Não há mal que dure para sempre

Oportunidades de uma vida aparecem nas grandes crises

Foi uma semana difícil para todos.


Há muito tempo não víamos uma queda tão expressiva na bolsa, uma alta tão forte do dólar e um estresse tão grande no mercado como um todo.


Acredito que nossa visão sobre os acontecimentos foi muito bem coberta pelas lives e também por meio das newsletters, assim, não vou me estender neste tópico.


Apenas ressalvo que, no longo prazo, o mercado sempre volta. A tristeza de hoje será a alegria de amanhã.


Olharemos para trás e perceberemos que, na verdade, todo esse tumulto, foi uma grande oportunidade, seja de investimento ou de aprendizado.


Foi assim em todas as outras crises. E nessa acredito que não será diferente.


O mundo é assim, cíclico. Faz parte da natureza.


Queda saudável



Falamos muito durante os últimos meses sobre os valuations esticados. No segmento de varejo, por exemplo, era comum encontrar empresas negociando a 30x ou 40x lucros.


Se considerarmos a média histórica de muitos e muitos anos, veremos que, na grande maioria dos casos, o mais razoável seria algo em torno de 15x a 20x, por isso insistimos no ponto que o mercado precisava de uma correção.


Na verdade, não há mágica por trás dessa análise, mas sim bom senso.


Você, ao virar sócio de uma empresa, consideraria um prazo de 40 anos para ter o seu dinheiro de volta em forma de proventos, muito ou pouco tempo? Na minha opinião, é muito tempo.


Com a forte queda na bolsa aqui e lá fora, agora temos empresas que negociam a relações entre o preço na bolsa e o lucro esperado, muito mais saudáveis.





Fundo do poço?



Expressei na newsletter da semana passada, minha opinião de que, talvez, o movimento atual não fosse uma marolinha  como de fato não foi. Mas sou honesto em dizer que não esperava esse tsunami.


Apesar de dados históricos mostrarem que grandes correções, no mercado internacional, são na média da ordem 30 por cento a 40 por cento, eu esperava um movimento um pouco mais ameno.  


A boa notícia é que tanto o S&P500 e o Dow Jones  principais índices de ações do mercado norte americano  já caíram cerca de 28 por cento do último topo. Veja novamente o gráfico que utilizei na semana passada.


Fonte: Goldman Sachs, CNBC research



Muitas medidas econômicas foram tomadas, por diversos países, ao longo dessa semana. Tanto no que diz respeito ao combate do coronavírus, quanto a estabilização dos mercados e estímulos econômicos.


Começo a acreditar que podemos ter um certo equilíbrio daqui em diante.


Os preços incorporam quase tudo


Finda a temporada de resultados nos Estados Unidos  que por sinal foi razoavelmente boa, com as empresas do S&P500 mostrando crescimento de lucros de 0.9 por cento na comparação anual  nos resta avaliar o futuro, especialmente os lucros projetados para os próximos trimestres.


Serão os resultados  ou a expectativa sobre eles  que vão ditar o rumo dos mercados acionários nos próximos meses.


Notem no gráfico abaixo que, desde setembro passado, o mercado vem reduzindo a expectativa de lucro das empresas americanas para o primeiro trimestre deste ano.


Assim, creio que os preços atuais já consideram uma desaceleração forte nos lucros. Apenas um choque muito grande na economia de lá levaria a uma nova revisão, para baixo, dos números e consequentemente do mercado  o que não parece ser o caso, até o momento.


Fonte: FactSet



Terra Brasilis


Também na semana passada, expus minha visão de que o Brasil não é uma ilha e que acontecimentos externos teriam efeitos sobre os mercados por aqui  como realmente aconteceu.


Muitos defendem que agora o país tem sua própria dinâmica e que será diferente.


Não quero ser estraga prazeres, mas sinto muito: nunca foi assim e não será agora.


Nosso país tem muito a fazer até que a tese do decoupling possa ser minimamente verdadeira - ao menos no mercado financeiro. Por enquanto, o que vale é: mexeu lá, mexeu aqui.


Como muitas expectativas negativas já foram precificadas em ambos os países, creio que o senhor mercado mostra um certo exagero no pessimismo quanto ao futuro de ambas as nações e consecutivamente sobre os lucros das empresas.


Então, sendo direto, minha recomendação é a seguinte: para quem tem visão de longo prazo e não na cotação do home broker, essa é a hora de encher o carrinho com boas empresas. Oportunidades como a que estamos vivendo nessa semana, se apresentam poucas vezes na vida.


Depois de ir às compras, foque no seu dia a dia, seu trabalho, sua família, seus amigos. Daqui alguns anos, colha os frutos.


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por Cesar Crivelli
em 13/03/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira na área de análise de uma corretora independente e posteriormente integrou a equipe de Equity Research do Citibank, tesouraria da GM no Brasil e trabalhou em uma startp-up em Boston por dois anos, onde era responsável por M&A e expansão em novos negócios.

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