequências.


A OIBR vai seguindo seu caminho altruísta e pretende vender o negócio de infraestrutura em fibra ótica e ficar com um balanço asset light para focar na venda de produtos, pacotes, atendimento e marketing, deixando a cargo do novo sócio os pesados investimentos em rede.


Acompanhamos o caso da Oi em nossa série Nord Deep Value.


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por Matheus Amaral
em 21/07/2020 para Nord Insights

Especialista em finanças e mercado de capitais pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), atuou como auditor de fundos de investimento e consultor em instrumentos financeiros na Ernst & Young por 5 anos. Após, integrou a equipe de equity research da Toro Investimentos. Ingressou na Nord Research em outubro de 2019, como parte do time do Nord Deep Value.

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