Não existe almoço (nem corretagem) grátis

Ou alguém paga por você, ou você paga por alguém.

A bendita tabela

Em um passado não tão distante, há pouco mais de 10 anos, o mercado bursátil brasileiro não era reflexo do que é hoje. A bolsa - então Bovespa - era uma sociedade de corretoras, e as corretoras formavam um ecossistema de empresas dos mais diversos portes - desde regionais independentes até grandes, ligadas a bancos.


Todas tinham algo em comum: a corretagem era definida pela bendita tabela Bovespa. Não é preciso muito para deduzir que pagava-se pela intermediação dos negócios substancialmente mais do que hoje em dia.


Testemunhei o nascimento - e o progressivo encolhimento - da corretagem fixa. Vi o progressivo desaparecimento de outras taxas, como a de custódia. No início, a sustentabilidade daquilo me parecia um mistério: diante das consecutivas frustrações das expectativas de crescimento do número de CPFs ativos na bolsa (quem lembra do 5 milhões em 2010?), me perguntava: como a conta fecha?


Canto da sereia


Algum tempo atrás tive a oportunidade de conversar com um ex-dono de corretora - e não, não era das pequenas. E confirmei, nessa conversa, o que desconfiava: nas palavras dele, o que sustentava o negócio de corretagem era o "gambling", a turma que compra e vende ensandecidamente em busca de ganhos de curto prazo.


Faz todo o sentido do mundo: você pode ganhar ou perder, mas a banca sempre vence. Sempre existirão aqueles que se deixarão seduzir pelo canto da sereia das promessas de ganhos astronômicos num piscar de olhos - e, como já disse diversas vezes, existe uma enorme indústria construída em torno desse desejo, da mesma forma que as bancas de jornais continuam apinhadas de revistas com promessas mágicas de dietas detox e barrigas negativas.


É da natureza humana, e não foram poucas as horas de terapia que consumi até me convencer de que, faça o que fizer, não dá para salvar todo mundo.






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Realidade perturbadora

Estamos, agora, diante de outro movimento especialmente interessante. E, penso eu, absolutamente irreversível: a corretagem grátis.

Algumas corretoras já anunciam a completa extinção da taxa. Outras a restringem a determinadas classes de produtos - mas vai por mim: é questão de tempo até que a própria ideia de corretagem se torne tão obsoleta quanto a tabela Bovespa.

Como essa conta fecha? Sente e respire fundo, pois a resposta é um tanto perturbadora.

Um belo dia alguém constatou que, somando todas as compras e vendas dos clientes ao longo de um dia, o saldo era negativo: ou seja, Dilma está certa ao dizer que ninguém ia ganhar ou perder, mas sim todo mundo perder.

E isso aconteceu num dia. E noutro. E noutro... e constatou-se, surpreendentemente, que acontecia (e acontece!) todos os dias.

Todos.

Pois bem: se o consolidado dos clientes perde dinheiro sistematicamente, e se você tiver suficientes recursos para ser a contraparte de todos seus clientes em todas as operações de compra e venda... você pode transformar a perda deles em lucro seu.

Bem-vindo ao mundo da corretagem "grátis".

Beneficiar-se (ou vitimar-se) é questão de escolha


Minha tendência inicial, diante de constatação tão macabra, foi espernear - eu menti quando disse que bastaram as muitas horas de terapia para me convencer de que não dá pra salvar todo mundo.


Mas... pragmaticamente falando? Não dá mesmo: a ganância sempre será maior; as promessas de ganhos rápidos no curto prazo são e sempre serão irresistíveis demais para uma imensa parcela daqueles com dinheiro no bolso para investir.


Não vai mudar. Não para todo mundo. Então... aproveitemo-nos disso.


O mercado é um excelente mecanismo de transferência de riqueza entre os impacientes e os pacientes; entre os indisciplinados e os disciplinados.


A corretagem zero é apenas mais uma faceta disso. A escolha quanto ao papel a desempenhar diante dessa realidade é sua.


Você pode se beneficiar da impaciência alheia, implementando estratégias de investimento consistentes e com horizonte de longo prazo.

Ou você pode ficar no joguinho do compra-e-vende e, com ele, financiar o colega ao lado, que já entendeu que devagar se vai mais longe.

O que você prefere?

Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Ricardo Schweitzer
em 29/11/2018 para Nord Insights

Possui 12 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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