Brasil, onde promessa não é dívida

Já se foram décadas de crescimento econômico pífio e alta inflação. Passamos pelo confisco de recursos e desvalorização cambial.


Idas e vindas

O analista que vos escreve nasceu na década de 1980, portanto, não vivenciou os tempos “áureos” de nossa nação, a não ser pelos livros de história, os quais não eram lá seus prediletos.

Tendo em mente o período mais recente da história do Brasil, iniciando em meados da década de 1950, tivemos uma tentativa de desenvolvimento econômico mais robusto em nosso país.

Era o governo de Juscelino Kubitschek (1956 e 1961), quando estabeleceu-se um programa de crescimento baseada no plano de metas, o famoso: cinquenta anos em cinco.

O presidente e seus ministros entendiam que o país deveria crescer por meio da substituição de importações e, para tanto, era necessário desenvolver a indústria de base no país. Algo foi alcançado, pois o crescimento da economia brasileira chegou a 10 por cento a.a. em 1958.

Mas como a alegria de brasileiro dura pouco, o fantasma da inflação veio a galope. Ao final dos anos 1960, a inflação anual no Brasil já beirava 40 por cento a.a — o plano estava frustrado.

Instaurou-se então o período mais sombrio da história brasileira, a ditadura militar (1964-1985).

Foi nessa época que tivemos o “Milagre Econômico” — quando o PIB brasileiro cresceu, em média, cerca de 11 por cento ao ano (entre 1969 e 1973) —, mas novamente o período foi marcado por altas taxas de inflação — ao redor de 20 por cento ao ano — que só pioraram até o fim da ditadura, em 1985.

Os anos de 1980 e 1990 foram marcados por um crescimento pífio da economia e inflação fora de controle, que chegou a 2.500 por cento ao ano em 1993, pouco antes da introdução do plano Real, que conseguiu afastar o fantasma, mas não foi forte o suficiente para trazer o crescimento econômico desejado pelo povo brasileiro.

Creio que a grande maioria dos leitores vivenciaram os fatos econômicos que marcaram o período pós-plano real, por isso não vou me alongar muito. O crescimento econômico continuou pífio — média de 3,7 por cento a.a. entre 1991 e 2000 e de -0,3 por cento entre 2011 e 2020 — mas pelo menos a inflação está sob controle.

Criatividade muito “assertiva”

Não bastasse a alta volatilidade na economia — períodos “prósperos”, mas com alta inflação e temporadas de recessão, também com reajustes brutais nos preços — tivemos outros dois grandes acontecimentos econômicos na década de 1990, que merecem ser relembrados.

No seu primeiro dia de governo, o presidente Fernando Collor de Mello anunciou que 80 por cento do dinheiro aplicado em cadernetas de poupança e em contas correntes, e também em aplicações financeiras, como o famoso "overnight", ficaria retido no Banco Central e seria devolvido aos brasileiros em 12 parcelas, com a “devida correção monetária”.

Não me recordo muito bem deste período, mas creio que  foi um dos piores momentos já vividos pela sociedade brasileira.

Quando da introdução do Plano Real, em 1994, o país adotou o regime de banda cambial. O valor do Real, em relação ao dólar americano, era fixado diariamente pelo Banco Central, em um sistema de bandas, com um patamar mínimo e máximo. No início, o dólar era vendido a 0,91 centavos de real.

Esse sistema durou até janeiro de 1999, quando da saída de Gustavo Franco, até então presidente do Banco Central. Seu sucessor, Francisco Lopes, desvalorizou nossa moeda em 8,2 por cento. Deste momento em diante a coisa só piorou.

Diante de uma fuga em massa de capitais do país, em 3 de março de 1999 para comprar apenas um dólar o brasileiro precisava desembolsar mais de dois reais. Foi uma perda de 100 por cento em pouco mais de dois meses.

Na época, era popular uma forma de financiamento de veículos conhecida por leasing. Muitos tinham o reajuste atrelado ao dólar. Nem preciso dizer o que aconteceu com quem viu sua dívida dobrar da noite para o dia. Foi um período muito complicado.

Visando conter a fuga do dinheiro, o Banco Central ofereceu uma taxa de juros superior a 40 por cento para os investidores, o que de certa maneira conteve a perda de valor do real, mas criou inúmeros problemas para a nossa economia, mesmo a taxa sendo reduzida posteriormente.

Às vezes eu me espanto com a “criatividade assertiva” dos dirigentes de nosso país. Mas se tenho certeza de algo, é de que tal capacidade é incessante, todos continuam muito criativos.


Você precisa disso?

Podemos — e devemos — tentar mudar para melhor o nosso país. Isso passa, primeiramente, pela consciente escolha das pessoas que irão governar a nação. Faça sua parte, lute pelo melhor, seja consciente de suas atitudes.

Mas ao mesmo tempo, não temos como prever até que ponto — muitas vezes absurdo — os políticos serão criativos e reiniciarão o ciclo de insanidades econômicas, jogando o país no limbo novamente.

As coisas parecem tranquilas no momento. Mas não podemos perder de vista que o tão importante ajuste fiscal está colocado em segundo plano, em função das medidas (importantes, é verdade) de combate à pandemia.

Isso pode ser o início de um novo ciclo problemático, fazendo a dívida brasileira sair do controle? Eu, sinceramente, não sei. Mas não apostaria 100 por cento das minhas ficha num país com uma classe política que tem tanta dificuldade de colocar o Brasil no rumo da estabilidade e do crescimento.

Você realmente não precisa disso. Vimos décadas perdidas, sonhos vendidos e não entregues, com sentimentos de sofrimento e raiva.

Existe fora do Brasil a oportunidade de alocar parte de suas reservas financeiras. Investir em países mais estáveis economicamente e politicamente. Você não precisa correr todo o risco-Brasil. Uma parte do seu patrimônio, pelo menos, pode ficar em locais que deixem você e sua família mais tranquilos.


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por Cesar Crivelli
em 11/07/2020 para Nord Insights

Bacharel em Administração de Empresas pela PUC-SP, possui MBA pela FGV e MSF pela Hult International Business School. Integrou a equipe de Equity Research do Citibank e tesouraria da General Motors (GM) no Brasil. Posteriormente, atuou nas frentes de M&A e novos negócios da Xeros Cleaning Technologies (XTG), nos Estados Unidos. Ingressou na Nord Research em outubro de 2019, como parte do time do Nord Small Caps, e hoje é responsável pelo Nord Global.

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