O ano da recuperação econômica

Neste ano de 2021, a peça-chave para operarmos o mercado será o passo da recuperação econômica sustentável.


No ano passado, além do susto com o Coronavírus, tivemos uma série de programas de estímulo do governo que turbinaram as economias e o consumo, assim como deram uma impressão falsa de que a economia consegue se recuperar sozinha e em uma velocidade recorde.


Em diversos lugares do mundo, vimos uma forma de "V" nos dados econômicos. Ficamos com aquele sentimento de que, mais uma vez, os governos conseguiram "comprar" a recuperação. A máquina de imprimir dinheiro fez o seu trabalho novamente.


Mas esse tipo de recuperação não é sustentável, afinal, nenhum governo consegue dar estímulos econômicos para sempre. A recuperação mesmo será aquilo que vai acontecer depois disso. E essa é a chave para operar o mercado em 2021.


Algumas coisas são importantes de se notar:


  1. Como se dará a vacina


A vacina tem uma capacidade enorme de fazer com que as pessoas voltem a se comportar normalmente, acabando com o isolamento social. A capacidade dos países de antecipar campanhas de vacinação em massa deve influenciar fortemente na recuperação.


Alguns países tiveram uma evolução bem rápida do contágio do Coronavírus, mas estão também iniciando a vacinação mais rápido. Isso é um bom contraponto econômico.


O Brasil não está indo bem nesse ponto. Enquanto países como Inglaterra e EUA já começaram a se vacinar, o Brasil ainda aguarda tanto a importação das vacinas quanto a burocracia das aprovações.


Quanto mais atrasarmos nossa vacinação, mais tempo teremos de isolamento e mais difícil será a recuperação econômica.


Além disso, temos aqui uma briga ideológica a respeito das vacinas, que deve também atrapalhar a ampla vacinação e, consequentemente, a imunização mais rápida.


Tudo isso pesa contra a nossa rápida recuperação econômica.


  1. As bolsas não estão em níveis deprimidos


Os programas de estímulo e o aumento da poupança das famílias ajudaram muito a recuperação da bolsa de valores. Enquanto em meados de junho víamos um cenário de terra arrasada, com preços de black friday, hoje vemos a bolsa próxima de 120 mil pontos, em recorde histórico.


Comprar bolsa quando tudo já subiu é obviamente muito mais difícil e arriscado do que comprar com preços deprimidos.


Para termos novas ondas fortes de valorização, devemos acompanhar de perto os dados de recuperação econômica.


Se a atividade mostrar retração após o fim do “coronavoucher”, acredito que veremos um período de realização nos preços das ações.


A própria inflação, particularmente o preço dos alimentos, pode voltar bastante com o fim dos estímulos, postergando a alta da Selic que o mercado precifica.


Essa pode vir a ser uma boa oportunidade de investimento em um título particular na renda fixa. Os meus assinantes do Renda Fixa PRO já se posicionaram para essa oportunidade no finalzinho do ano passado.


  1. Não se esqueça nunca de olhar para fora


As variáveis pandemia vs recuperação vão ditar o ano de 2021, mas é importante que nunca se deixe de olhar para fora.


Enquanto estamos aqui analisando o congresso, os políticos, a inflação, a Selic, coisas importantes estão acontecendo em todo o resto do mundo.


A China, por exemplo, sofreu muito pouco com a pandemia e segue em um caminho de crescimento. Empresas gigantes mundiais mudam a sua forma de interagir com a natureza, buscando um crescimento sustentável e novos caminhos de investimentos em ESG.


Tudo isso pode criar um novo superciclo de demanda por commodities, como bem descreveu Ricardo Schweitzer em um vídeo recente.


Esse assunto pode muito bem se tornar o "tema do ano". E não estamos vendo isso ser muito comentado por aí.


Às vezes, ficamos tão preocupados com nós mesmos, com nossas trapalhadas governamentais, com nossa imprensa sensacionalista, que passa um elefante voador na nossa frente e somos incapazes de vê-lo.


Por aqui, estamos bem atentos a tudo! E vamos avisando vocês sobre as melhores oportunidades para 2021.


Um forte abraço e um feliz ano novo!


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por Marilia Fontes
em 04/01/2021 para Nord Insights

Possui 12 anos de experiência de mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pelas assets do Itaú, Mauá e Kondor, além de analista da renda fixa da Empiricus Research. Formou-se mestre em Economia pelo Insper.

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