O mercado não espera por ninguém

Voltamos do feriado com a obrigação de acertar os relógios do mercado local com o desempenho dos ADRs brasileiros na sexta-feira.

Acerte os relógios

Voltamos do feriado com a obrigação de acertar os relógios do mercado local com o desempenho dos ADRs brasileiros na sexta-feira. À frente, expectativas em torno do início da transição do governo, de novos anúncios de sua equipe e de sinais da agenda de reformas.

Lá fora, porém, a maré é contrária: mercados mundo afora têm dia negativo, motivado principalmente pela reversão de expectativas quanto a uma reaproximação comercial entre EUA e China - tema que se fez presente no final da semana passada, e para o qual chegamos atrasados.

Atenção para não perder a hora hoje: B3 passa a trabalhar das 10 às 18 - sem aftermarket -, em consonância com o início do horário de verão aqui e seu final nos EUA.

Pontapés iniciais

Bolsonaro viaja amanhã a Brasília, e tem sua primeira reunião com Temer na quarta-feira. A equipe de transição se instala no CCBB e persistem as expectativas em torno de novos nomes para o time.

A propósito, circulou no final da semana passada o rumor de que Joaquim Levy estaria cotado para o BNDES. Seria essa sua chance de limpar a biografia depois daquela triste passagem pelo governo Dilma? A ver, a ver…

Sonhamos, ainda, com pontapés iniciais nas tratativas para uma reforma da previdência ainda em 2018. É possível?

Sendo a política justamente a arte do possível, com tempo exíguo à frente, incentivos questionáveis por parte dos legisladores que, à essa altura, limpam gavetas… confesso que tenho lá minhas dúvidas. E, a julgar pela falta de alinhamento em torno da proposta até mesmo no seio da equipe bolsonariana, talvez a não-resolução imediata seja, de fato, o único desfecho possível. Vamos assumir, de uma vez, que fica para 2019?



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Alertaram os gansos

Você há de lembrar que já se vão meses que monitoramos os avanços econômicos nos EUA com certa dose de preocupação com a possibilidade de superaquecimento da máquina - o termômetro são os salários. Parece, pois, que estamos chegando lá.

Dados de geração de emprego divulgados no final da semana passada vieram fortíssimos - o desemprego na gringa é o menor desde 1969. Dessa vez, ao contrário das anteriores, o fato vem acompanhado de evidências de encarecimento da força de trabalho: salários-hora saltaram 3.1 por cento - maior acréscimo desde 2009. Acendeu-se, assim, o sinal amarelo.

A possibilidade de impactos inflacionários à frente alertou os gansos para a possibilidade de reações no front monetário - que, por sua vez, poderiam arrefecer o crescimento econômico. Juros gringos acusaram o golpe, e projeções de PIB podem ficar sub júdice.

Pesa contra o apetite pantagruélico de Trump por crescimento - duplamente contra, aliás, pois essa tendência o põe contra o próprio FED e ameaça a independência de atuação deste.

Noves fora

O que se extrai disso tudo é que, às perspectivas positivas no Brasil e ao valuation ainda atrativo de nossa bolsa, se opõe um balanço crescente de riscos no front externo. A pergunta de um milhão de dólares é para que lado penderá a balança nos próximos meses.

Talvez sobre menos dinheiro em circulação entre os emergentes, mas sejamos beneficiados abocanhando uma fatia maior desse bolo. Basta que caminhemos bem por aqui, e que expectativas positivas sobre o novo governo se concretizem.

O que reservam os próximos meses para a saga brasileira?

Do lado de cá, convicções são as mesmas: afastados riscos conjunturais mais graves, o rei é o preço. E há ativos a preços bons tanto na renda variável quanto na fixa.

Estamos diante da perspectiva de, enfim, vermos Pindorama avançando. E ainda há dinheiro na mesa. Você já fez sua lição de casa?

Acerte seu relógio e não perca a hora: o mercado não espera por ninguém.





Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Ricardo Schweitzer
em 05/11/2018 para Nord Insights

Possui 12 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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