O mundo como o conhecemos

Maré vermelha

Dia de tensão mundo afora, reflexo das preocupações com uma provável ação militar americana na Síria.

Mercados asiáticos tiveram desempenho negativo; na Europa, predomina o vermelho nos painéis de cotação.

Dow Jones e, por consequência, Ibovespa apontam para uma sessão de perdas logo à frente.

 

O mundo como o conhecemos

O alívio durou pouco: o mercado mal comemorou o potencial começo do fim da guerra comercial entre EUA e China; mal festejou o acalmar de ânimos contra as tech stocks trazido pelo depoimento de Mark Zuckerberg no Senado americano…

…pois já havia, no pipeline, a perspectiva de uma ação militar contra a Síria. Não se trata somente de Damasco: o movimento põe em rota de colisão a Washington e Moscou. Aí vira briga de cachorro grande.

E lá vamos nós de novo para mais uma rodada de aversão a risco. De tédio, mais uma vez, ninguém há de morrer: se a História se repete, apostas hão de se concentrar em dólar, ouro, petróleo e na abertura dos juros. É prudente dar uma trégua nas apostas de risco até termos a certeza de que o mundo como o conhecemos continuará existindo.

 

Tanque cheio

Não bastasse o ruído no front externo, o mercado gringo ainda tem dia agitado por conta da divulgação da ata do Fomc (às 15h de Brasília), que deve trazer insights sobre o comportamento da inflação na América de Trump – com reflexos potenciais nos juros gringos e, por consequência, no custo de capital para todo o resto dos ativos.

E a quem prestou atenção na menção a petróleo logo acima, vale também ficar esperto com a divulgação de estoques do óleo negro pelo Departamento de Energia americano, às 11h30 – é uma boa ideia manter o tanque cheio na iminência de um conflito no Oriente Médio.

 

Pepino de Itu

Por aqui, destaque para a oficial troca de guarda no Ministério da Fazenda. O novo ministro, Eduardo Guardia, concede coletiva às 15h. Em dobradinha com Esteves Colnago, no Planejamento, a turma se vê diante da ingrata tarefa de definir a meta de déficit de 2019.

A única certeza sobre o ano vindouro é a de que, venha quem vier, encontrará um pepino de Itu nas contas do governo central. Fica o fato de lembrete para o óbvio tantas vezes ignorado: a despeito das idas e vindas do último ano, nossos fundamentos de longo prazo continuam não sendo lá essas coisas – daí a gordura nos juros longos.

 

Pondo o risco no preço

A retórica trumpiana já atinge a Rússia antes mesmo de qualquer míssil ser disparado: o recrudescimento das relações entre Casa Branca e Kremlin se traduzem em alta expressiva do risco da dívida russa, medida pelo CDS.

Prenúncios de dias difíceis à frente. Fique esperto: tudo indica que tem uma guerra lá fora prestes a explodir.

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por Ricardo Schweitzer
em 11/04/2018 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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