Minha história de fracasso

Porque erros ensinam muito mais do que acertos.

O contexto

A Av. Faria Lima e os seus arredores – endereço do mercado financeiro em São Paulo – provavelmente possuem a maior concentração de ego por m2 do País.

O Condado (seu apelido carinhoso) está repleto de histórias de sucesso. São acertos atrás de acertos.

Hoje, a história de investimentos que eu vou te contar não é de sucesso. Infelizmente para mim, uma vez que sou o protagonista desta narrativa.

Deixei a cidade do interior, onde nasci, aos 17 anos e, até o ano de 2014, posso dizer que minha vida fora bastante bem-sucedida.

Me formei em uma excelente faculdade, alcançando a média global de 92 (conquista que me orgulha, principalmente porque das 5 turmas que entraram no mesmo semestre, menos de uma conseguiu se formar).

Consegui traçar uma trajetória profissional de rápida ascensão, fazendo algo que gostava. Obtive um enorme aprendizado técnico e amadureci bastante, em pouco tempo.

E não estou contando isso para me gabar, tudo terá grande influência nas decisões que tomei na sequência.

Mas, em 2014, tudo mudou.

Decidi sair da empresa que trabalhava para passar o último semestre da minha graduação estudando finanças nos EUA. Aprender sobre investimentos no principal mercado financeiro do mundo era um sonho.

De fato, a experiência foi incrível. Tive a oportunidade de cursar disciplinas não oferecidas no Brasil e, principalmente, trabalhar no fundo de investimentos gerido pelos estudantes da universidade.

Era um ambiente extremamente colaborativo, onde ensinei sobre valuation (área em que trabalhava até aquele momento) e aprendi um pouco sobre análise técnica. Sim, é aí que a história começa a dar errado.

Em meados de 2014, retornei para um Brasil pré-eleições, com mercados extremamente voláteis, onde brincava-se que o dólar, a gasolina e a Petrobras (PETR4) disputavam uma corrida para ver quem chegava aos quatro reais primeiro.

Como iria ficar alguns meses apenas participando dos longos processos seletivos para vagas de Trainee, decidi vender um terreno e realizar meus primeiros “investimentos” (em breve as aspas serão explicadas).

Com o dinheiro da venda do terreno, comprei um Golf GTI e o restante do dinheiro iria para bolsa.

O ocorrido

Eu não sabia direito onde estava pisando, não busquei a adequada orientação nem me dediquei o suficiente a aprender. Mas era movido pela ganância,ansiedadee impulsionado pelo excesso de confiança (se tudo tinha dado certo até então, não teria porque algo dar errado agora).

Que combinação explosiva!

Casas de análise voltadas para pessoa física, como a Nord, ainda não eram populares como hoje. Então, eu peguei parte do dinheiro e comecei a seguir carteiras recomendadas por corretoras e dicas quentes disseminadas em fóruns de investimentos.

O objetivo era segurar as ações por algumas semanas e embolsar o lucro rapidamente. Ou seja, eu não estava fazendo nada certo, mal sabia o que as empresas em que eu investia faziam.

Estudando o mínimo sobre análise técnica, rapidamente fui capaz de criar a verdade na qual eu queria acreditar. Fui plotando vários indicadores nos gráficos de preço até encontrar aquilo que, olhando para trás, parecia funcionar.

Na minha cabeça, passar mais tempo olhando para a tela do home broker, necessariamente deveria trazer retornos maiores e mais rápidos. Passar disto para o day trade foi um pulo.

Em pouquíssimo tempo tive outra ideia genial: por que não fazer a mesma análise de ações, porém operar opções? Afinal, suas oscilações são muito mais fortes. Logo, vou ganhar muito mais.

Até o momento eu não estava obtendo muito sucesso, ia perdendo o dinheiro e colocando um pouco mais. Mas aconteceu a pior coisa que poderia ter acontecido: a falsa vitória.

Um período de sorte e meu excesso de confiança me fizeram ignorar os erros passados. Nesse ponto, minha cabeça já não era de investidor, era de apostador. A ideia era ir dobrando a aposta para me recuperar mais rápido.

Eu mal sabia que só estava acelerando minha morte.

Eu até era “responsável” nos acertos, mas era complacente no erro. Realizava com disciplina meus ganhos, mas segurava meus erros até virarem pó.

A grande punhalada foi o resultado das eleições. Eu estava no meio da fase boa e resolvi apostar com tudo numa derrota da Dilma no pleito, 100 por cento comprado em opções de compra (calls).

Bom… o resto da história você já conhece. Nos 48 do segundo tempo, com os números do Acre, o resultado virou e a Dilma se reelegeu presidente. Perdi todo o dinheiro investido.

Com o pouco capital que ainda me restou, tive mais algumas ideias geniais em operações estruturadas com opções. Nas simulações de Excel, era um investimento à prova de risco. Na prática, foi apenas um final agonizante antes de perecer.

O que eu estava fazendo ali até poderia funcionar, mas eu simplesmente não tinha liquidez suficiente para bancar a estratégia pelo tempo que seria necessário.

Enfim, o trágico desfecho foi: quebrei aos 22 anos.

