Nem tanto ao mar, nem tanto ao céu

Realização de lucros nos mercados acionários nos Estados Unidos traz uma reflexão sobre o comportamento dos investidores e bancos centrais.


O céu

Foram quarenta e três recordes de fechamento para o índice de tecnologia Nasdaq durante 2020, antes da queda mais acentuada nesta semana. Já o índice S&P 500 marcou 22 recordes ao longo do ano.

Até quarta-feira (02/09) havia uma grande certeza por parte dos investidores de que as ações de tecnologia seguiriam no movimento de alta iniciado em 23/03, quando do pior momento da crise.

Todavia, com apenas uma queda de aproximadamente 8 por cento em dois dias, algumas pessoas já ficaram em pânico. Vale ressaltar que no acumulado deste ano o índice ainda sobe por volta de 24 por cento, sendo que o mundo todo enfrenta uma das maiores crises da história.

Vimos as principais empresas de tecnologia se valorizando expressivamente durante o ano — como mostra o gráfico abaixo —, diante de expectativas de que elas serão a salvação do mundo, ou ao menos que o “novo normal” não será possível sem elas.


Fonte: Koyfin


Chegamos ao ponto em que a empresa de tecnologia que detém o aplicativo ZOOM — antes nem tanto conhecido, mas agora, por conta da pandemia, acabou caindo na “graça do mundo” — possuir um valor de mercado acima da “velha e ultrapassada” IBM.

Fonte: Wall Street Journal


Do ponto de vista de valuations, essas empresas subiram tanto de preço que, mesmo considerando um expressivo crescimento nas receitas e lucros estimados para os próximos anos, qualquer investidor que se tornar sócio delas neste momento terá de aguardar pacientemente muitos e muitos anos para ter de volta o capital investido em forma de proventos.


O índice S&P 500 hoje negocia a uma razão entre o preço atual e lucro, estimado para 2021, em torno de 24x, praticamente o mesmo patamar observado na bolha das empresas de tecnologia nos anos 2000.


Fonte: Factset

Enquanto isso, os investidores de varejo nos Estados Unidos alcançaram uma participação recorde no volume transacionado diariamente nas bolsas americanas — hoje em torno de 20% do volume diário, frente a uma média nos últimos anos de 12% — comprando ações de tecnologia, pois elas estão “na moda”. Será que eles se atentaram para os fundamentos?


Fonte: Bloomberg Intelligence


O Inferno

Enquanto isso, vemos os Bancos Centrais dos países desenvolvidos “esquecendo” a taxa de juros. Muitos países da Zona do Euro possuem taxas para investimentos livre de risco negativas, enquanto nos Estados Unidos estão próximas de zero. Apenas o Brasil se salva, pagando pouco mais de 2 por cento ao ano para os que desejarem financiar um governo cuja dívida pública sobe de elevador.

Fonte: Koyfin


E por falar em dívida pública, nos Estados Unidos a coisa não está lá muito diferente. A expectativa é de que já no próximo ano ela seja maior do que todo o PIB anual do país. Seria a maior relação de endividamento sobre riqueza produzida desde a Segunda Guerra Mundial. Se as coisas continuarem como estão, em 2050 a relação poderá chegar aos 180 por cento, segundo o CBO (Congressional Budget Office).

Fonte: CBO, PGFF


Todo este endividamento do governo norte-americano está sendo transferido para a população, visto que milhões de americanos ainda recebem semanalmente cheques de 300,00 dólares para ajudar no pagamento das contas do mês.

Apesar dos índices de desemprego terem melhorado por lá ao longo dos últimos meses, cerca de 30 milhões de americanos ainda recebem algum tipo de benefício por parte do governo, como mostra o gráfico abaixo.


Os Chineses que não são nada bobos — basta olhar o crescimento econômico do país nas últimas décadas — despejaram no mercado centenas de bilhões de dólares, livrando-se de títulos públicos emitidos pelo governo dos Estados Unidos. Os chineses já chegaram a possuir mais de 1,3 trilhão de dólares em títulos de dívida americana, e hoje estão com 1 trilhão de dólares. Apesar de estarmos falando de "apenas" 300 bilhões de dólares, o que importa é a sinalização dada por eles, em relação a confiança na economia norte-americana.



Não por acaso, ao longo dos últimos anos a maioria das commodities metálicas, como o ouro, mostraram expressiva alta. Nada melhor do que guardar o seu rico dinheirinho em um ativo que é finito, ao invés de acreditar nos Bancos Centrais, que podem emitir moeda — e de fato o fizeram ao longo do tempo — e assim “salvar a economia mundial”.

Fonte: Koyfin

O mar: todos os caminhos levam a ele

Colocando todas essas peças juntas — e muitas outras — me parece que a equação está um pouco difícil de ser resolvida. Mas, como temos as melhores mentes do mundo trabalhando nisso, não devemos nos preocupar tanto, não é mesmo?

Desde a última grande crise financeira, lá em 2008, aprendemos que o que vale mesmo é o mote “kicking the can down the road”, que significa algo como: não vamos enfrentar o grande problema agora, deixemos para o futuro.

Na minha modesta opinião, uma hora os grandes líderes terão que enfrentar de frente todos os “problemas” econômicos que já tinham sido criados ao longo dos últimos anos e que , infelizmente, foram acelerados, pela pandemia.

O choque pode ser maior do que estamos esperamos, ou talvez não. Eu que na verdade estou preocupado demais. Todavia, uma das poucas formas de se proteger é possuir investimentos diversificados, incluindo Ações de empresas cuja existência não depende de uma “moda” e que historicamente já se mostraram resilientes em tempos extremamente difíceis.

Este é exatamente o trabalho que fazemos no Nord Global. Analisamos aquelas companhias que possuem fundamentos sólidos, gerenciadas por pessoas com grande expertise, que fazem parte de mercados seguros e/ou promissores.

Não por acaso, enquanto as ações da moda sofriam fortes quedas em Nova Iorque nos últimos dias, a carteira do Nord Global se valorizava. Não queremos dar a grande tacada. Queremos uma carteira rentável, que se valorize ao longo do tempo e que nos dê tranquilidade.

Infelizmente o produto está temporariamente fechado para novos assinantes, pois estamos focando no melhor atendimento dos que acabaram de chegar. Mas assim que voltarmos a receber novos membros, eu aviso por aqui.

Um abraço e bom feriadão a todos.  


Compartilhar este artigo
por Cesar Crivelli
em 05/09/2020 para Nord Insights

Bacharel em Administração de Empresas pela PUC-SP, possui MBA pela FGV e MSF pela Hult International Business School. Integrou a equipe de Equity Research do Citibank e tesouraria da General Motors (GM) no Brasil. Posteriormente, atuou nas frentes de M&A e novos negócios da Xeros Cleaning Technologies (XTG), nos Estados Unidos. Ingressou na Nord Research em outubro de 2019, como parte do time do Nord Small Caps, e hoje é responsável pelo Nord Global.

Receba nosso conteúdo GRATUITO!