O que você faz com 6 reais?

Nossa moeda perdeu valor em relação ao dólar e tornou-se uma das mais depreciadas no mundo.

Muito barulho

As últimas semanas foram marcadas por muito barulho político.

O plano de ajuda aos informais, somado ao auxílio extra aos Estados e à falta de coordenação do governo, levou o câmbio para perto de 6 reais. O medo é de que nossa dívida fique demasiadamente grande  hoje o governo não dispõe de dinheiro sobrando para esses pacotes emergenciais  e o país se torne insolvente ou muito arriscado.

Mais uma vez o Brasil se destaca mais pela incerteza do que por qualquer outra coisa. Com brigas sem fim entre os poderes, investidores nacionais e internacionais se perguntam: o que fazer neste momento?

A resposta nunca é fácil, mas do nosso lado, somos brasileiros e não desistimos nunca. Todavia, entra ano e sai ano, permanece o gosto amargo na boca dos brasileiros  poderíamos ter feito algo melhor ou ao menos diferente.

Moeda forte

Mesmo enfrentando o mesmo inimigo  a COVID-19 , os Estados Unidos estão se saindo melhor, ao menos em relação ao Brasil.

Seja pelo tamanho da economia  aproximadamente 20 trilhões de dólares por ano, contra 13 trilhões da China e módicos 2 trilhões do Brasil  ou pelo fato de o dólar americano ainda ser considerado uma “reserva de valor” em momentos de crise, as bolsas americanas subiram muito em relação às mínimas do mês passado.

Os principais índices de ações americanos apresentam apenas uma “leve” queda no ano em comparação com o Ibovespa — Nasdaq +0,1 por cento; S&P500 -11 por cento; Dow Jones -16 por cento.




Também quero

A diversificação dos investimentos, em várias classes de ativos e, obviamente, de uma maneira aderente ao perfil de cada investidor é fundamental.

Olhando para os números das bolsas americanas, fica o sentimento de que seria ao menos interessante, do ponto de vista de diversificação, ter parte do capital alocado fora do Brasil.

A situação muda ainda mais se considerarmos a perda de valor do real  e consequente fortalecimento do dólar  ao longo deste ano. Nossa moeda, até o momento, se depreciou em cerca de 30 por cento  o pior desempenho do mundo.


Fonte: Bloomberg




Dois em um

Pela perspectiva do investidor brasileiro, a salvaguarda de um investimento internacional pode ser vista como um conjunto de dois fatores: o desempenho dos mercados internacionais e da moeda  no caso, o dólar americano.

O exemplo abaixo compara o desempenho sob a perspectiva de um investidor brasileiro que, no início do ano, tenha enviado recursos para os Estados Unidos e investido nos dois principais índices americanos: S&P500 (vermelho) e Dow Jones (verde), contra um investimento local no Ibovespa.


Fonte: Bloomberg

Apesar da queda no mercado acionário americano — S&P500 -11 por cento; Dow Jones -16 por cento — por conta da perda de valor do Real, o investidor ainda teria ganho com o câmbio no período. Caso os índices estivessem positivos e fosse mantida a perda de valor do Real, o retorno seria ainda maior.



Terra Brasilis

Somos brasileiros e não desistimos nunca. Mas as últimas décadas têm sido razoavelmente complicadas para todos nós, ao menos do ponto de vista econômico  o que, de certa maneira, reflete a falta de melhorias estruturais. Se nada ou pouco for feito, fica difícil acreditar que o país mudará de patamar.


Assim, entre a opção de investir somente aqui, com dúvidas sobre a concretização do “novo Brasil”, ou também alocar parte do portfólio no exterior, eu pensaria com carinho na segunda opção. Economias maduras e já consolidadas tendem a apresentar menor retorno, mas também menor risco — trata-se, ao menos, da preservação do capital.



Abraço,

Cesar Crivelli



Em observância ao Artigo 22 da Instrução CVM nº 598/2018, a Nord Research esclarece que oferece produtos contendo recomendações de investimento pautadas por diferentes estratégias e/ou elaborados por diferentes Analistas. Dessa forma, é possível que um mesmo valor mobiliário encontre recomendações distintas em diferentes produtos por nós oferecidos. As indicações do presente Relatório de Análise, portanto, devem ser sempre consideradas no contexto da estratégia que o norteia.


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por Cesar Crivelli
em 09/05/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira na área de análise de uma corretora independente e posteriormente integrou a equipe de Equity Research do Citibank, tesouraria da GM no Brasil e trabalhou em uma startp-up em Boston por dois anos, onde era responsável por M&A e expansão em novos negócios.

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