As aspas no termo “investimentos” agora são explicadas: é claro que um carro não é um investimento, muito pelo contrário. Mas o GTI (ou pelo menos seu espírito, na forma de outro carro) foi a única coisa que sobrou da minha primeira grande jornada como investidor.


O aprendizado

Talvez você se identifique com este relato, seja por ter vivido algo parecido, ou por não ter confiança/segurança no que está fazendo agora com seus investimentos.

Afinal, a quantidade de investidores pessoa física cadastrados na B3 superou a marca de 1,5 milhão em outubro deste ano. No fim de 2018, éramos apenas 800 mil.

O interesse pela bolsa nunca foi tão grande, e com razão: o Brasil vive um momento ímpar em sua história, com reais condições de finalmente deixar de ser uma promessa e se tornar a potência que deveria ser.

Sempre digo que na vida existem duas maneiras de evoluir: aprendendo com os erros de terceiros (a fácil) ou errando sozinho (a difícil, que dói mais, mas que costuma ser a escolhida).

Eu fui tolo, escolhi a difícil. Ao menos, isso ajudou a formar a pessoa que sou hoje e a chegar até aqui.

E vou ficar um bom tempo sem precisar pagar imposto de renda nos ganhos com ações. Você sabe que pode compensar seus prejuízos na bolsa com ganhos futuros, né? Mas isso fica para uma outra oportunidade.

O que mais me doeu não foi perder o dinheiro em si. Sempre podemos recomeçar e correr atrás do que foi perdido.

Doeu aprender na pele que não existe atalho. Não existe dinheiro fácil. Não existe recompensa sem a devida dedicação ao que realmente pode trazer resultados consistentes.

Mas o que mais me feriu foi decepcionar a pessoa mais importante da minha vida: minha avó Alice. Não que ela me julgue por isso...

Mas não cometer erros desta magnitude era o mínimo que eu devia ao meu maior exemplo de vida (com 91 anos e trabalhando até hoje… ela sabe tudo que está acontecendo em Brasília), quem me proporcionou todas as grandes oportunidades que tive.

Talvez você seja casado, tenha filhos ou possua alguma outra pessoa amada que terá a vida influenciada pelas decisões de investimentos que você está tomando hoje.

Acredito que você também não quer decepcioná-las. Afinal, qual o objetivo de investir, senão garantir um futuro melhor para você e para quem você ama?


Por que estou na Nord

Mas hoje, anos depois, acredito que minha avó tem motivos reais para se orgulhar.

Amo o que faço. Costumo dizer que não tenho trabalho, tenho  uma diversão remunerada. Continuo aprendendo todos os dias, fazendo o que mais me dá prazer, analisando empresas e estudando sobre investimentos.

Acredito profundamente no nosso propósito. Levamos para o investidor somente aquilo que realmente acreditamos, sem conflitos de interesse. Poder trabalhar em prol da educação financeira, algo importante para a vida de todos, é extremamente gratificante.

E, de quebra, ainda estou num lugar com enorme potencial de crescimento, com a cultura certa, rodeado de pessoas extremamente dedicadas e competentes (e falo não apenas dos rostos conhecidos, mas de todos que fazem a Nord ser o que é).

Ok… às vezes há motivos para sentirem vergonha também. Não me pergunte por que eu pisquei para câmera nessa live.

Mas um projeto em específico tem me trazido enorme satisfação.

A vida está me dando a oportunidade de ser um personagem que não esteve presente na história acima: um “tutor”. Vou ter a chance, juntamente com parte de nossa maravilhosa equipe, de auxiliar o seleto grupo que participará do Investidor de Valor – Imersão a dar com segurança, seus primeiros passos na bolsa.

Falaremos sobre todos os aspectos operacionais que envolvem o investimento em ações, sobre os termos e conceitos essenciais para a análise fundamentalista, da estratégia de investimento em valor e sobre as empresas que recomendamos.

Se você sabe que no cenário atual é fundamental ter bolsa em sua carteira, mas não tem a confiança necessária para dar os primeiros passos, ou não quer cometer grandes erros (como eu), ainda dá tempo de participar sem perder nadinha. Estamos deixando tudo redondinho hoje e começamos a todo vapor amanhã.

Não escolha aprender do jeito difícil, o barato pode sair caro.


Abraço,

Rafael Ragazi.



Em observância ao Artigo 22 da Instrução CVM nº 598/2018, a Nord Research esclarece que oferece produtos contendo recomendações de investimento pautadas por diferentes estratégias e/ou elaborados por diferentes Analistas. Dessa forma, é possível que um mesmo valor mobiliário encontre recomendações distintas em diferentes produtos por nós oferecidos. As indicações do presente Relatório de Análise, portanto, devem ser sempre consideradas no contexto da estratégia que o norteia.


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por Rafael Ragazi
em 18/11/2019 para Nord Insights

Iniciou sua carreira como Analista na Investor Consulting Partners (assessoria especializada em M&A e finanças corporativas).Posteriormente, foi Gerente de Novos Negócios na Wise Up|Somos Educação (enquanto investida da Tarpon Investimentos) e Sócio responsável pela área comercial e membro do comitê de investimentos da Luminus Capital Management.

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